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ATÉ O FIM DOS NOSSOS DIAS NESTE VALE DE LÁGRIMAS - Notas e reflexões heterodoxas semanais

Muitas pessoas têm uma mentalidade de sabujo, a qual pode ser resumida nos seguintes termos: o sujeito adora, ama de paixão, bajular os seus superiores, ao mesmo tempo em que devora com toda sorte de escárnio os seus semelhantes. # Sim, a educação liberta. Mas a educação em seu sentido lato, não os arremedos desta nobre arte que frequentemente são apresentados como o melhor troço que há na Via Láctea. # Thomas Jefferson dizia que se os governantes agissem como estadistas, e procurassem dedicar-se com afinco para levar o seu povo a tornar-se mais esclarecido e ilustrado, as tiranias iriam desaparecer, as opressões iriam fenecer, e um novo dia iria alvorecer na sociedade, onde os espíritos da truculência e da malversação sucumbiriam. Mas, entre nossos governantes, há estadistas? Pois é. # O segredo, o grande segredo para levarmos as pessoas a aprenderem a valorizar aquilo que, de fato, tem valor, é sabermos amar aquilo que é digno e bom e, principalmente, aprendermos a desprezar tudo aqu...

UM GUETO CERCADO POR PALAVRAS

Muito se fala hoje em dia a respeito dessa tal de empatia. Em todas as direções para as quais voltamos os nossos olhos cansados, inevitavelmente iremos avistar uma figura falando a respeito; e o mais curioso é que, via de regra, os sujeitos que não param nem para respirar para falar sobre isso o fazem sempre com um certo ar de superioridade em relação a todos os demais mortais que, diferentemente deles, nunca pararam para pensar com a mesma “seriedade” a respeito do assunto. Ao apontar isso não estou, de modo algum, dizendo que não devemos procurar nos colocar no lugar do outro para ver a vida a partir dos seus olhos, e sentir as dores do mundo a partir do seu nervo da alma exposto. Nada disso, cara pálida. O que digo e repito é que “empatia”, como toda palavra que é repetida à exaustão, acaba perdendo toda a sua substancialidade e, por conta disso, termina sendo apenas mais um jargão publicitário, um cacoete mental que as almas desavisadas — e as levianas também — utilizam para rotul...

A JOIA QUE FOI MALANDRAMENTE PERDIDA

No livro “A bacia de Pilatos”, de Humberto de Campos, há um conto que nos apresenta a história de um padre italiano que estava vindo para o Brasil. Quando o navio estava se aproximando da baía de Guanabara, ele se dirigiu ao convés para contemplar a paisagem. E eis que, do nada, apareceram duas portuguesas. Pediram a bênção e perguntaram se o vigário conhecia o Brasil. Ele disse que sim e que, na sua humilde opinião, não existia lugar mais belo na face da Terra. Impressionadas com o entusiasmo do homem de Deus, perguntaram-lhe como era a fiscalização e, de pronto, ele disse: “Rígida, minhas filhas. Não passa nada.” Então, as duas abriram o jogo. Disseram que estavam vindo para assumir a herança de um tio, uma propriedade em Barbacena (sempre em Barbacena), e que, por isso, estavam trazendo consigo as joias da família; joias essas que estavam há gerações na família e que, por essa razão, não dispunham de nota fiscal. Diante disso, elas temiam perdê-las na aduana. E o que é que o padre t...

PENSO, LOGO ME ARREBENTO - Notas e reflexões heterodoxas semanais

O que é excessivamente fácil impede o aprendiz de realizar plenamente suas potencialidades, ao mesmo tempo que infunde em seu coração um tremendo sentimento de arrogância e soberba. # A grande tragédia das classes falantes do mundo contemporâneo — que se creem letradas por serem diplomadas — é que elas confundem facilmente a inspiração das musas com a agitação das massas. # Como muito bem nos ensina o poeta espanhol Antonio Machado, é de fundamental importância que aprendamos a distinguir as vozes da nossa consciência dos ecos da sua ausência. # Todos os extremos têm lá as suas razões. Claro, boa parte dessas razões é equivocada, do princípio ao fim; mas, mesmo assim, sempre há aqui e acolá um e outro espasmo de lucidez. # Cogito, ergo sum. Penso, logo existo. Bem, é aí que a porca torce o rabo, porque após pensarmos, muitas e muitas vezes, logo na sequência, acabamos tropeçando e quebrando a cara, não é mesmo? # A disciplina é a base do aprendizado — do aprendizado de qualquer coisa. ...

ESPARRELAS PUBLICITÁRIAS NADA EDIFICANTES

É curioso ver que na arena do poder — e fora dela também — muitíssimas pessoas se esforçam para mostrar para todo mundo, menos para Deus, que são pessoas de valor e não sujeitinhos cuja dignidade tem um preço, sempre devidamente atualizado e corrigido pela inflação. E o que mais chama a atenção é que, quanto mais essas figuras, figurinhas e figurões tentam provar que são criaturas de alma ilibada, mais se enrolam nos próprios pés. Na verdade, todos nós, em algum momento de nossas vidas, acabamos por cair nesse tipo de esparrela e terminamos por pagar aquele mico existencial nada original de querer posar de detentores de uma dignidade que não nos pertence. Bem, noves fora zero, há um momento em que todos nós podemos ver com clareza de que material é feito o nosso caráter e qual é a têmpera de nossa alma: é quando estamos diante da morte; da nossa morte. É quando estamos frente à possibilidade de ficarmos cara a cara com ela que realmente iremos descobrir qual é a envergadura do noss...

A CAPELINHA

Num domingo de Pentecostes, Próximo ao cair da tarde, A campainha da casa tocou, Anunciando a chegada dela. Era nossa vizinha que trazia A imagem de Nossa Senhora, Para pernoitar em nosso lar, Junto de nossa família. Acolhi com alegria a chegada Da singela capelinha de Nossa Senhora Aparecida, Que numa tarde silenciosa E ensolarada de Pentecostes Agraciou-nos com sua visita. Dartagnan da Silva Zanela, 24/V/2026.

CONTRA AS ALMAS SEBOSAS - Notas e reflexões heterodoxas semanais

De um modo geral e nada preciso, podemos dizer que a maneira de pensar do brasileiro médio — com todos os seus diplomas e certificados de sabe-se lá o quê — acaba sendo frequentemente cingida e diagramada por opiniões soltas em misto com um punhado de ilusões travestidas de justa indignação. # Como nos ensina o filósofo espanhol Julián Marías, a História vinga-se, pela simples força das coisas, de todas as tentativas de ignorá-la. # Não devemos, de jeito maneira, querer nos adaptar ao espírito dos tempos, mas sim nos esforçar para absorvê-lo e transcendê-lo dialeticamente. # Nenhuma mudança — nenhuminha — faz sentido se não estiver alicerçada sobre um fundo de permanência sólido, que seja reflexo e símbolo temporal daquilo que faz morada na eternidade. # É importante lembrarmos que o tradicionalismo não é o mesmo que o conservadorismo. O tradicionalismo, em todas as suas formas, é apenas uma manifestação de decadência; logo, de mudança revolucionária às avessas. # A admiração é, de cer...

É NO FOGO BRANDO QUE SE PREPARAM OS GRANDES MANJARES

Com o objetivo de resolver pequenos problemas é que surgem grandes inventos. Um destes, sem dúvida alguma, é a panela de pressão. Quem gosta das lides junto ao fogão sabe o quanto essa abençoadinha facilita a nossa vida. Há muito comprei uma para, é claro, ver se eu cozinho mais depressa. Sim, para cozinhar certas coisas e resolver determinados problemas, a urgência acaba sendo necessária; já outros, por sua natureza peculiar, demandam tempo e paciência — tempo que muitas vezes nos falta e paciência de que frequentemente não dispomos. E se há algo que todos nós deveríamos apreciar e ponderar com muita paciência são os “debates” que, de tempos em tempos, acabam tomando o centro das atenções. Estes, do seu jeitão todo especial, instigam-nos a nos indignarmos do nada e, com sangue nos olhos, a bradarmos aos quatro ventos a nossa opinião, tomando partido por essa ou por aquela bandeira, ideia, proposta ou por qualquer esparrela deste gênero. Tal fenômeno torna-se mais curioso quando esses ...

PARA NOSSA REMISSÃO

A verdade se revela De forma sutil, discreta, Sem glamour nem holofotes. Revela-se a verdade Às almas que são simples No olhar e no coração. A verdade se apresenta, Sem fanfarra nem alarde, Aos corações que ardem Diante da formosura dela, Que toca as pustulentas chagas Da nossa alma manchada Pela ferida adâmica, Que deve ser reconhecida Para ser curada e redimida. 15/V/2026.

A MEDIOCRIDADE NOSSA DE CADA DIA - Notas e reflexões heterodoxas semanais

Se os fins que almejamos realizar são degradantes, que dignidade poderão ter os meios que iremos empregar para realizá-los? Essa é toda a tragédia de grande parte dos nossos planos. # Existem muitas vidas que nós deveríamos tomar como um tema frequente de meditação. Dentre elas, penso que deveríamos regularmente refletir sobre a vida de Judas Iscariotes e a respeito de São Dimas. # Seguir com retidão uma vocação é, com serenidade, questionar as ideias que afirmam que deve haver um equilíbrio entre o trabalho e a vida. # Não confundamos jamais a macaqueação de um ataque de histeria midiaticamente concebido com as sinapses de uma sincera e abnegada iniciação à procura pelo conhecimento honestamente edificado. # É importante não nos esquecermos de que as redes de informação não procuram maximizar a compreensão da verdade — nada disso. Elas procuram, invariavelmente, encontrar um equilíbrio entre os interesses de alguns grupos, as farsas convenientes, as verdades inapropriadas e a ordem qu...