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O AVESSO DA EDUCAÇÃO

Há um velho provérbio popular que nos lembra que a dor ensina a gemer. Dito de outro modo, seriam os obstáculos e as dificuldades a mãe e o pai do aprendizado, não a vida mansa sem nenhuma espécie de perrengue. Por essa razão, educadores como Jules Payot tinham uma clara consciência da importância da formação, da educação da vontade para que os indivíduos pudessem realmente crescer em espírito e verdade. Quando nossa vontade não é vergada, quando ela não é contrariada, ao invés de nos tornarmos indivíduos independentes, capazes de agir de forma minimamente eficaz, eficiente e efetiva, o que teremos como resultado majoritário são pencas e mais pencas de indivíduos que literalmente desmoronam todas as vezes em que têm a necessidade de realizar uma tarefa que exija um mínimo de esforço focado; porque, ao invés de tornarem-se autônomos, foram reduzidos a meras figuras autômatas. E vejam só como são as coisas: os antigos monges do deserto sabiam muito bem que o único animal que, por sua própria natureza, pode e deve se contrariar é o ser humano. Um cão, por exemplo, pode ser contrariado ao ser privado de comida por alguém, mas o ser humano é o único animal que voluntariamente fica sem comer — praticando um jejum ou uma dieta — por conta própria porque, ao contrário dos nossos amigos caninos — e demais animais — nós somos os únicos dotados de vontade. Por isso mesmo, Martin Stanislaus Gillet nos ensina que é de fundamental importância que dediquemos uma boa porção das nossas energias para disciplinar a nossa vontade. Se julgamos que uma atitude permissiva, onde o "fazer o que der na telha" é visto como a única regra a ser respeitada, se cremos que qualquer coisa, para ser quista como algo importante, deve ser agradável, atraente e gostosa; se consideramos os nossos caprichos e desejos desordenados como sendo o critério absoluto para dizer se algo é digno de nossa atenção e, com base nisso, imaginamos que é possível edificar um sistema educacional que leve os indivíduos ao amadurecimento, é melhor pararmos para matutar um pouco. A grossos traços, essas são as cores e rabiscos que, de certa forma, emolduram a visão de muitos a respeito da relação ensino-aprendizagem. Não é por acaso que sentimos, muitas e muitas vezes, que há um certo vácuo em nossa formação, porque esses rabiscos e cores há décadas vêm desvirtuando o ato de educar em nosso país. Aliás, não tem como levar os indivíduos a realizarem plenamente as suas potencialidades se se ignora o papel que a salutar educação da vontade tem nesse processo. Por isso, se buscarmos no Google a palavra “educação” seguida da expressão “direito de todos”, como nos sugere o professor Olavo de Carvalho, encontraremos pencas de referências sobre esse babado. Se buscarmos por “educação inclusiva”, teremos boleiras de respostas. Agora, experimente buscar por “educar-se é dever de cada um”, ou “educar-se é dever de todos”, ou “educar-se é dever do cidadão” e verá, com os olhos da cara, exatamente esse resultado que você está imaginando. Resumindo o entrevero, esses mirrados dados, expostos mal e porcamente nestas linhas, já são mais do que suficientes para explicar para qualquer bom entendedor por que a nossa educação — ou a falta dela — encontra-se deste jeito: tão mal acabada.


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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela





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