Muitas coisas são capazes de empobrecer e perverter o debate político, mas não há nada mais maquiavelicamente perverso do que fixar um rótulo infame no adversário — como nazista, fascista, machista, racista e tutti quanti —, pois, quando se adota esse tipo de procedimento, desumaniza-se o oponente, inviabilizando qualquer possibilidade de debate e entendimento. É o chamado reductio ad Hitlerum que, de forma cínica, associa todos aqueles que discordam de seus postulados políticos ao Adolfo Bigodinho do Satanás para descredibilizar perante a opinião pública a imagem do opositor e, desta forma, poder contabilizar para si o “monopólio das virtudes”, como bem lembra o filósofo Leo Strauss. Um exemplo que ilustra claramente esse empobrecimento do debate público é a forma como se está discutindo o “boicote” como sendo uma prática típica de nazistas. E o mais interessante é o ar condescendente com que algumas pessoas dizem isso, como se estivessem dando uma aula de história e civilidade par...