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UMA VISÃO CONSERVADORAMENTE ANARQUISTA

É importante que tenhamos, ao mesmo tempo, um olhar anarquista e uma visão conservadora. A meu ver, essa é a forma mais apropriada para não cairmos nos devaneios revolucionários, nem nos delírios reacionários.

 

Explico-me: o olhar anarquista nos convida a termos sempre uma saudável desconfiança frente ao poder. Uma postura cética diante dos poderes que emanam do Estado, o mais frio dos monstros frios; que germinam das corporações, as mais cínicas chupadoras de almas; e que brotam das multidões, as mais psicodélicas das bagas.

 

Tal desconfiança não deve ser encarada como uma afetação de superioridade. Muito pelo contrário. É uma franca postura de humildade e de caridade.

 

Todos nós dizemos que não somos melhores que ninguém - ao menos dizemos isso da boca pra fora - e, ao dizê-lo, estamos reconhecendo que nós sabemos o quão ruins nós podemos ser se formos tentados de forma apropriada.

 

Por isso, desconfiar de todos aqueles que exercem algum tipo de poder é um ato de humildade e de caridade e, com essa atitude, torna-se inevitável que compreendamos que há certos valores, bens e concepções de mundo que devem ser preservadas com sabedoria. Isso mesmo. Sabedoria.


Respeitar, com certa reverência, as conquistas que nos foram legadas pelas gerações que nos antecederam, é a base para que possamos, de forma ousada, renovar e inovar, porque não existe mudança edificante sem o devido respeito ao que é permanente.

 

Ora, toda vez que procurou-se, de forma reacionária preservar algo, este acabou necrosando e perdendo a sua vivacidade; todas as vezes que procurou-se, de maneira revolucionária transubstanciar a realidade, o resultado foi a confluência de desgraças que perverteram brutalmente o coração humano.

 

Por isso, é tão importante procurarmos preservar os patamares conquistados pelos nossos antepassados. Sem eles, acabamos sempre aflorando o que há de mais vil em nós.

 

Por essa mesma razão é imprescindível que nos esforcemos para sermos céticos frente às boas intenções, principalmente diante das nossas que, na maioria das vezes, são o caminho mais que perfeito para a nossa irrefreável danação.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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