Uma punição, para ter sentido, deve ter por objetivo o sincero desejo de corrigir e elevar, em dignidade e verdade, o outro. Caso contrário, é apenas uma expressão vil de sadismo fantasiado de bom-mocismo justiceiro.
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Se o nosso coração está ébrio do cálice amargo do desejo de vingança, devemos nos distanciar, o mais que pudermos, de qualquer possibilidade de punirmos alguém — especialmente aqueles por quem tenhamos algum tipo de ressentimento.
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Uma das grandes leviandades a que, vez por outra, nos entregamos nesta vida é a de imaginarmos que somos pessoas justas, muitíssimo justas; e, ao agirmos desse modo, esquecemo-nos de que estamos sempre diante de Deus, e Ele sabe muito bem que tipo de pessoa nós realmente somos.
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É um sinal de grande inclemência destruir a vida de uma pessoa não porque ela faz algo abominável, mas simplesmente porque ela pensa de uma forma diferente da nossa. E o pior nisso tudo é que, todas as vezes que agimos dessa forma desapiedada, ainda por cima acreditamos que estamos sendo pessoas boníssimas, o suprassumo da misericórdia.
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Jesus, Aquele que é o caminho, a verdade e a vida, com Seu silêncio, desmascara-nos diante do altar empoeirado da nossa consciência que, por pura conveniência, frequentemente é deixado de lado por nós, para que possamos nos sentir mais à vontade na vileza nossa de cada dia.
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Tem uma galera galerosa que se ufana de seu rigor doutrinal e de sua estrita observância dos mais mínimos detalhes da vida religiosa, ou das suas convicções ideológicas — pouco importa quais sejam elas. Nestes casos, é importante lembrarmos que o rigor doutrinal por si só, sem o contrapeso da misericórdia, transforma tudo em meras palavras vazias, inclusive as nossas possíveis boas intenções.
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A verdade não pode ser imposta goela abaixo. Não é assim que funciona a dinâmica da vida; não é desse modo que uma alma enferma iniciará sua jornada de cura. A verdade pode apenas ser apresentada porque, para ela ser curativa, é preciso que a alma voluntariamente se abra para acolhê-la. Não tem outro jeito. Não há outro caminho.
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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.
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