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O PÓ DA VANGLÓRIA

Sem dúvida alguma existem inúmeras situações trágicas que acabam por emaçarocar a vida humana. De todas elas, há duas que, realmente, se fazem muitíssimo presentes na vida de incontáveis indivíduos. Na verdade, elas se fazem presentes na vida de praticamente todos nós.

 

A primeira é a de vermos a vida passar e não conseguirmos alcançar a alegria de termos os nossos desejos, aqueles trens que tanto amamos, serem realizados. Pois é. E isso, de certa forma, acaba nos desconcertando pra caramba.

 

A segunda é vermos os nossos amados e idolatrados desejos serem realizados por nós e isso, também, acaba sendo, em alguma medida, tremendamente desalentador.

 

E, assim o é, porque passamos boa parte dos nossos dias voltando o nosso coração para desígnios que, ao invés de elevarem a nossa alma, a apequenam. Ao invés deles, os nossos quereres, arrastarem o nosso olhar para o alto, terminam, incontáveis vezes, esfregando a nossa cara no chão seco e empoeirado da nossa miséria demasiadamente humana.

 

Enfim, a tragédia toda reside no fato de que ansiamos, com todas as minguadas forças do nosso ser, pelas tranqueiras que são bem quistas por esse mundo feito de pó e sombras, mundinho esse que passará bem rapidinho, num estalar de dedos, e damos pouquíssima atenção para os tesouros que estão para além do pó da glória deste mundo, tesouros estes que nunca, nunquinha, passarão.

 

[CADINHO DE PROSA # 28/08/2022]

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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