A oração, como dizem os simples com sua sabedoria, é o alimento da alma. Os santos dizem o mesmo e, até onde sei, o conselho dos primeiros, e bem como a instrução dos segundos, são uma verdade cristalina que somente os avoados fazem questão de ignorar. Mas a oração não é apenas o alimento da alma. Ela é muito mais do que isso. Ela também é um combate, uma peleja que somos convidados a travar todo santo dia contra os nossos impulsos animalescos, contra as nossas concupiscências, contra os subterfúgios do mundo que nos arrastam para os abismos da perdição e, é claro, contra aquele que é nosso inimigo desde o princípio. Por ser uma luta diária, a oração exige de nós uma boa dose de disciplina e da consequente e indispensável constância advinda dela. Constância e disciplina que, juntas e bem misturadas, formam aquilo que os santos padres do deserto chamavam de ascese. Bem, aí está um conceito pra lá de interessante. Ascese era, desde os idos da Grécia antiga, a prática ...