Pular para o conteúdo principal

A PEDRA ANGULAR DA MATURIDADE

Na sociedade atual há um culto safado a tudo aquilo que se apresenta aos nossos sentidos como sendo algo agradável. Na verdade, podemos dizer que no mundo contemporâneo, para muitas pessoas, se algo lhes parece agradável é porque esse algo é bom e, se uma geringonça lhes pareça desagradável é porque esse trem fuçado é mau e ponto final.

 

Uma sociedade onde grande parte das pessoas procuram justificar os seus juízos sobre bases similares a essa, simplesmente é uma sociedade adoentada até o tutano. Uma sociedade muito adoentada.

 

Qualquer pessoa, minimamente lúcida, sabe muito bem que a resolução de muitos males apenas é possível mediante a implementação de uma solução, no mínimo, desagradável e, obviedade das obviedades, grande parte dos trambolhos que avacalham com a vida humana são, num primeiro momento, tremendamente agradáveis e, por isso, frequentemente nos fazem de bobo.

 

Não apenas isso. Se formos continuar nossa caminhada por esse raciocínio, iremos acabar enveredando para o seguinte ponto: muitíssimas atividades humanas são desagradáveis, muitas. Se fôssemos apontar uma por uma, a lista seria pra lá de graúda. Porém, tais atividades, maçantes do princípio ao fim, são necessárias. Necessárias e indispensáveis.

 

Por isso, um sistema educacional que ignora essa realidade e procura centrar seus esforços e objetivos em querer ser agradável e divertida o tempo todo e a qualquer custo, acabará por privar os alunos da aquisição do senso de responsabilidade que, nada mais seria que a pedra angular da maturidade.


Ser responsável não é fazer apenas aquilo que nos agrada, mas aquilo que é necessário.

 

Por essa razão, penso que não é exagero algum dizer que o sistema educacional contemporâneo, e a sociedade como um todo, estão prejudicando profundamente as tenras gerações com sua bajulação hedonista mal disfarçada de educação, como estão.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...