Procurar dizer com clareza aquilo que pensamos é importante, mas muito mais importante que isso é pensar com serenidade e clareza tudo aquilo que nós temos a intenção de dizer. Aí estão duas regras simples que todos nós poderíamos seguir se não tivéssemos nosso coração maculado pela vaidade e pela soberba que governam, discretamente, o nosso modo de ser.
Na real, nós realmente pensamos seriamente naquilo que estamos dizendo a respeito de qualquer assunto, ou apenas reagimos, simiescamente, aos estímulos que recebemos do meio social e midiático? Pois é.
Se não paramos para refletir sobre isso, é bem provável que nunca tenhamos realmente parado para pensar sobre o que quer que seja; e nossa possível reação epidérmica a estas míseras linhas seja um claro sinal de que grande parte das nossas respostas às mensagens que recebemos é apenas, e tão somente, uma reação midiaticamente condicionada — jamais uma reflexão crítica, como gostamos de chamar.
Se estivermos dispostos, existem vários caminhos para realizar um bom exame de consciência frente a um quadro como esse, vários mesmos; mas há um que, francamente, é tão simples quanto eficaz.
É assim: diante de um tema controverso, antes de externarmos nossa opinião, por um acaso nós cogitamos a possibilidade de tentar ver os fatos a partir das perspectivas das quais discordamos? Se a resposta for negativa, este é um sinal de que, sim, nós não temos o hábito de refletir de forma autônoma; apenas reagimos feito um autômato, bem rapidinho, no ritmo de um clique.
Infelizmente, muitas e muitas vezes agimos assim, bem desse jeitinho. E são poucos os que reconhecem essa fraqueza nossa de cada dia porque, como todos nós sabemos, para pensar é preciso parar para avaliar toda essa folia nem um pouco original que rege a orquestra do nosso coração — que, por soberba e vaidade, jamais irá cogitar a possibilidade de estar redondamente errado, não é mesmo?
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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “O SEPULCRO CAIADO”, entre outros livros.
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