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REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #006

Na medida das nossas possibilidades, sejamos úteis. Esforcemo-nos ao máximo para isso. # Procuremos, sempre que estivermos lendo algo, realizar a anotação das reflexões que nos ocorrerem durante a leitura. # Contracultura, lealdade, espontaneidade e vitalidade. # Santo Tomás de Aquino nos ensina que virtude é o que uma pessoa faz com paixão; já o vício é o que uma pessoa, por paixão, não consegue deixar de fazer. # Que essa seja a nossa divisa: que todo o mal que me fizeram seja o combustível que me mova a fazer o bem. # Pensar é um incômodo tão grande quanto andar na chuva. # Filosofar é uma perene procura pela verdade; uma verdade que nos completa e que se completa em nós. * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “BEM LONGE DO CORAÇÃO SELVAGEM”, entre outros livros. https://lnk.bio/zanela  

AQUELA PEQUENEZ QUE NÃO NOS ABANDONA

O escritor Josué Montello nos ensina que o dever número um de um crítico é compreender. Com base nesta lição devidamente aprendida com o mestre, sempre procuro deixar claro para meus alunos que eles não têm a menor obrigação de concordar com uma opinião quando essa lhes é apresentada, pouco importa quem seja o seu autor; entretanto, eles têm o dever moral de, com sinceridade, esforçar-se para realmente compreendê-la. Lição similar é-nos ensinada através da obra do filósofo Mário Ferreira dos Santos, que procurava, nas palavras dele, identificar em todas as filosofias de que tomava conhecimento as suas “positividades” e, é claro, as suas “negatividades”, através de uma análise “decadialética”. Procedendo por este riscado, ele conseguia ter uma visão ampla e profunda a respeito das ideias e opiniões de que discordava e, de quebra, acabava aprofundando e ampliando os fundamentos de suas próprias interpretações e pontos de vista. Um exemplo mui ilustrativo de seu modus operandi foi o deb...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #005

Os grandes feitos não são realizados pela força, pelo dinheiro ou por qualquer traquitana similar, mas sim por meio da perseverança. # É muito importante sempre lembrarmos, e nunca esquecermos, que o fato de não termos poder não significa, necessariamente, que somos impotentes. # Como bem nos lembra Oscar Wilde, o mistério do amor é maior que o mistério da morte. Não é à toa que o segundo só é compreendido à luz do primeiro. # Um fato inquestionável, que é desdenhado pelos burocratas, é que a dificuldade é a mãe da aprendizagem ou, como reza o ditado popular: a dor ensina a gemer. # Nada revela mais a ingenuidade de uma pessoa do que um ato de indiscrição. # Devemos sempre procurar fazer a nossa parte, conscientes de que, na maioria das vezes, ela não será suficiente. # O descaso e o desrespeito para com o magistério irão cobrar um preço muito pesado da nossa sociedade. Na verdade, já está sendo cobrado.  * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e beb...

A VOZ QUE NINGUÉM QUER OUVIR

Um dos bens mais preciosos de que dispomos é o silêncio interior. Bem esse que o mundo moderno, através dos mais variados subterfúgios, tenta nos furtar, aliciando-nos a nos entregarmos de corpo e alma ao alarido e à dispersão, em uma farta variedade de manifestações. Se temos ciência do real valor deste bem, sabemos que todo santo dia temos que travar o bom combate para defendermos nossa solitude e, com ela, resguardar a nossa sanidade mental, moral e espiritual. Como bem nos lembra Umberto Eco, a cultura de massa não é um elemento externo, presente apenas na caixola dos outros — nada disso. Todos nós estamos imersos nela, somos afetados direta ou indiretamente por ela e, em maior ou menor medida, a dita-cuja se faz presente dentro de nós (lá ele!), perturbando e deformando o nosso modo de ser, turvando a nossa percepção de tudo, de todos e de nós mesmos. Sim, temos que pelejar um dia de cada vez, mas o Tempo Quaresmal é um momento propício para reforçarmos as trincheiras e defende...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #004

Feliz de quem é capaz de atravessar esse vale de lágrimas com mil e uma razões para viver. # As pessoas, independentemente do peso, são pesadas demais para que sejam levadas nos ombros. Por isso, levemo-nos uns aos outros no coração. # Apesar dos diferentes sobrenomes, somos todos filhos do mesmo Pai. # A melhor maneira de ajudar os outros é, segundo Dom Helder, levá-los a tomar ciência de sua capacidade de pensar e, deste modo, demonstrar que eles são capazes de refletir. # Existem muitas penitências e todas elas são muito boas; mas não há melhor penitência, segundo Dom Helder, do que aquela que Deus coloca em nosso caminho. # Deus nos ensina a não aceitarmos facilidades, nem a nos acomodarmos no conforto, mas a encontrarmos o sentido da vida na dureza da nossa cruz de cada dia. # As perguntas que não querem calar e que não devem ser ignoradas por nós: qual é o medo que nos motiva? Qual é o medo que nos paralisa? * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador ...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #003

Quem tivesse uma centelha da verdadeira caridade perceberia, de imediato, que todas as realidades terrenas estão cheias de vaidade. # O Brasil atual está organizado de tal forma que se produz cada vez menos e paga-se cada vez mais pelo que se deixou de produzir. # Curta ou longa, a marcha da nossa caminhada deve ser constante. # Como nos ensina Fernando Savater, estar sem poder não é a mesma coisa que ser impotente. # Há, segundo Freud, duas maneiras de ser feliz neste mundo alienado e alienante: uma é fazer-se de idiota e, a outra, é sê-lo. # Deus fez as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas. Vejam só como são as coisas: todos acabam usando as pessoas e amando as coisas. # Dom Helder Câmara nos ensina que há criaturas que são como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura. # Outra de Dom Helder Câmara: é graça divina começar bem; graça maior é persistir na caminhada certa, mesmo que seja difícil; mas graça das graças é não des...

A VISÃO AQUÉM DO ALCANCE

O ditado popular afirma que, em terra de cego, quem tem um olho é rei; porém, há quem desconfie de que, em terra de cego, quem tem um olho pode ser tido na conta de maluco. Bem, diante das duas possibilidades, algo me diz que a segunda seja a mais razoável. Compreender qualquer coisa com um mínimo de profundidade sempre nos traz uma sensação de satisfação, porque dissipa as brumas que até então turvavam o nosso entendimento a respeito de um determinado assunto; mas também, de lambuja, projeta sobre nós a impressão de que uma fatia significativa das pessoas irá nos olhar de soslaio, como se fôssemos uma figura esquisita, para dizer o mínimo. E está tudo bem. E está tudo bem porque conhecer não é repetir aquilo que nós e nossos semelhantes já sabemos. Aliás, fazer isso é apenas reforçar o senso comum que cultivamos e partilhamos com os demais. Conhecer é expor-se ao risco de equivocar-se e, equivocando-se, sentir-se obrigado a corrigir-se ou ser corrigido; e, como todos nós muito bem sab...