Pular para o conteúdo principal

SOBRE A TIRANIA DO OLHAR ENVIESADO - notas e reflexões heterodoxas semanais

Errarmos na forma é algo compreensível e até mesmo aceitável; agora, errar na intenção não, porque são outros quinhentos.


#


Quando o homem empenha-se em negar o seu destino eterno, ele acaba, cedo ou tarde, perdendo a sua confiança na natureza humana, porque a nossa natureza decaída, sem o guiamento divino, é tremendamente traiçoeira.


#


Buscar a sabedoria, em sua essência, significa ter olhos e ouvidos atentos para toda e qualquer instrução que nos for brindada pela vida para, com ela, crescermos em espírito e verdade.


#


Nem mesmo um santo é capaz de dizer algo que toque profundamente o coração de um orgulhoso.


#


Deus veio revelar-nos o Seu rosto no rosto humano, nos mostrar a Sua presença perenemente refletida no nosso olhar.


#


Tomemos cuidado — muito cuidado — para não acabarmos nivelando a realidade ao patamar limitado e limitante das nossas interpretações pretensamente críticas.


#


A felicidade plena neste mundo é impossível; o impossível necessário.


#


Uma das principais causas dos males que assolam a vida moderna é o desejo desmesurado por prazeres cuja satisfação é tida como sinônimo de felicidade. E, sem dúvida alguma, essa crescente necessidade é apenas — e tão somente — uma caricatura do que de fato é a felicidade.


*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BASTA UMA CANETA AZUL

Um querido ex-professor, em suas aulas, sempre procurava nos advertir que tudo nesta vida tem segundas intenções, mesmo um gentil “bom-dia”; o que não significa, necessariamente, que elas precisem ser más. Pensando nisso, lembrei-me de uma passagem da obra “Ortodoxia”, de G. K. Chesterton, onde o autor nos conta uma historieta muito sugestiva, conhecida popularmente como “a parábola do poste”. Conta-nos ele que, em uma cidadezinha qualquer, havia um poste de luz que seria removido pelas autoridades públicas e, para tanto, foi feita uma grande campanha para “esclarecer” a população sobre a importância da remoção deste trambolho barroco que atrapalhava a via pública e que, de acordo com os mesmos, era muito antiquado, desalinhado e, por isso, não ornava com os novos tempos. Papo vai, papo vem, e a galera galerosa estava toda muito animada com a remoção do dito-cujo e, em meio a toda essa empolgação, eis que apareceu um frade franciscano, com seu surrado hábito cinza. Ele se inscreveu par...

A JOIA QUE FOI MALANDRAMENTE PERDIDA

No livro “A bacia de Pilatos”, de Humberto de Campos, há um conto que nos apresenta a história de um padre italiano que estava vindo para o Brasil. Quando o navio estava se aproximando da baía de Guanabara, ele se dirigiu ao convés para contemplar a paisagem. E eis que, do nada, apareceram duas portuguesas. Pediram a bênção e perguntaram se o vigário conhecia o Brasil. Ele disse que sim e que, na sua humilde opinião, não existia lugar mais belo na face da Terra. Impressionadas com o entusiasmo do homem de Deus, perguntaram-lhe como era a fiscalização e, de pronto, ele disse: “Rígida, minhas filhas. Não passa nada.” Então, as duas abriram o jogo. Disseram que estavam vindo para assumir a herança de um tio, uma propriedade em Barbacena (sempre em Barbacena), e que, por isso, estavam trazendo consigo as joias da família; joias essas que estavam há gerações na família e que, por essa razão, não dispunham de nota fiscal. Diante disso, elas temiam perdê-las na aduana. E o que é que o padre t...

ATRAVÉS DOS OLHOS DE UM VIRA-LATA

Um dos meus cães é um adorável vira-lata chamado Percy. Na época, quando o ganhamos, estava em cartaz o filme “Percy Jackson e o ladrão de raios” e, como meu filho havia gostado muito do filme, não pensou duas vezes: esse será o seu nome.   Quando filhotinho, tinha uma mania, feia pra caramba, de trucidar os chinelos que ficassem dando sopa junto à porta dos fundos de nossa casa e, por isso, dizíamos que ele era Percy, o ladrão de chinelos.   Quando pequenino, nosso doguinho era muito gracioso. Fofinho como diriam as crianças. Crescido, ele tornou-se formoso, um belo representante da honorável raça dos sem raça. De porte mediano, pernas curtas, patas grandes, corpo e focinho alongados, pelagem preta, tendo as patas, peito e focinho marrons.   Ah! E seu queixo contava com uma leve pelagem branca que, com o passar dos anos, foi aumentando. Minha filha dizia que isso ocorria porque ele estava se tornando um ancião da montanha, como dos filmes de artes marciais dos anos 70. ...