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OS JUÍZES NADA PENITENTES

Sempre ando acompanhado de um punhado de livros. Dois ou três livros físicos e um punhado de e-books em meu tablet e, outro tanto, no celular. Nas horas livres, se a leitura de um me entedia, me atiro de cabeça nas páginas de outro, sejam elas impressas ou digitais.   Seja na fila do banco, na mesa de uma lanchonete, ou na antessala de um consultório, esperando a minha vez, procuro sempre estar bem acompanhado, para poder aproveitar bem o tempo que temos disponível entre uma coisa e outra.   Quer dizer, nem sempre tão bem acompanhado assim. Dependendo do autor que tenha em minhas mãos, com certeza estarei em péssima companhia.   Não digo isso por maldade. Nada disso. A questão é que o fato de um caboclo ter escrito algo muito...muito bom, não significa, necessariamente, que o dito-cujo seja uma pessoa boa, legal, ou minimamente agradável.   Bem, pra ser franco, isso pouco me importa, porque, essas figuras - alguns boníssimos e, outros, realmente desprezíveis - ao men...

O RESTO É CONSEQUÊNCIA

Se pararmos para dar umas cutucadas em nosso celular, e nos largarmos de vereda pelo oceano digital, nos distraindo entre um e outro meme, cedo ou tarde, iremos dar de cara com ela: uma publicação patrocinada sobre técnicas e métodos para aumentar a nossa "fodereza".   Métodos e técnicas que serão compartilhadas conosco através de um curso todo poderoso [todo gostoso] que, é claro, custará uma [suposta] merreca. Uma merreca diante do conteúdo hipoteticamente único, e supostamente descomunal, que será entregue para nos tornarmos top, ousados, fodas, enfim, para sermos vencedores.   E como nós, de um modo geral, nos sentimos frequentemente como um derrotado de marca maior, acabamos caindo nessa arapuca e sendo seduzidos por essas estrovengas de autoajuda, mal disfarçadas de estoicismo 2.0, ou algo similar a isso, porque, como todos nós sabemos, a ambição sem um objetivo claro, é apenas e tão somente o refúgio do fracasso inconfessável, e a isca mais do que perfeita para atrair ...

MAL E PORCAMENTE ADQUIRIDA

Muitos são os erros que, juntos e misturados (ou isolados e apartados), acabam por dar forma a essa estrovenga que atualmente convencionamos chamar de sistema educacional, que está muito longe de parecer com um sistema e, mais longe ainda, de ser educacional.   Se fôssemos enumerar todos os equívocos, gastaríamos um bom tanto de linhas e, bem provavelmente, não sairíamos do lugar na tentativa de descrever essa encrenca sem par.   De todos os erros que integram e dão forma ao “trambolho de ensinação” vigente em nossa triste nação, provavelmente o maior de todos, o campeão de bilheteria, seria o fato de não pararmos de querer avançar, progredir, modernizar; quando deveríamos estar recuando, sem pestanejar. E já deveríamos a muito tempo ter começado a retroceder.   Tal afirmação pode parecer um tanto esquisita, mas não é não. Se refletirmos um cadinho veremos que essa seria a atitude mais sensata que poderíamos tomar diante do cenário educacional em que nos encontramos. ...

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 42)

O desespero é uma ilusão. A maior de todas.   #   #   #   Somente se acha uma pessoa boa quem nunca, nunquinha, tentou realmente fazer o bem sem se preocupar se seria reconhecida por isso.   #   #   #   Não pergunte o que devemos fazer para não perder o dito-cujo do foco. Perguntemos, com franqueza, para nós mesmos, se algum dia nós realmente nos esforçamos para ficarmos focados em alguma coisa.   #   #   #   Ao chegar em sua casa procure tirar um tempinho para deitar no gramado do quintal. Deite e sinta a presença das estrelas que nos observam sem nada dizer, a força do solo que nos sustém sem nada cobrar, o frescor do ar que nos cinge sem nada pedir e ouça, atentamente, todos os sons sutis que nos circundam e que nós, de forma tola, ignoramos diariamente de uma forma nada solene.   #   #   #   Se tivéssemos, ao encararmos nossa...

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 41)

Nós não precisamos ser um gênio, como Machado de Assis e Eça de Queiroz, para escrever um bom livro; mas para escrevermos algo minimamente razoável é necessário que leiamos muito bem, um bom lote de tudo aquilo que germinou da pena de Eça de Queiroz, Machado de Assis e companhia ilimitada.   #   #   #   Ao nos dedicarmos à leitura, nós não teremos em nossas mãos um atestado de que um dia nos tornaremos figuras geniais, mas, com toda certeza, algo extraordinário irá tocar o âmago de nossa alma em cada leitura, algo que nos ajudará a nos libertarmos da nossa sonsice existencial nem um pouco original.   #   #   #   Afirmar, soberbamente, que não lemos porque preferimos pensar com os próprios miolos, é uma das desculpas mais vagabundas que existem para justificar a nossa preguiça, para disfarçar o nosso profundo desamor pelo conhecimento.   #   #   #   Não interessa muito ...

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 40)

Não se emocione. Concentre-se e siga em frente.   #   #   #   O choro convém apenas quando o combate termina. Antes disso, nem pensar.   #   #   #   Numa sociedade, onde as mentes são entorpecidas pelos incessantes bombardeios midiáticos, é praticamente inevitável que as almas desarmadas confundam a realidade dos fatos com as sombras pútridas dos ídolos de barro.   #   #   #   Não é de hoje, como nos ensina Sérgio Buarque de Holanda, que a democracia no Brasil é um lamentável mal-entendido. Meu Deus! Como a compreendemos mal. Por isso, para que ela, a democracia, realmente se liberte dessa confusão que a ela impusemos, é imperioso que jamais nos esqueçamos que impera nesta terra de desterrados um grande mal-entendido que habita o coração de cada um de nós e infecta todos os cantos da nossa triste nação.   #   #   #   A democracia...

A ALQUIMIA DO MAU-CARÁTER NACIONAL

O dramaturgo Bertolt Brecht, certa feita havia dito que um país que não possui heróis é um país miserável e que, um país que precisa de heróis é, sem dúvida alguma, um miserável país.   Sim, eu sei, Brecht não valia a farinha que comia, mas ele não era um bocó de mola como eu e você e, por isso, só por isso, creio que ele tem muito a nos ensinar se não ficarmos dando chilique patriótico ou faniquito de criticidade.   Dito isso, voltemos ao ponto. A afirmação do referido teatrólogo é um tremendo tapa de luva de pelica - ou de pedreiro, se preferir - e, por essa razão, é uma baita lição que deveria ser assimilada por nós.   Ora, uma sociedade que não for capaz de dar a luz a figuras exemplares, representantes genuínos das mais elevadas virtudes, sem dúvida alguma é uma sociedade composta por homens de geleia.   E tem outra. Uma sociedade que precisa de heróis, fabricados a toque de caixa, para que as pessoas aprendam o que significa viver uma vida virtuosa, com o per...

VIRANDO A PÁGINA DE UMA VIDA ESTABANADA

Rachel de Queiroz, em sua obra “O Quinze”, nos apresenta os desencontros amorosos entre o rude Vicente e a refinada e culta Conceição, em um dos planos da referida obra. Desencontros esses que geram um punhado de mal-entendidos que acabam por levar as personagens a seguirem rumos apartados, bem diferentes do que poderia ter sido.   Aliás, quantas e quantas vezes nós não acabamos vivendo situações assim, que mudam de forma brutal o caminho que estava sendo trilhado por nós. Com toda certeza não são poucas as decisões que tomamos que acabam tendo essa feição, da mesma forma que são muitas as situações, similares a essa, onde não temos a menor consciência dos seus efeitos sobre nossa vida. Na verdade, raramente paramos para pensar a respeito disso.   E o mais gozado é que somos capazes de nos manter “serenos”, imperturbáveis diante de incontáveis equívocos, de inumeráveis mentiras, como se essas não tivessem o menor efeito sobre nossas vidas, apesar delas estarem arrastando para ...

O MUNDO PÚTRIDO DO PODER

Nessa semana fomos à Santa Missa na Igreja de Santo Expedito. Uma singela e acolhedora capela que, não faz muito, foi restaurada.   Gosto muito da sua simplicidade que, ao seu modo, nos aproxima do altar sem que percamos a reverência que lhe é devida.   Enquanto o sacerdote celebrava, eu dedilhava as contas do Santo Rosário, como costumo fazer, voltando meus olhos para a Santa Cruz, vez por outra para o sacrário, próximo da imagem de Nossa Senhora de Belém e, é claro, noutros momentos volvia minha vista para a estatueta de Santo Expedito.   Lá estava ele, imponente com sua armadura romana, com seu braço direito virilmente voltado para cima, com o indicador apontando para o alto, dando-nos a clara impressão de que seu brado retumbante ainda ecoa no interior do modesto templo, e nos átrios do nosso coração: “hodie”!   Não sabemos ao certo quando o referido santo nasceu. Tal informação perdeu-se nas brumas do tempo. Mas sabemos quando ele foi martirizado. Foi em 19 de a...

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 39)

Se nós não nos esforçamos, minimamente, para realizar um bom exame de consciência, não adianta nada ficarmos reivindicando o tal do respeito para as nossas opiniões.   #   #   #   Antes de reclamarmos de qualquer coisa, façamos um exame de consciência.   #   #   #   Covardia não é prudência. Precipitação não é coragem. Petulância não é ousadia.   #   #   #   Encher a boca para chamar alguém de negacionista, fazendo pose de devoto da ciência, é negar, sem pestanejar, a própria inteligência em favor de uma escorregadia crendice moderna.   #   #   #   Chamar uma pessoa de negacionista, porque ela ousa discordar de um consenso pré-fabricado do momento, não nos transforma, de jeito maneira, em um sujeito investido de autoridade científica.   #   #   #   A inteligência apenas vive e cresce onde a...