1. É muito bom, muito bom mesmo, dispormos de algum tempo ocioso, desde que saibamos o que fazer com ele. Se soubermos, o ócio torna-se uma fonte de elevação e aprimoramento; caso contrário, será apenas mais um agravante da nossa tendência à degradação.
2. Muitos manifestam sua preocupação — sincera ou não — com a polarização política que, ano após ano, vem escalando nas sociedades contemporâneas, acirrando disputas e elevando os ânimos. Diante desse quadro, fica a pergunta: que fazer? Não pergunto o que as lideranças e partidos políticos podem fazer, mas sim o que nós, cidadãos comuns, podemos e devemos fazer uns em relação aos outros. A resposta, no meu entender, é muito simples: devemos aprender a nos perdoar mutuamente. E tal aprendizado começa com o nosso primeiro passo nessa direção, e não com a expectativa passiva de que os nossos semelhantes tomem a iniciativa.
3. É justo, é muitíssimo justo lutarmos para defender nossas ideias e ideais, desde que realmente compreendamos, com um mínimo de clareza, pelo que estamos pelejando.
4. Um dos traços distintivos da histeria coletiva é o fato de os indivíduos não acreditarem naquilo que estão vendo, mas passarem a enxergar apenas aquilo que seus “mestres” dizem que eles devem ver. Não é à toa, nem por acaso, que borbotões de pessoas entram em pânico diante de “ameaças hipotéticas” que lhes são vendidas como se fossem tragédias consumadas.
5. Todo mundo gosta de encher a boca para dizer que é uma pessoa crítica, mas poucas são as pessoas que têm a ousadia de realizar frequentemente — e de forma inclemente — aquela baita autocrítica. Dito de outra forma, se não nos portamos diante do altar da nossa consciência como o publicano do Evangelho, reconhecendo as nossas culpas, nossa criticidade, na real, é apenas farisaísmo. Só isso e olhe lá.
6. Não existe nada mais poderoso neste mundo do que um indivíduo silente diante da histeria de uma multidão barulhenta.
7. O medo funciona apenas como critério de decisão para as almas sectárias, fanatizadas, que se encontram hipnotizadas pelo excesso de informação formatada por uma única perspectiva, reforçando mais e mais sua visão míope da realidade. Agora, para as pessoas comuns, a pregação do medo apenas e tão somente desperta no coração um forte sentimento de asco e repulsa. Afinal, de um modo geral, essas pessoas procuram ver a realidade a partir de perspectivas que não são recortadas pelo viés de um “pensamento único” — ao contrário dos sectários, que terminam, invariavelmente, tendo suas consciências depredadas pela histeria informacional coletiva que impera nestas bolhas, nestes círculos — digitais ou não — de escarnecedores que tanto avacalham a sociedade contemporânea.
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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “BEM LONGE DO CORAÇÃO SELVAGEM”, entre outros livros.

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