Pular para o conteúdo principal

PENSO, LOGO ME ARREBENTO - Notas e reflexões heterodoxas semanais

O que é excessivamente fácil impede o aprendiz de realizar plenamente suas potencialidades, ao mesmo tempo que infunde em seu coração um tremendo sentimento de arrogância e soberba.


#


A grande tragédia das classes falantes do mundo contemporâneo — que se creem letradas por serem diplomadas — é que elas confundem facilmente a inspiração das musas com a agitação das massas.


#


Como muito bem nos ensina o poeta espanhol Antonio Machado, é de fundamental importância que aprendamos a distinguir as vozes da nossa consciência dos ecos da sua ausência.


#


Todos os extremos têm lá as suas razões. Claro, boa parte dessas razões é equivocada, do princípio ao fim; mas, mesmo assim, sempre há aqui e acolá um e outro espasmo de lucidez.


#


Cogito, ergo sum. Penso, logo existo. Bem, é aí que a porca torce o rabo, porque após pensarmos, muitas e muitas vezes, logo na sequência, acabamos tropeçando e quebrando a cara, não é mesmo?


#


A disciplina é a base do aprendizado — do aprendizado de qualquer coisa. Por isso, a assimilação dessa virtude é tão necessária para a construção do caráter de um indivíduo e isso, cara pálida, leva tempo. Às vezes, uma vida inteira.


#


A educação não é, nunca foi e nunca será uma mercadoria. Ela é o meio principal para a formação de um indivíduo. Por isso, tratá-la como um reles produto, como sendo apenas mais um serviço entre outros tantos, é uma baita sacanagem. Para dizer a verdade, é um crime de lesa-humanidade.


*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BASTA UMA CANETA AZUL

Um querido ex-professor, em suas aulas, sempre procurava nos advertir que tudo nesta vida tem segundas intenções, mesmo um gentil “bom-dia”; o que não significa, necessariamente, que elas precisem ser más. Pensando nisso, lembrei-me de uma passagem da obra “Ortodoxia”, de G. K. Chesterton, onde o autor nos conta uma historieta muito sugestiva, conhecida popularmente como “a parábola do poste”. Conta-nos ele que, em uma cidadezinha qualquer, havia um poste de luz que seria removido pelas autoridades públicas e, para tanto, foi feita uma grande campanha para “esclarecer” a população sobre a importância da remoção deste trambolho barroco que atrapalhava a via pública e que, de acordo com os mesmos, era muito antiquado, desalinhado e, por isso, não ornava com os novos tempos. Papo vai, papo vem, e a galera galerosa estava toda muito animada com a remoção do dito-cujo e, em meio a toda essa empolgação, eis que apareceu um frade franciscano, com seu surrado hábito cinza. Ele se inscreveu par...

O SENHOR DAS MOSCAS SOB NOVA DIREÇÃO

Dias atrás, todos devem ter tomado conhecimento do acontecido em uma escola de ensino fundamental, onde os alunos de uma turma colocaram cacos de vidro na água da professora. Diante do ocorrido, penso que há dois pontos que devem ser levados em conta. Primeiramente, não há o que discutir: isso foi uma monstruosidade. Em segundo lugar, temos muito que discutir, porque isso é uma monstruosidade. E a primeira pergunta que todos nós deveríamos fazer é como permitimos que algo assim acontecesse. E não me refiro apenas às autoridades constituídas, às famílias, aos professores e tutti quanti. Refiro-me, sim, à sociedade — toda ela —, porque o tempo todo as crianças estão aprendendo, e estão aprendendo conosco através de nossas palavras, atos e omissões. De todas as nossas falhas, há uma que está no cerne desta trágica questão: a nossa recusa, o nosso medo de agir como adultos diante dos infantes. Isso mesmo! A nossa recusa em educá-los. A sociedade se nega a esse papel porque exercê-lo é desc...

A PAZ NÃO TEM PREÇO - Notas e reflexões heterodoxas semanais

Muitas vezes se abate sobre nós um terrificante sentimento de tristeza e impotência; e, nestes dias, somos convidados a nos prostrar diante do altar de nossa consciência para podermos nos encontrar com a verdade sobre nós mesmos e, a partir dela, virar essa página de nossa vida para melhor escrevermos a nossa história. # Todas as vezes que medito sobre os rumos que estão sendo tomados pela educação em nosso país, de um modo geral, confesso que meu coração é inundado por um sentimento de tristeza. Porém, logo em seguida, acende-se em minha alma um facho de luz, pois lembro que a educação nunca se dá em larga escala; ela depende daquilo que nós fazemos em nosso dia a dia, olhando diretamente nos olhos dos nossos alunos, porque é na sala de aula que a “magia” acontece. # Se nós apagarmos a noção de transcendência, todas as bases daquilo que se convencionou chamar de educação caem por terra, porque a educação não pode ser edificada em si mesma e, principalmente, ela não é um fim em si mesm...