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Mostrando postagens com o rótulo escrevinhadas quixotescas

QUANDO NÃO HÁ UMA PEDRA NO CAMINHO

Podemos realizar muitas coisas, boleiras, porém, não podemos fazer nada que preste quando estamos tomados, até o tutano, pela dita-cuja da má vontade.   E é claro que jamais iremos admitir que somos movidos por essa impostura, pois não acreditamos, de jeito-maneira, que somos embalados por ela. Na real, muitas vezes nos recusamos a tomar consciência disso porque, se nos tornássemos cônscios desse mal, teríamos de aboli-lo de vereda.   Ou, como diria Platão: verdade conhecida, verdade obedecida.   Ela, a verdade, como todos nós sabemos, é desconcertante, principalmente quando nos apresenta um retrato cristalino das más inclinações que nos guiam.   Inclinações essas que assimilamos quando nos habituamos a fazer pequenas tarefas de qualquer jeito, simplesmente para cumprir uma formalidade. E a nossa sociedade, desde tenra idade, nos apresenta inúmeras ocasiões para agirmos bem desse jeitão para nos configurar ao contínuo desleixo.   Por isso, o cumprimento de nossa...

UMA ARMADILHA OCULTA EM NOSSO CORAÇÃO

Somos movidos pelo desejo, não temos para onde correr. E esse é um problema que todos nós temos que enfrentar, no íntimo do nosso coração, com as parcas forças do nosso ser.   Diante desse entrevero, Siddhartha Gautama diria que bastaria abdicarmos deles para os problemas se escafederem. Nas suas palavras, desejos seriam como pedras: quanto mais desejamos, mais pesada torna-se a vida.   E ele, em grande medida, está coberto de razão. O ponto é que essa não é uma tarefa tão simples assim. Na verdade, é uma tarefa hercúlea porque, o desejo, não é um mero adereço que usamos e descartamos quando nos dá na ventana. Nada disso.   Ele ocupa um lugar central em nossa vida e, por isso, todos nós temos em nosso âmago um vazio que apenas o absoluto pode preencher. Vazio esse que nos torna um ser sedento por ser. O problema é que não sabemos como fazer isso, nem por onde começar.   Segundo René Girard, o desejo não se manifesta em nós de maneira direta, mas sim, de forma triangu...

MUITO ALÉM DA CRETINICE DIGITAL

Desconfio sempre de pessoas muito entusiasmadas, da mesma forma que não levo a sério os alarmistas, que fazem uma canja rançosa com qualquer pé de galinha.   Bem, esse não é o caso de Michel Desmurget, doutor em neurociência e autor do livro “A fábrica de cretinos digitais”. Aliás, um baita livro.   No meu entender, essa deveria ser uma leitura obrigatória para pais, professores e, principalmente, para os burocratas e políticos que não se cansam de inventar traquitanas que, hipoteticamente, melhorariam a qualidade da educação.   Não duvido que políticos e burocratas, que se empolgam com toda ordem modismos, estejam cheios de boníssimas intenções, não mesmo. O problema, como todos nós sabemos, é que o inferno está cheio delas.   Enfim, em resumidas contas, a obra de Desmurget nos apresenta estudos, dados, fatos e evidências que demonstram o quão lesivo é para a formação das nossas crianças a exposição precoce e desmedida às telas, da mesma forma que desmitifica inúmer...

O PIOR DOS PIORES

Aprender a ler é uma dádiva que, infelizmente, nós não damos o devido valor, como bem nos lembra Karl Kraus.   Ele diz isso e, para infelicidade geral da nação, os fatos confirmam o quão grande é esse desleixo.   A sexta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, nos mostra que o número de leitores em nosso país vem decrescendo, ano após ano, a passos largos.   E, para a surpresa de zero pessoas, a quantidade de horas que são gastas com entretenimento digital, vem crescendo de forma avassaladora; e esse crescimento não é constatado apenas entre os jovens, então, não me venham com aquela pose afetada de moralista cansado.   Na verdade, o desprezo do brasileiro pelo conhecimento é uma velha praga que a muito tempo infecta a alma nacional e que, na atualidade, ao que tudo indica, degringolou de vez.   No fundo, para a maioria das pessoas, a leitura foi apenas uma enfadonha obrigação escolar que era cumprida para a conquista de uma nota e que, logo após a o...

O REAL PREÇO DO AMOR

Se há uma palavra que é vilipendiada é esta: amor. É um Deus que nos acuda. Todos usam-na para dizer o que bem entendem, ao mesmo tempo em que negam aquilo que o amor de fato é. Muitas outras palavras também são avacalhadas, mas essa, como bem nos ensina o sociólogo Pitirim Sorokin, ocupa o cerne da vida em sociedade e, sua mutilação, tem severas consequências no tecido social.   Mas, afinal, o que é esse tal de amor? Pra começo de conversa, não é só uma palavra, nem um sentimento que faz o coração bater mais forte. Como nos ensina L. Lavelle, o amor é um estado do ser. O amor é aquilo que mais profundamente somos e, por isso, devemos, com humildade, cultivá-lo em nosso modo de ser, como nos lembra Gabriel Marcel.   Logo, podemos dizer que, quando um grupo de pessoas sai dizendo que é “a turma do amor” e que, aqueles que se opuserem a “sua turma”, seriam os “comensais do ódio”, é sinal de que estamos diante de uma arapuca mal armada para capturar figuras desavisadas.   Le...

SENDO FEITO DE GATO E SAPATO

Todo pacato cidadão, uma vez ou outra, acaba ficando meio apoquentado quando recebe as últimas notícias. Todo indivíduo que se sujeita a acompanhar caninamente o que é vinculado pela grande mídia, e pelas redes sociais, necessariamente irá se sentir, em alguma medida, sufocado e, tal sensação, acaba, por distração nossa, sendo vista como um sintoma de “profundidade”, só que não.   Quando cremos que estamos muito bem informados, a respeito de tudo, simplesmente porque mantemos os olhinhos, vidrados, junto as últimas “micagens noticiosas” que são apresentadas pelos telejornais e similares, é sinal de que a nossa compreensão do que seja essa tal de “profundidade” é, no mínimo, questionável.   Quando olhamos o presente midiatizado como sendo o centro de toda a realidade, sem nos darmos conta, terminamos por amputar qualquer possibilidade de análise da atualidade dentro de um quadro mais amplo, que apenas pode ser apresentado pela história com suas múltiplas referências, narrativas...

NO CAMINHO PARA DAMASCO A PORCA TORCE O RABO

Uma das cenas mais impactantes da história da humanidade, com toda certeza, é a conversão de São Paulo; aquela cena onde Saulo se esborracha com as ventas no chão quanto um clarão o cega e uma voz - titânica, porém, mansa - pergunta-lhe porque ele, zeloso fariseu, estava perseguindo-O.   Essa cena que, confesso, sempre me comove quando medito sobre ela, é um poderosíssimo símbolo que, de modo cristalino, nos exibe uma possibilidade latente na vida de cada um de nós.   Podemos dizer que todos nós iremos, em algum momento, ter a nossa viagem rumo a Damasco, para realizar aquilo que acreditamos ser a grande missão da nossa vida e, bem no meio do caminho, como diria Drummond, iremos nos deparar com uma pedra que poderá mudar para sempre os rumos do nosso caminho.   Quando isso ocorrerá não temos como saber; e nem devemos especular. Mas uma coisa é certa: um dia teremos o nosso encontro com a verdade sobre nós mesmos e, quando isso ocorrer, cairemos rente ao chão como Saulo e,...

PARA QUE A ALMA NÃO VENHA A GANGRENAR

O escritor Osman Lins, em seu livro “Do ideal e da Glória – problemas inculturais brasileiros”, nos ensina que a escrita, com sua humildade e discrição, acaba sendo colocada no espírito do homem contemporâneo numa posição de inferioridade, devido à presença privilegiada que outros meios de comunicação acabam tendo na atualidade.   Tal situação, por certo e por óbvio, acaba por afetar a forma como nós pensamos o mundo e, é claro, o modo como encaramos a vida, tendo em vista que é inegável que o desdém pela leitura modifica, de forma tragicômica, a nossa capacidade de reflexão e ponderação.   E não adianta ficarmos dizendo que isso afeta apenas e tão somente as tenras gerações. Nada disso cara pálida. Como bem nos lembra Umberto Eco, eu, você, todos nós, em alguma medida, temos o nosso horizonte de compreensão ferido pelas velhas e novíssimas mídias.   Como filhos do nosso tempo, paridos e misturados a tudo que nele há, sem nos darmos conta, acabamos sofrendo a corrosão que...

O ESPELHO FOSCO QUE NOS ROUBA A VITALIDADE

Foi sancionada a lei que proíbe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas. Podemos dizer que tal medida é um facho de razoabilidade em um tempo que perdeu de vista o bom senso. Porém, é triste precisar do peso de uma lei para que as famílias reflitam a respeito dos males que a exposição desmedida aos celulares causa.   Sim, até as pedras do calçamento sabem que um celular pode ser muito útil no aprendizado de muitíssimas coisas. No entanto, sejamos francos: na maioria dos casos, é para finalidades edificantes que, frequentemente, os celulares são utilizados pelos infantes? Pois é, foi o que pensei.   Mas há outra pergunta que podemos nos fazer: de que modo usamos nossos celulares fora das nossas lides profissionais? O que fazemos com esses trens? Foi o que imaginei.   E essa é a tragédia que margeia a nova lei, porque em nosso dia a dia, provavelmente, nossos jovens continuarão com os mesmos maus hábitos digitais. Não porque eles são uma geração perdida, mas porq...

O ULTRAJE DA RETINA

Certa feita, Roland Barthes havia dito que, no século XXI, os analfabetos não seriam apenas aqueles que não sabem ler, nem escrever, mas todo aquele que não sabe ler, escrever e interpretar imagens. Não apenas porque vivemos num mundo onde os canais de televisão, e as mídias digitais, estão praticamente presentes em todos os cantos e recantos da nossa vida (e, sem o menor recato, procuram emoldurar a nossa percepção dos acontecimentos), mas também, porque toda informação comunicada é formatada a partir de uma trama de intenções.   Intenções essas que, muitas vezes, desconhecemos; outras tantas, ignoramos e, em alguns casos, comungamos. Nos dois primeiros, cedo ou tarde, podemos corrigir nosso entendimento, quando procuramos nos nutrir com outras informações que podem ser contrapostas às primeiras, fazendo saltar, diante dos nossos olhos, as suas contradições.   Agora, quanto ao terceiro, esse é um trem pra lá de danado, porque, quando comungamos de algo, consciente ou não dos ...

A GRANDE LIÇÃO ENSINADA PELOS PEQUENINOS

Gosto de me reclinar no sofá, ficar olhando para o nada e nada fazer, nada pensar. Quando faço isso, ouço o som de passos miúdos vindo em minha direção e, do nada, eis que um serzinho atira-se sobre mim, cheira-me obsessivamente, reclina-se no meu colo e acomoda o seu queixo sobre o braço da poltrona. Esse era o Aang. Não o avatar, o último dominador do ar, do desenho animado. Era apenas o nosso cão. Quando fomos pegá-lo, ainda filhotinho, havia uma ninhada. Minha filha ficou encantada. Queria todos, mas, por certo e por óbvio, não tinha como. Aí, um deles, todo branquinho, com algumas manchas marrons, veio na sua direção. Ela estava sentada sobre os seus calcanhares; ele se aproximou e pôs-se a lamber a sua mão. Seus olhos cintilavam. “É esse! É esse! Ele me escolheu!” E sentenciou: “Você vai se chamar Aang”. E assim foi. As travessuras e estripulias que esse doguinho aprontava desde que chegou não estão no gibi. Se fosse contá-las, uma por uma, essa crônica não terminaria tão cedo. E...

AS MÁSCARAS DOS VELHOS CARNAVAIS

O escritor argentino Ernesto Sábato, em seu livro “Heterodoxia”, dizia que falar mal da filosofia é, inevitavelmente, também fazer filosofia. Mas má filosofia. Também podemos afirmar que ficar tecendo mil e um elogios à filosofia, e à vida intelectual, não é, nem de longe, uma atitude digna de um postulante a filósofo.   Esses dois personagens, de certa forma, são figuras típicas do nosso tempo, onde todos nós vivemos atolados até os gorgomilos com informações de toda ordem e dos mais variados níveis de credibilidade e valia.   O primeiro, de um modo geral, se ufana de ser uma pessoa prática, formatada pela rotina, devidamente esquadrinhada pelas expectativas que são apresentadas pela sociedade e estimuladas pela grande mídia e pelos círculos de escarnecedores digitais.   O segundo, por sua vez, é muitíssimo semelhante ao primeiro, porém, não quer, de jeito-maneira, se sentir semelhante a ele. Nada disso. O abençoado quer parecer melhor, sem o sê-lo; quer porque quer exal...

UMA VERSÃO MALACAFENTA DE NÓS MESMOS

A vida não é estática, por mais atarracada que seja a nossa maneira de encará-la. Ela é dinâmica, como nos lembra José Ortega y Gasset, e está em constante fluxo e refluxo, bonança e agitação, conforme as nossas decisões e frente às circunstâncias que se apresentam a nós.   Saber compreender e assimilar as circunstâncias da vida é a chave para que nos tornemos cientes das oportunidades e obstáculos que estão latentes e, principalmente, para nos tornarmos mais conscientes da pessoa que estamos nos tornando através das decisões que tomamos todo santo dia.   À primeira vista essa é uma tarefa simples por demais, porém (porque sempre há um porém), o nosso coração vive em desassossego, inquieto consigo, com tudo e com todos e, tal inquietude, é malandramente instigada pelo estilo de vida modernoso que levamos.   Aceitamos de bom-grado ser bombardeados com informações de relevância duvidosa, informações essas que chegam até nós pelas ondas da grande mídia, das redes sociais e d...

A VIDA COMO ELA É

Todos queixam-se que a vida está acelerada. Todo santo dia é a mesma coisa, aquela correria que invade a olhar sem pedir licença, acomodando-se em nossa alma sem a menor cerimônia.   Os dias voam, mesmo não tendo asas. As horas se dissipam feito fumaça de cigarro, levando os momentos que dão forma, cor e sentido à nossa jornada por esse vale de lágrimas.   E o trem descamba de vez quando nos aproximamos dos dias em que as cortinas, de mais um ano que se despede, se fecham, sem deixar ao menos um bilhetinho de despedida sobre a mesa.   Nestes dias, o coração bate mais forte, o suor corre num passo frio pelos sulcos rasos do nosso rosto, desejoso de tornar-se um caudaloso rio.   E nesse açodamento de querer fazer não-sei-quê que toma conta do nosso ser, acabamos ficando indiferentes ao amor, insensíveis a dor dos nossos semelhantes, apáticos diante da realidade que invade nossa vista, impassíveis perante a nossa própria humanidade, indolentes diante da majestade de Deu...

MUITO ALÉM DO GETSÊMANI

Manter-se vigilante, eis aí uma das lições que o Tempo do Advento nos apresenta. Lição que, infelizmente, entra ano, sai ano, nós insistentemente deixamos pra depois. Um depois que nunca chega.   Cristo, no horto das oliveiras, conclamou os apóstolos a orarem com Ele e a manterem-se vigilantes. Bem, todos conhecemos o fim desse episódio. A rapaziada pregou os olhos enquanto Jesus, em agonia, orava.   Ao falarmos em vigília, não estamos aludindo aos desafios que a vida nos apresenta em seus caminhos e encruzilhadas, referimo-nos às sedições e seduções que se fazem presentes no âmago do nosso coração que, por pura distração de nossa parte, vira e mexe, acabam por ditar o rumo e o prumo dos nossos passos.   Ora, quantas vezes tomamos decisões tontas por termos dado ouvidos aos nossos caprichos, medos, ressentimentos e desejos desordenados? Com toda certeza o número não é miúdo. Aliás, nós realmente refletimos sobre isso? Pois é.   Sim, somos muito mais impulsivos que re...

QUANDO A ESMOLA É GRANDE, O SANTO DESCONFIA

Havia um viajante, que rodou por um bom tanto do mundo. Conheceu muitos países, conviveu com muitas pessoas e, inclusive, esteve aqui nesta pátria de chuteiras.   De cada lugar, de cada povo que conheceu, procurava registrar algumas observações e tomar nota das lições que aprendeu. Daqui do Brasil, entre inúmeras coisas que lhe chamaram a atenção, há uma que é, no mínimo, curiosa.     Diz-nos ele que em todos os lugares por onde passou, reparou que as pessoas procuravam imitar algo ou alguém com a intenção de se tornarem melhores. Ou seja: a imitação seria um meio para aprimorar-se, não um fim em si mesmo.   Agora, aqui no Brasil, a pegada é bem diferente. Nestas plagas, segundo ele, as pessoas também mimetizam algo ou alguém, porém, aprimorar-se não era a intenção. Elas contentavam-se com a mera imitação de qualquer coisa que lhes parecesse chique, sofisticado ou “importante”.   Ora, é de longa data que em nosso país se valoriza muito mais a superficialidade ...

A MELHOR EDUCAÇÃO DA VIA LÁCTEA

Um dos traços degradantes da sociedade atual é a confusão que se estabeleceu entre a categoria da qualidade e a da quantidade. Tal inversão, ao seu modo, turva significativamente a nossa percepção e corrompe os juízos da nossa consciência, como bem nos adverte René Guénon, em seu livro “El reino de la cantidad y los signos de los tiempos”.   Sim, eu sei, todos sabem que tal constatação, de certa forma, é óbvia, mas vejamos o quão grave ela é. O que vale mais: uma tonelada de algodão ou uma onça de ouro? O que seria melhor: mil indivíduos decentes ou uma pessoa misericordiosa? O quantificável ou o qualitativo? Essa é a corrupção da consciência apontada por Guénon.   Não há dúvida de que muitas facetas da vida devem ser avaliadas de forma quantitativa, porém, como bem nos lembra Gustavo Corção, esses são aspectos secundários da existência. Os mais importantes, os centrais, não podem ser meramente quantificados. Fazer isso seria uma mutilação medonha.   Um bom exemplo disso ...

O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E DO AMOR

Em sua obra “1984”, George Orwell nos apresenta uma sociedade totalitária onde todos são vigiados, bem de perto, pelo olhar nada discreto do famigerado “grande irmão”.   Nesta obra, nós encontramos inúmeras ideias, conceitos e cenas que nos proporcionam algumas preciosas reflexões a respeito dos descaminhos que estão sendo trilhados pela sociedade contemporânea.   De todas as cenas, conceitos e ideias presentes na referida obra, destacamos o papel daquilo que o autor chamou de “novilíngua”. Esta consistiria tão só e simplesmente em criar novas palavras, abolir outras tantas e, é claro, modificar o sentido de incontáveis vocábulos para, deste modo, poder manipular o sentido das narrativas, da história, sufocar a liberdade de expressão e, por fim, controlar aquilo que as pessoas podem ou não pensar.   Isso mesmo, cara pálida! Controlar aquilo que as pessoas pensam. Se certas palavras são proibidas, com o tempo, os indivíduos não mais irão refletir a respeito das realidades ...

ENTRE A LIBERDADE E A TIRANIA

A tirania não se cansa de lançar sua gélida sombra sobre os corações humanos; a vilania não desiste de atormentar aqueles que apenas querem viver uma vida comum, de um homem comum.   E não há nada mais belo, nem mais singelo, do que uma vida comum, como nos ensina G. K. Chesterton e, talvez, seja por essa razão, que os sectários de todas as ideologias totalitárias repudiam a simplicidade da vida.   Sobre isso, Miguel de Unamuno nos lembra o fato de que todas as tiranias são pérfidas, mas a mais abjeta de todas é, sem dúvida alguma, a tirania das ideias. Na verdade, todos os despotismo tomam como base uma ideia equivocada a respeito de algum aspecto da realidade, que acaba sendo tomada como “a explicação cabal” de tudo e de todos.   Nesse sentido, todo sectário de uma ideologia coletivista, de verve totalitária, acaba tendo a sua consciência escravizada por um amálgama de ideias toscas e ideais tortos. Vale lembrar que a consciência dos sectários que lutam por ideais justo...