Um dos bens mais preciosos de que dispomos é o silêncio interior. Bem esse que o mundo moderno, através dos mais variados subterfúgios, tenta nos furtar, aliciando-nos a nos entregarmos de corpo e alma ao alarido e à dispersão, em uma farta variedade de manifestações. Se temos ciência do real valor deste bem, sabemos que todo santo dia temos que travar o bom combate para defendermos nossa solitude e, com ela, resguardar a nossa sanidade mental, moral e espiritual. Como bem nos lembra Umberto Eco, a cultura de massa não é um elemento externo, presente apenas na caixola dos outros — nada disso. Todos nós estamos imersos nela, somos afetados direta ou indiretamente por ela e, em maior ou menor medida, a dita-cuja se faz presente dentro de nós (lá ele!), perturbando e deformando o nosso modo de ser, turvando a nossa percepção de tudo, de todos e de nós mesmos. Sim, temos que pelejar um dia de cada vez, mas o Tempo Quaresmal é um momento propício para reforçarmos as trincheiras e defende...