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A REDE QUE QUEBRA OS GRILHÕES

O sociólogo Manuel Castells, em seu livro “Redes de indignação e esperança”, nos chama a atenção para uma obviedade ululante que, por ser gritante, precisa ser devidamente destacada para que não se perca entre as banalidades do nosso dia a dia.   Segundo ele, os movimentos sociais contemporâneos que se formaram, e que estão se constituindo na era da informação, de um modo geral, partem de uma série de emoções que são compartilhadas pelos indivíduos. Compartilhamento esse que se dá a partir de um acontecimento que, de certa forma, catalisa e simboliza esses sentimentos, sejam eles positivos ou negativos.   A partir dessas emoções compartilhadas as pessoas, espontaneamente, acabam se organizado em redes autônomas utilizando os meios de comunicação digital onde passam, gradativamente, a partilhar suas impressões sobre o que elas estão vivendo e testemunhando e, com o passar do tempo, começam a construir uma vivência em comum que vai tomando corpo e delineando uma identidade colet...

NO ALTAR DE ANÍBAL BARCA

E, do nada, aparecem boleiras de alminhas dizendo que são o mais puro amor e que, do alto de sua doçura ideológica, irão revidar todos os "ataques e agressões" com amor e emojis de coraçõezinhos.   Qualquer pessoa desavisada poderá ter a impressão de estar diante de uma multidão de “filhos de Gandhi”, adeptos da não-violência e piriri e pororó. Só que não.   Na verdade, temos alguns pontos que devem ser esclarecidos sobre essa turma. Primeiro: o que essa galera do “bem” e do “amor” chama de [supostos] ataques e agressões nada mais é do que uma crítica, um contra argumento, um perigosíssimo meme e, em alguns casos, uma cruel verdade inconveniente que lhes é apresentada. É isso que essa gente, com suas dissimulações e simulacros mil, chama de agressões e ataques.   Segundo ponto: já viram como é a reação “amorosa” manifesta por essas pessoas que juram, com os pés juntos, que não mais querem um “Brasil do ódio”? Então, são justamente essas figuras que, sem a menor inibição, ...

O MÉDICO, O MONSTRO E AS ELEIÇÕES

Todos nós, mas todos nós mesmos, somos pessoinhas bem complicadas e, diante dessa regra, estou convicto de que não há exceção. Com toda certeza há muitos excessos, mas nenhuma exceção.   Porém, não são poucas as vezes que insistimos em negar essa realidade que se faz presente em nossa alma, no centro de nossa personalidade e, como todos nós sabemos, virar as costas para um problema não é, nunca foi e jamais será uma forma inteligente de resolvê-lo.   Quantas e quantas vezes insistimos na construção de uma autoimagem toda bonitinha, cheia de nove horas, para não termos de encarar as contradições que formam a nossa personalidade, que estruturam a nossa maneira torta de ser. Infelizmente, a quantidade de tempo que desperdiçamos fazendo isso é uma enormidade.   Autoimagem essa que não apenas falseia a nossa consciência que, em si, já é uma tremenda de uma porcaria, mas principalmente, essa autoimagem, de um modo geral, é pintada de acordo com os gostos e repulsas que dão form...

IRRESPONSÁVEL E SEM ESCRÚPULOS

Se uma pessoa se apresenta como comunista e diz, em alto e bom tom, que ela tem orgulho de sê-lo, chamá-la de comunista não é um rótulo difamatório, nem um insulto. É apenas o ato de designar a ela a identidade ideológica que ela mesma assume como sua. Ou seja: ela é marxista e sê-lo é um direito todo dela, mesmo que essa ideologia política, totalitária do princípio ao fim, seja repudiada por nós, reles cidadãos comuns.   Agora, se uma pessoa que não se identifica, de jeito maneira, com o fascismo, muito menos com o nacional-socialismo, vulgo nazismo e, mesmo assim, for leviana e sistematicamente chamada disso pelos partidários do marxismo, é algo de uma baixeza sem par. É o mais puro e decantado cinismo.   Ora, quando uma pessoa é rotulada de nazista, fascista, ou alguma nojeira similar, essa pessoa está sendo estigmatizada como sendo partidária de uma ideologia espúria e totalitária que ela repudia com todas as forças do seu ser.   E o que é mais abjeto nesse tipo de ex...

ENGESSANDO AS ASAS DA LIBERDADE

Uma pessoa, ou um partido, com inclinação tirânica, quando almeja calar uma pessoa, ou um órgão de mídia, não o faz dizendo que está calando aqueles que estão dizendo verdades inconvenientes que estão estragando a sua pinta de bom-moço, de defensor dos “frascos” e “comprimidos”. Negativo. Nani não.   Essa gente, que age como um órgão de censura, sempre cala as vozes inconvenientes sob a justificativa de que está protegendo a população de pessoas [supostamente] sem escrúpulos que dedicam suas vidas a espalhar mentiras para enganar as pessoas.   Stalin, Hitler, Mao, Vargas, Castro, Maduro, Daniel Ortega e companhia [nem um pouco] limitada, nunca abriram mão desse ardil. Todos esses canalhas e suas camarilhas achavam e acham “justo” calar sistematicamente todos aqueles que ousam apontar o mal gestado e parido por eles.   O roteiro desse embuste é mais ou menos assim: primeiro eles difamam a pessoa, impingindo sobre ela toda ordem de rótulos infames para destruir, de alto a b...

UMA CHAMA QUE PODE SE APAGAR

O historiador João Francisco Lisboa procurava, por meio de suas obras, chamar a atenção para um dos grandes problemas que se faz presente em praticamente todas as sociedades e, é claro, a brasileira não seria uma exceção. No caso, o entrevero seria o fato de que pouca serventia há em termos instituições virtuosas se nós, cidadãos, que damos forma a elas, formos uma fossa de vícios morais.   Ele nos lembra que a História, a mestra da vida, nos dá testemunho de inúmeras instituições políticas, que foram criadas pelos mais diversos povos, que nos brindam com figuras modelares que se colocaram à frente das mesmas, dando-nos um belo exemplo de zelo pelo bem comum, p orém, em todas elas, percebemos o melancólico declínio das mesmas a partir do momento que as pessoas que passaram a ocupá-las não mais eram figuras minimamente virtuosas.   Detalhe importante: as instituições deixam de ser o que eram originalmente e passam a ser outra coisa, bem diferente, quando os indivíduos investido...

A SUJEIRA ESCONDIDA DEBAIXO DO TAPETE

Uma das coisas que nós, brasileiros, temos uma dificuldade tremenda de reconhecer é que existem pessoas que não apenas são melhores do que nós, mas que há pessoas que são muitíssimo melhores do que nós em muitíssimas coisas que nós somos meros zeros à esquerda.   Por essa dificuldade, que se encontra encalacrada em nossa alma, podemos compreender a razão do porquê em nossa sociedade há uma forte tendência que nos arrasta diariamente para a mendacidade, fazendo pairar sobre nós plúmbeos ares que sufocam tudo aquilo que procura se elevar acima da mediocridade reinante.   Aliás, façamos um nada sutil exame de consciência e procuremos elencar, para nós mesmos, as inúmeras vezes que vimos algo bom, alguma coisa bem feita por alguém e que, em alguma medida, acabou despertando em nosso íntimo, uma forte inclinação para desmerecer o mérito do autor. Se fizermos isso, o exame de consciência, e o fizermos com a necessária seriedade, veremos que o número é uma grandeza.   Podemos da...

OS ECOS VINDOS DA ESPANHA

São Josemaria Escrivá, quando peregrinou por este vale de lágrimas, no correr do século XX, passou pelo Brasil. Sim, ele esteve aqui na Terra de Vera Cruz e, desde o primeiro momento que aqui esteve disse que ficou enamorado pelo nosso amado país.   Ele não cansava de dizer, por todos os rincões que passou, que estava encantado com o povo brasileiro e havia dito algo que nós, brasileiros do século XXI, deveríamos refletir com muita seriedade e sobriedade, muita mesmo.   São Josemaria disse que o Brasil tem uma profunda vocação missionária, que o Brasil, o povo brasileiro, terá a missão de evangelizar o Velho Mundo que, um dia, a muito tempo atrás, trouxe o Evangelho e a Santa Cruz para essas terras de além mar.   Uma das coisas que mais me chama a atenção é que aqui, onde hoje é nossa amada Terra de Vera Cruz, viviam nações indígenas que migravam de um lado para o outro a procura da “Terra sem males”, peregrinavam, sem cessar e sem cansar, a procura do paraíso, do reino d...

LIVROS, LIVRETOS, LIVRINHOS E LIVRAÇOS

Sou apenas e tão somente um reles leitor. Poderia dizer que os livros seriam a minha pinga e, em certa medida, eles o são. Pinguinha essa que aprecio com gosto e pouquíssima moderação.   Em se falando nisso, recentemente, vi muitas fotos fofas de livrinhos, livretos, livros e livraços, publicadas nas redes sociais.   Aliás, essa folia de ficar postando fotos de pilhas de livros nas redes sociais já é uma velha mania nacional, onde figuras, figurinhas e figuraças exibem retratos vistosos com os livros que acabaram de comprar. Até aí, nada de novo.   E, de um modo geral, os livros fotografados acabam, muitíssimas vezes, ficando esquecidos nas prateleiras, intactos, sem uma marca de manuseio sequer, tendo em vista que, desde os idos do declínio da República Romana, livros são um excelente artigo de decoração, artigo esse que reforça muito bem aquela imagem canhestra de “medalhão”, tão bem descrita por Machado de Assis.   Mas voltemos para as fotos recentes, onde as pilh...

ESTAQUEADOS FEITO MARMOTAS

Existem certos ensinamentos que deveriam ser assimilados por nós ao ponto deles integrarem o nosso modo de ser. Um desses ensinamentos é aquele que nos é ministrado pelas palavras de Edgar Allan Poe, onde o mesmo nos lembra que devemos acreditar em apenas metade daquilo que vemos e, principalmente, em nada daquilo que ouvimos aqui e acolá.   Essa lição, tão bem expressa pelas palavras cristalinas desse grande escritor, foi dita de outro modo, pelo velho Raul Seixas, através de uma de suas canções, onde o mesmo nos diz que não precisamos ler jornais, porque mentir sozinhos nós somos capazes.   Seja através da sutileza de Edgar Allan Poe ou do jeitão bem humorado do Velho Raul, uma coisa é certa, mais do que certa, tremendamente certa: na época em que nós temos nosso acesso facilitado à informação, é justamente o tempo em que agimos de uma forma miseravelmente crédula diante de tudo aquilo que chega até nós.   Posso estar enganado, mas algo me diz que quando consumimos...