Existem inúmeros livros que merecem ser revisitados de tempos em tempos. Um deles, sem dúvida alguma, é O homem medíocre , do filósofo argentino José Ingenieros — tendo em vista o estado em que se encontra o mundo contemporâneo e a forma como este afeta a nossa alma. Afinal, como o próprio autor nos lembra, muitos nascem neste mundão de meu Deus, mas poucos são os que realmente vivem. Para viver, é imprescindível dispor de uma personalidade bem formada, constituída de forma sólida; e, infelizmente, hoje em dia isso é coisa rara, mui rara. Resumindo o entrevero: os indivíduos desprovidos de personalidade apenas vegetam, feito samambaias que balançam suas folhas acompanhando a brisa — ou o vendaval — do momento, e nada mais. Dito de outra forma, o homem medíocre apenas consegue existir imerso na agitação, no alarido do mundo, chegando a ter um piripaque se for entregue a um momento de solitude e silêncio. Afinal, nesses momentos, ninguém consegue esquivar-se do sussurrar dos conselhos e...