1. O primeiro sinal de que a nossa vaidade suplanta a razoabilidade e o senso das proporções é a necessidade de querer sempre ter a última palavra em uma discussão ou em uma conversa.
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2. A necessidade de querermos sempre ter razão é um claro sintoma de que nós não temos o costume de usar a dita-cuja da razão.
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3. Repare — e repare bem, para em dois palitos perceber — que as pessoas que mais facilmente desdenham da compaixão por aqueles cidadãos que são seus desafetos, por miudezas ideológicas sem razão, são justamente aquelas figuras que vivem o dia todo, e praticamente todos os dias, arrotando empatia, ética, cidadania e, é claro, democracia.
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4. Permitir que as raposas fiquem responsáveis pelo galinheiro, como bem nos ensina o velho ditado popular, é uma tremenda de uma imprudência — para não dizer uma imbecilidade. Agora, permitir que os porcos tornem-se os senhores incontestáveis de toda uma propriedade, seja ela uma granja, um sítio ou uma fazenda, não é outra coisa senão a mais pura insanidade.
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5. Os donos do poder não são, necessariamente, os mais sábios, nem os mais fortes. Frequentemente se assenhoreiam do poder os indivíduos de índole apequenada que, devido a estratagemas mil, são capazes de, com sua miudeza de caráter, projetar nas paredes dos castelos e palácios uma impressionante sombra que infunde, nos corações desavisados, um agigantado temor.
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6. O Embaixador José Osvaldo de Meira Penna, que em suas obras comparava a casta política brasileira — que domina de alto a baixo a estrutura e os meandros do Estado — com a Cosa Nostra, sabia muito bem o que estava dizendo.
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7. Há momentos históricos que, à primeira vista, parecem pequenos e insignificantes, mas que, com o passar do tempo — que é o pai da razão —, acabam ganhando a sua verdadeira envergadura e destacando, diante dos olhos de todos, o seu real significado. Da mesma forma, há momentos históricos que, já de cara, revelam a todos a sua real dimensão, mas que, devido à força das circunstâncias, acabam sendo apequenados, escancarando de imediato a mesquinhez que imperava no coração de seus contemporâneos.
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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.
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