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LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*)


Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu!


Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia.


Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso seja derrotado. O herdeiro de Hugo Chávez é um sujeito de maus modos, ditador descarado. Uma tragédia o seu governo. A outrora rica pátria de Simón Bolívar perdeu, nos últimos anos, 25% de sua população expulsa pela fome de um magro e inalcançável prato de comida. Se desembarcar numa democracia séria, Maduro será preso. Não obstante, gesto que espantou a comunidade internacional, Lula recebeu Maduro com honras de chefe de Estado e aconselhou afetuosamente o compañero a construir uma boa narrativa, cuja qualidade superasse a de seus adversários...


Fez mais. Durante a campanha eleitoral, num de seus tantos discursos peripatéticos, prometeu regulamentar os meios de comunicação e acrescentou com ar matreiro: “Acontece, gente, que eu não fiquei mais radical. Fiquei mais Maduuro!”.


No mesmo Mar das Caraíbas, pouco mais de mil milhas náuticas da Venezuela, está a ilha de Cuba, onde batem mais forte os corações petistas, onde Lula é louvado como benfeitor por um cortejo de sucessivos ditadores. Ali, já deixou lágrimas de emoção nos ombros longevos de Fidel Castro, ali trocou abraços e afagos com mano Raulzito e, agora, expressa gentilezas a Díaz-Canel.


Lula e Fidel, criaram o Foro de São Paulo em 1989. Nele, se consolidou a relação com a revolução sandinista e com o também caribenho ditador Daniel Ortega que, na Nicarágua, prende padres e bispos sem acusação formal sujeitando-os a penas descabeladas. D. Rolando Alvarez, por exemplo, foi condenado a 26 anos por atentado à segurança nacional e disseminação de notícias falsas. Vocês conhecem toda a letra dessa música...


Não podemos esquecer que Lula também mantém relações estreitas com ditadores africanos, com os governos do Irã, da Rússia, da China e com qualquer poder antagônico aos Estados Unidos e à OTAN. Na lista de seus contatos prioritários não há uma democracia de relevo.


Em resumo, é impossível não pensar em Lula quando nos vem à mente o sábio e universal conselho – “Evita as más companhias!”. Tenho observado que há pessoas desatentas a isso em certos eventos a que ele comparece. Cuidado!

*

(*) Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.





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