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PARA MINHA FILHA

Numa tarde, há quinze anos, Um sonho tornava-se real. Uma menininha linda nascia Para iluminar nossa vida. Daquela tarde em diante, Nossos dias foram outros, Com a alegria contagiante Que de ti emanava e emana. Com olhar soberano e radiante, Coroado pelos cabelos soltos, Brilha um sonho chamado Helena, Que hoje completa seus quinze, Com a força das heroínas gregas E com a bênção de uma santa romana. 14/III/2026 Dartagnan da Silva Zanela

SILENCIAR É PRECISO

Na sociedade contemporânea, somos diariamente, de forma sorrateira, convidados a manifestar um punhado de opiniões a respeito dos mais variados assuntos. Na grande maioria das vezes, se não os desconhecemos por completo, temos apenas uma noção muito superficial a respeito deles; mesmo assim, somos instados a nos posicionar e, ao fim e ao cabo, nos manifestamos. E o pior de tudo é que, em grande medida, nós opinamos de forma impensada, irrefletida, e acreditamos que nossos colóquios, com essa feição mal acabada, são dignos de respeito, apesar de não termos manifestado a reverência devida ao conhecimento da verdade dos fatos sobre os quais estamos opinando. Mas fazer isso — nos dedicar com afinco para conhecer algo —, “sacumé”, dá um trabalho danado; já falar pelos cotovelos, posando ter uma autoridade que não temos, é muito mais fácil e gostoso, não é mesmo? Mas aí vem a pergunta que não quer calar: nós não deveríamos ter uma opinião crítica sobre tudo o que está acontecendo no mundo em...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #007

Uma vida bem vivida é uma tarefa permanente. # Viver é preocupar-se. Por isso, o importante para bem vivermos é preocuparmo-nos com as coisas certas. # Todo indivíduo verdadeiramente sentimental tem horror a todo e qualquer sentimentalismo verbal. # O passado, por sua própria natureza, não reconhece o seu lugar: ele está sempre presente, mesmo que nós sejamos incapazes de reconhecê-lo. # Se nossos líderes e nós lêssemos mais poesia — se criássemos vergonha nas ventas e começássemos a ler poesia —, provavelmente seríamos pessoas mais sábias ou, pelo menos, não tão soberbas. # Nenhum povo acredita em seu governo; somente as massas — tanto as ignaras quanto as diplomadas — creem caninamente naqueles que elas imaginam ser seus líderes. # Um homem apenas tem o direito de olhar o seu semelhante de cima para baixo quando for ajudá-lo a levantar-se. * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “BEM LONGE DO CORAÇÃO SELVAGEM”, entre outros ...

PARA SUPERARMOS A DITADURA DOS OFENDIDOS

Toda ferramenta tem sua utilidade quando a empregamos de forma apropriada. Agora, quando inventamos de trocar os pés pelas mãos, não devemos esperar muita coisa; e tal regra não vale apenas para as bugigangas físicas, mas também, e principalmente, para as traquitanas intelectuais. De todos os instrumentos intelectuais de que dispomos para analisar as aventuras e desventuras humanas em sociedade, um que acaba frequentemente sendo utilizado de uma forma atravessada é o dito-cujo do relativismo. Essa bênção, enquanto ferramenta de análise, é extremamente versátil, pois nos permite adentrar os hábitos e valores de um grupo social para compreendê-lo a partir das suas próprias referências, permitindo-nos ver o mundo através dos seus olhos, como bem nos ensina Bronisław Malinowski. Essa postura de “empatia antropológica”, da mesma forma que permite a um estudioso compreender com clareza o universo cultural de um grupo aborígene, também nos habilita a compreender a visão de mundo dos difere...

ALEXANDRITA

O tempo, feito andorinha,  Voa que a gente nem vê, Num passo ligeiro e suave, Feito brisa no fim da tarde. Sim, rapidão o tempo passou, E cá estamos olhando para trás, Lembrando de tudo o que juntos Fizemos com o nosso amor. Por isso, nesta data alexandrita, Celebramos de mãos dadas, Com o coração transbordante E com o olhar enamorado, Como no primeiro dia, Voltado para o horizonte, Para o futuro que é nosso E que nos aguarda. Te amo, hoje e sempre, Dilvana da Silva Caldas. II/III/MMXXVI

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #006

Na medida das nossas possibilidades, sejamos úteis. Esforcemo-nos ao máximo para isso. # Procuremos, sempre que estivermos lendo algo, realizar a anotação das reflexões que nos ocorrerem durante a leitura. # Contracultura, lealdade, espontaneidade e vitalidade. # Santo Tomás de Aquino nos ensina que virtude é o que uma pessoa faz com paixão; já o vício é o que uma pessoa, por paixão, não consegue deixar de fazer. # Que essa seja a nossa divisa: que todo o mal que me fizeram seja o combustível que me mova a fazer o bem. # Pensar é um incômodo tão grande quanto andar na chuva. # Filosofar é uma perene procura pela verdade; uma verdade que nos completa e que se completa em nós. * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “BEM LONGE DO CORAÇÃO SELVAGEM”, entre outros livros. https://lnk.bio/zanela  

AQUELA PEQUENEZ QUE NÃO NOS ABANDONA

O escritor Josué Montello nos ensina que o dever número um de um crítico é compreender. Com base nesta lição devidamente aprendida com o mestre, sempre procuro deixar claro para meus alunos que eles não têm a menor obrigação de concordar com uma opinião quando essa lhes é apresentada, pouco importa quem seja o seu autor; entretanto, eles têm o dever moral de, com sinceridade, esforçar-se para realmente compreendê-la. Lição similar é-nos ensinada através da obra do filósofo Mário Ferreira dos Santos, que procurava, nas palavras dele, identificar em todas as filosofias de que tomava conhecimento as suas “positividades” e, é claro, as suas “negatividades”, através de uma análise “decadialética”. Procedendo por este riscado, ele conseguia ter uma visão ampla e profunda a respeito das ideias e opiniões de que discordava e, de quebra, acabava aprofundando e ampliando os fundamentos de suas próprias interpretações e pontos de vista. Um exemplo mui ilustrativo de seu modus operandi foi o deb...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #005

Os grandes feitos não são realizados pela força, pelo dinheiro ou por qualquer traquitana similar, mas sim por meio da perseverança. # É muito importante sempre lembrarmos, e nunca esquecermos, que o fato de não termos poder não significa, necessariamente, que somos impotentes. # Como bem nos lembra Oscar Wilde, o mistério do amor é maior que o mistério da morte. Não é à toa que o segundo só é compreendido à luz do primeiro. # Um fato inquestionável, que é desdenhado pelos burocratas, é que a dificuldade é a mãe da aprendizagem ou, como reza o ditado popular: a dor ensina a gemer. # Nada revela mais a ingenuidade de uma pessoa do que um ato de indiscrição. # Devemos sempre procurar fazer a nossa parte, conscientes de que, na maioria das vezes, ela não será suficiente. # O descaso e o desrespeito para com o magistério irão cobrar um preço muito pesado da nossa sociedade. Na verdade, já está sendo cobrado.  * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e beb...

A VOZ QUE NINGUÉM QUER OUVIR

Um dos bens mais preciosos de que dispomos é o silêncio interior. Bem esse que o mundo moderno, através dos mais variados subterfúgios, tenta nos furtar, aliciando-nos a nos entregarmos de corpo e alma ao alarido e à dispersão, em uma farta variedade de manifestações. Se temos ciência do real valor deste bem, sabemos que todo santo dia temos que travar o bom combate para defendermos nossa solitude e, com ela, resguardar a nossa sanidade mental, moral e espiritual. Como bem nos lembra Umberto Eco, a cultura de massa não é um elemento externo, presente apenas na caixola dos outros — nada disso. Todos nós estamos imersos nela, somos afetados direta ou indiretamente por ela e, em maior ou menor medida, a dita-cuja se faz presente dentro de nós (lá ele!), perturbando e deformando o nosso modo de ser, turvando a nossa percepção de tudo, de todos e de nós mesmos. Sim, temos que pelejar um dia de cada vez, mas o Tempo Quaresmal é um momento propício para reforçarmos as trincheiras e defende...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #004

Feliz de quem é capaz de atravessar esse vale de lágrimas com mil e uma razões para viver. # As pessoas, independentemente do peso, são pesadas demais para que sejam levadas nos ombros. Por isso, levemo-nos uns aos outros no coração. # Apesar dos diferentes sobrenomes, somos todos filhos do mesmo Pai. # A melhor maneira de ajudar os outros é, segundo Dom Helder, levá-los a tomar ciência de sua capacidade de pensar e, deste modo, demonstrar que eles são capazes de refletir. # Existem muitas penitências e todas elas são muito boas; mas não há melhor penitência, segundo Dom Helder, do que aquela que Deus coloca em nosso caminho. # Deus nos ensina a não aceitarmos facilidades, nem a nos acomodarmos no conforto, mas a encontrarmos o sentido da vida na dureza da nossa cruz de cada dia. # As perguntas que não querem calar e que não devem ser ignoradas por nós: qual é o medo que nos motiva? Qual é o medo que nos paralisa? * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador ...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #003

Quem tivesse uma centelha da verdadeira caridade perceberia, de imediato, que todas as realidades terrenas estão cheias de vaidade. # O Brasil atual está organizado de tal forma que se produz cada vez menos e paga-se cada vez mais pelo que se deixou de produzir. # Curta ou longa, a marcha da nossa caminhada deve ser constante. # Como nos ensina Fernando Savater, estar sem poder não é a mesma coisa que ser impotente. # Há, segundo Freud, duas maneiras de ser feliz neste mundo alienado e alienante: uma é fazer-se de idiota e, a outra, é sê-lo. # Deus fez as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas. Vejam só como são as coisas: todos acabam usando as pessoas e amando as coisas. # Dom Helder Câmara nos ensina que há criaturas que são como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura. # Outra de Dom Helder Câmara: é graça divina começar bem; graça maior é persistir na caminhada certa, mesmo que seja difícil; mas graça das graças é não des...

A VISÃO AQUÉM DO ALCANCE

O ditado popular afirma que, em terra de cego, quem tem um olho é rei; porém, há quem desconfie de que, em terra de cego, quem tem um olho pode ser tido na conta de maluco. Bem, diante das duas possibilidades, algo me diz que a segunda seja a mais razoável. Compreender qualquer coisa com um mínimo de profundidade sempre nos traz uma sensação de satisfação, porque dissipa as brumas que até então turvavam o nosso entendimento a respeito de um determinado assunto; mas também, de lambuja, projeta sobre nós a impressão de que uma fatia significativa das pessoas irá nos olhar de soslaio, como se fôssemos uma figura esquisita, para dizer o mínimo. E está tudo bem. E está tudo bem porque conhecer não é repetir aquilo que nós e nossos semelhantes já sabemos. Aliás, fazer isso é apenas reforçar o senso comum que cultivamos e partilhamos com os demais. Conhecer é expor-se ao risco de equivocar-se e, equivocando-se, sentir-se obrigado a corrigir-se ou ser corrigido; e, como todos nós muito bem sab...