Como e por que escrever em um país onde a maioria avassaladora da população que sabe ler não quer nem saber de tomar em suas mãos um livro para ler — e, quando por descuido pega um, é um livro de autoajuda? Complicado, não é mesmo, meu velho? Apenas um parêntese: nada contra os livros deste naipe porque, de certa forma, eles são como um verbete de enciclopédia ou da Wikipédia: errado não é começar tomando um como ponto de partida; o problema é ficar com ele e apenas nele como referência última e absoluta. Fecha parêntese. E veja só como o trem é doido neste nosso país lindo e complicado por natureza: de acordo com o Instituto Paulo Montenegro, que nos apresenta o INAF (Indicador de Analfabetismo Funcional), o cenário entre aqueles que são alfabetizados é ainda mais — como diria o senhor Spock — fascinante. Segundo o referido instituto, integram a população brasileira entre 15 e 64 anos de idade apenas 7% de analfabetos. Porém, entre os que são considerados alfabetizados, temos 22% de l...