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NA CAPELINHA DO BUTANTÃ

Uma pessoa, que não está com o senso das proporções avacalhado, se impressiona com a realidade dos fatos; agora, o sujeito que não está com seu juízo subvertido, se impressiona com grande facilidade com qualquer punhado de palavras que sejam repetidas de maneira histriônica pela grande mídia.

 

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O escritor francês Romain Rolland nos lembra, de forma lacônica, feito pino de patrola, que todo o homem, que é um homem a sério, tem de aprender a ficar sozinho no meio de todos e, muitas vezes, a pensar sozinho por todos e, se for necessário, pensar e agir contra todos.

 

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Todo caboclo que assiste religiosamente telejornais, similares ao Jornal Nacional, e acompanha fielmente programas de variedades como o famigerado Fantástico e, por fazer isso, credulamente acredita estar bem informado, com o perdão da palavra, um sujeito desse merece um atestado de perfeito abestado.

 

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Se o caipora, pra puxar conversa, pergunta: “você viu o Jornal Nacional ontem”?  Não diga nada, nadica de nada, porque o pobre coitado acredita que já sabe tudo, porque viu alguma coisa que saiu na TV.

 

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Vou lhes dizer uma coisa: já fui chamado de desinformado, já fui rotulado de alienado, porque tento entender os problemas da sociedade à luz dos livros que leio, ao invés de procurar compreender tudo à sombra dos telejornais que não assisto.

 

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O Brasil está cheio de caboclos que enchem a boca pra chamar Deus e todo mundo de “negacionista” e, por se prestarem a esse tipo de papelão infantil, acreditam, piamente, que são figuras pra lá de científicas.

 

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Onde perguntas inconvenientes e dúvidas desconcertantes são sumariamente caladas e tratadas como se fossem heresias, o que se tem não é, de jeito-maneira, um ambiente propício para a investigação científica, mas sim, uma capelinha de fanáticos tremendamente atordoados pela própria ignorância.

 

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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “REFAZENDO AS ASAS DE ÍCARO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela



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