É curioso quando começamos a refletir sobre o tempo e, ao fazê-lo, as primeiras palavras que nos vêm à cabeça são aquelas presentes nas páginas do livro Confissões, de Santo Agostinho, onde o bispo de Hipona pergunta: o que é o tempo? E, na sequência, responde-nos: se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei. E é curioso refletirmos sobre isso porque, quando paramos para prestar a devida atenção na forma como experienciamos o tempo em nossas venturas e desventuras pra lá de humanas, notamos, num piscar de olhos, que suas três dimensões estão sempre presentes — juntas, fundidas e misturadas — em nosso horizonte de percepção. Como bem nos ensinam Gilberto Freyre e Peter Berger, todos nós guardamos em nossa consciência os fragmentos do passado, de tudo aquilo que foi vivido e testemunhado por nós. Por isso mesmo, esse passado em cacos sempre pode sofrer uma ressignificação, uma nova interpretação à luz daquilo que está sendo vivido por nós no pr...