Pular para o conteúdo principal

APENAS UM RELES PROFESSOR - Notas e reflexões heterodoxas

1. Na dúvida, pare, ore e reflita; e, após refletir a respeito de seus caminhos e descaminhos, ore mais uma vez antes de voltar a colocar o seu pé nas estradas da vida. # 2. Muitos se dizem de direita, outros tantos afirmam que são de esquerda e, ainda, há aqueles que juram de pés juntos que são moderados. A partir desses rótulos, muitos bons e velhos amigos se engalfinham. Porém, no fundo — e não é tão fundo assim —, grande parte dos brasileiros não é nada disso; na real, a grande maioria dos brasileiros tem uma mentalidade fisiológica bem rastaquera e, para não ficar feio, apenas a fantasia com um rótulo ideológico para não sair, assim, tão mal na fita. # 3. Todos nós cremos que temos ideias geniais em nossa cumbuca, mas esse balão de originalidade estoura quando somos obrigados a colocá-las no papel e torná-las minimamente inteligíveis. E isso acontece porque, quando vamos escrever, somos obrigados a pensar naquilo que estávamos “ideando” e, ao fazê-lo, descobrimos que não havia muito o que dizer. # 4. O amor, o amor verdadeiro, não procura vencer. Isso é conversa de marqueteiro para engambelar almas desavisadas, porque o amor, em seu sentido mais profundo — que está a léguas de distância das músicas que estão no top 10 do momento —, é aquele que se entrega e se sacrifica, sem acusações, sem rancores, sem listinha sinistra de inimigos que deverão ser perseguidos em nome do bem. # 5. Amor não é apenas uma palavra. Ele também não pode ser qualificado apenas como um sentimento ou como uma reles emoção. O amor, cara-pálida, é um estado do ser. # 6. Há um trem que eu acho curioso pra caramba. Aqui e acolá, sempre há aqueles círculos de pessoas trocando umas ideias e — papo vai, papo vem — elas sempre perguntam uma para a outra: “Que série você está vendo?”. Mas nunca, nunca mesmo, vemos nestas rodas de conversa fiada alguém dizer: “Velho, estou lendo este livro do Fulano de Tal. E você, o que está lendo?”. Bem, diálogos como este demonstram por que toda e qualquer conversa sobre educação em nosso país é similar a cavar um buraco n’água. # 7. Em várias ocasiões me perguntaram: se eu não fosse professor, o que eu gostaria de ser? Bem, em todas elas, sempre respondi — e continuo a responder, se for indagado — que não consigo me imaginar sendo outra coisa senão um reles professor.


*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...

MATUTANDO A PARTIR DO LIVRO DOS PROVÉRBIOS (parte I) - Notas e reflexões heterodoxas semanais

O temor de Deus é o princípio da sabedoria, nos ensina a Sagrada Escritura (Provérbios I, 7). Em grande medida, o homem moderno virou as costas e fez pouco caso desta orientação, crendo que estaria livre para fazer o que lhe desse na ventana. Ledo engano: a partir do momento em que deixamos de lado o temor de Deus, passamos a nos borrar de medo da opinião alheia, do falatório dos sepulcros caiados, dos senhores deste mundo e, se bobear, até mesmo da nossa sombra. Enfim, por esse e por outros motivos é que não há a menor chance de cultivarmos a sabedoria se passamos a querer posar de galo véio prateado e cismar de ciscar para Aquele que é o princípio e o fim de todas as coisas. # O insensato despreza a disciplina (Provérbios I, 7). Dito de outro modo, o homem moderno acredita que é capaz de tudo, inclusive de se autogovernar, sem ter que proceder com retidão em sua vida. Como nos ensinam os filósofos estoicos de forma simples e direta, disciplina é liberdade; e qualquer um que diga que ...