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REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #004

Feliz de quem é capaz de atravessar esse vale de lágrimas com mil e uma razões para viver. # As pessoas, independentemente do peso, são pesadas demais para que sejam levadas nos ombros. Por isso, levemo-nos uns aos outros no coração. # Apesar dos diferentes sobrenomes, somos todos filhos do mesmo Pai. # A melhor maneira de ajudar os outros é, segundo Dom Helder, levá-los a tomar ciência de sua capacidade de pensar e, deste modo, demonstrar que eles são capazes de refletir. # Existem muitas penitências e todas elas são muito boas; mas não há melhor penitência, segundo Dom Helder, do que aquela que Deus coloca em nosso caminho. # Deus nos ensina a não aceitarmos facilidades, nem a nos acomodarmos no conforto, mas a encontrarmos o sentido da vida na dureza da nossa cruz de cada dia. # As perguntas que não querem calar e que não devem ser ignoradas por nós: qual é o medo que nos motiva? Qual é o medo que nos paralisa? * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador ...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #003

Quem tivesse uma centelha da verdadeira caridade perceberia, de imediato, que todas as realidades terrenas estão cheias de vaidade. # O Brasil atual está organizado de tal forma que se produz cada vez menos e paga-se cada vez mais pelo que se deixou de produzir. # Curta ou longa, a marcha da nossa caminhada deve ser constante. # Como nos ensina Fernando Savater, estar sem poder não é a mesma coisa que ser impotente. # Há, segundo Freud, duas maneiras de ser feliz neste mundo alienado e alienante: uma é fazer-se de idiota e, a outra, é sê-lo. # Deus fez as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas. Vejam só como são as coisas: todos acabam usando as pessoas e amando as coisas. # Dom Helder Câmara nos ensina que há criaturas que são como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura. # Outra de Dom Helder Câmara: é graça divina começar bem; graça maior é persistir na caminhada certa, mesmo que seja difícil; mas graça das graças é não des...

A VISÃO AQUÉM DO ALCANCE

O ditado popular afirma que, em terra de cego, quem tem um olho é rei; porém, há quem desconfie de que, em terra de cego, quem tem um olho pode ser tido na conta de maluco. Bem, diante das duas possibilidades, algo me diz que a segunda seja a mais razoável. Compreender qualquer coisa com um mínimo de profundidade sempre nos traz uma sensação de satisfação, porque dissipa as brumas que até então turvavam o nosso entendimento a respeito de um determinado assunto; mas também, de lambuja, projeta sobre nós a impressão de que uma fatia significativa das pessoas irá nos olhar de soslaio, como se fôssemos uma figura esquisita, para dizer o mínimo. E está tudo bem. E está tudo bem porque conhecer não é repetir aquilo que nós e nossos semelhantes já sabemos. Aliás, fazer isso é apenas reforçar o senso comum que cultivamos e partilhamos com os demais. Conhecer é expor-se ao risco de equivocar-se e, equivocando-se, sentir-se obrigado a corrigir-se ou ser corrigido; e, como todos nós muito bem sab...

MUITO ALÉM DO REINO DAS ÁGUAS CLARAS

Diante dos dilemas que a vida nos apresenta, podemos reagir de inúmeras maneiras, dependendo do nosso temperamento, da disposição do nosso espírito, da nossa força de vontade e, é claro, dos valores que norteiam a nossa caminhada por esse mundão de meu Deus. Mas penso que podemos agrupar todas as reações humanas possíveis e pensáveis diante dos perrengues em três tipos de atitude, as quais poderíamos chamar de: ativa, passiva e alternativa. Pouco importa qual seja o quadro; esses são os três balaios nos quais, penso eu, podemos reunir as diversas formas de conduta diante dos entreveros que pintam em nosso caminho. Para explicar as três atitudes possíveis frente à vida, convido o amigo leitor a imaginar-se em uma canoa, navegando no remanso de um rio qualquer e, lá pelas tantas, eis que as águas mudam de temperamento, tornando-se uma corredeira. Para a nossa infelicidade, temos nossa vista invadida pela imagem borbulhante de uma cachoeira que, de forma inclemente, quer porque quer nos ...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #002

A sociedade — toda e qualquer sociedade — é composta por pessoas; logo, forçosamente, ela manifestará as mesmas qualidades dos seus integrantes. # Cada um tem as suas razões; cada qual tem as suas vaidades. # O egoísmo, em sua forma coletivista, manifesta-se como um sectarismo, justificado ou não por uma ideologia. A vaidade, quando se manifesta coletivamente, o faz na forma de uma ideologia que justifica toda e qualquer absurdidade. # Todo bom principiante é um pouco cético; já todo cético sempre será apenas um principiante. # A história seria a soma dos erros humanos narrados na forma de um drama paradoxal. # Para além dos mórbidos limites da razão pura, temos o pulsar da razão vital. # Neguemos o racionalismo, que nulifica a vida, e digamos "não" ao relativismo, que faz a razão evaporar. # Lembremos: o "não" nunca é definitivo, da mesma forma que o "sim" jamais é absoluto. # Três objetivos convergentes: purificação, iluminação e perfeição. Três caminhos...

A PEDAGOGIA DA VAIDADE

A professora Inger Enkvist, em seus livros e palestras, frequentemente chama a atenção para uma obviedade ululante que, para a infelicidade geral das futuras gerações, é desdenhada por praticamente todos nós. Ela afirma, de forma clara e categórica, que uma nação minimamente séria deve cultivar uma atenção especial para com a educação das tenras gerações; porque, se isso não for feito, estaremos literalmente colocando em risco a existência futura de toda a nossa sociedade. Por essa razão, e por inúmeras outras, não poderia haver espaço para levianas aventuras experimentais nesta seara. Aliás, quando tomamos a palavra educação e meditamos sobre o seu significado, compreendemos claramente o tamanho do enrosco em que estamos nos metendo, devido à forma como atualmente as autoridades (políticas e intelectuais) vêm tratando a questão. Como todos nós sabemos, educação vem do latim ex-ducere, que quer dizer, simplesmente, “guiar para fora”. Deste modo, o ato de educar consiste em levar o infa...

NÃO É APENAS UM CAJUZINHO

Navegar é preciso, viver não é preciso, diz o poeta; mas, hoje em dia, tornou-se praticamente impossível não singrarmos com nossa nau existencial pelo remanso das águas virtuais da internet. E, em meio às venturas e desventuras deste mundo de possibilidades sem fronteiras, é muito difícil não nos depararmos com um ou outro vídeo ou postagem falando das bonitezas da filosofia e do quanto esse trem nos faria um bem danado. E as pessoas que entram nessa vibe dizem que curtem esse embalo porque gostam muito de trocar opiniões com outras pessoas e, é claro, de discutir. Bem, isso pode ser divertido, pode inclusive ajudar a desenvolver habilidades retóricas que podem ser muito úteis em nossa vida, mas o fiar do nosso passo por essa trilha não nos leva ao filosofar, porque isso não é filosofia nem aqui, nem na casa do chapéu. O filosofar é, em sua essência, a procura amorosa e abnegada pela verdade; é a procura da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa. Em resumidas ...