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O GRANDE MAL DA NOSSA ÉPOCA

Qual é o sentido da vida? Eis a pergunta que nos acompanha desde priscas eras e, dificilmente, um dia deixará de nos acompanhar. Muitas pessoas, altamente gabaritadas, se debruçaram — e se debruçam — sobre essa questão e procuram respondê-la a partir das suas luzes e, é claro, por meio da forma como elas vivenciaram as agruras e delícias da vida. Do mesmo modo, nós também, do nosso jeitão, refletimos sobre essa pergunta e, com base nos mesmos parâmetros, nos debatemos para encontrar uma resposta minimamente satisfatória. Naturalmente, a resposta a essa questão não é unívoca e não pode ser esquadrinhada dentro dos limites asfixiantes de um esqueminha. Fazer isso seria o mesmo que tentar varrer a sujeira da sala para debaixo do tapete, o que pode até trazer alguma satisfação e contentamento num primeiro momento, mas não elimina o problema, que vai se acumulando e, com o tempo, exalando o seu mau cheiro em todo o ambiente até tornar-se insuportável. Ora, é mais ou menos desse jeito que muitas e muitas pessoas veem sua vida passar e, quando um bom tanto dos seus anos se passou, é que os abençoados se flagram diante da imagem de uma vida que até ali foi muito mal vivida e na qual, para sua perplexidade, não lhes restam muitos anos para bem vivê-la. Como havíamos dito, muitos são os autores que nos ajudam a refletir sobre essa indagação e, de todos eles, penso que quem apresentou a resposta mais interessante foi Viktor Frankl, cuja obra “Em busca de sentido”, com toda certeza, deveríamos considerar uma leitura obrigatória. Quando meditamos a respeito do sentido de nossa vida, o primeiro ponto que devemos ter claro em nosso horizonte de consciência é que ele não é inventado por nós, nem criado por uma instituição ou legado por um guia. Ele, o sentido de nossa vida, vem ao nosso encontro. Sim, parece esquisito, mas não é. O sentido de nossa vida está presente diante daquilo que apenas nós podemos e devemos fazer e que, de modo algum, deveria ser delegado a uma outra pessoa, pois fazer isso seria negarmos a nós mesmos. Por exemplo, um pai deve educar o seu filho, orientá-lo amorosamente e, quando necessário, corrigi-lo. Bem, todos nós sabemos que inúmeras vezes queremos fazer outras coisas por considerá-las mais importantes ou, no mínimo, mais interessantes; porém, quem tem o dever de educar, orientar e amar o infante? Isso mesmo. E ao nos negarmos a fazer isso, estamos negando a nós mesmos e, negando-nos, deixamos um vazio de sentido em nossa vida que, cedo ou tarde, irá bater à porta de nossa alma e nos tragar. Enfim, é por essa e por outras razões que a falta de sentido é o grande mal da nossa época.


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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




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