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A PEDAGOGIA DA VAIDADE

A professora Inger Enkvist, em seus livros e palestras, frequentemente chama a atenção para uma obviedade ululante que, para a infelicidade geral das futuras gerações, é desdenhada por praticamente todos nós. Ela afirma, de forma clara e categórica, que uma nação minimamente séria deve cultivar uma atenção especial para com a educação das tenras gerações; porque, se isso não for feito, estaremos literalmente colocando em risco a existência futura de toda a nossa sociedade. Por essa razão, e por inúmeras outras, não poderia haver espaço para levianas aventuras experimentais nesta seara.


Aliás, quando tomamos a palavra educação e meditamos sobre o seu significado, compreendemos claramente o tamanho do enrosco em que estamos nos metendo, devido à forma como atualmente as autoridades (políticas e intelectuais) vêm tratando a questão. Como todos nós sabemos, educação vem do latim ex-ducere, que quer dizer, simplesmente, “guiar para fora”. Deste modo, o ato de educar consiste em levar o infante a sair de seu universo pueril, das suas cercanias subjetivas, para iniciar uma longa jornada por um mundo que vai muito além da sua imaginação. Tal empreitada não é fácil, tendo em vista que muitas e muitas vezes o indivíduo prefere ficar encastelado no conforto do seu mundinho caprichoso do que ser contrariado pelo conhecimento da verdade.


Como a própria professora Enkvist nos lembra — e o bom senso também —, aprender qualquer coisa exige de nós esforço, perseverança e ordem (disciplina); caso contrário, não conseguiríamos integrar uma nova dimensão do conhecimento em nossa personalidade e acabaríamos tolhendo a amplitude do nosso círculo de ação humana. Qualquer um que já estudou uma língua estrangeira, uma arte marcial ou aprendeu a tocar um instrumento musical sabe muitíssimo bem do que estamos falando.


Agora, a visão que norteia a educação em nosso país segue um riscado bem diferente. No lugar da devida valoração do esforço individual, do estímulo à perseverança e do cultivo de ações com propósitos claros, o que temos é o fomento da centralidade em aspectos subjetivos albergados caprichosamente por cada indivíduo em seu íntimo.


Não estou dizendo, de modo algum, que a subjetividade de cada pessoa não seja importante, mas apenas, e tão somente, que ela não deve ser o centro do processo educativo. Fazendo isso, ao invés de possibilitarmos aos indivíduos uma real ampliação da sua capacidade de ação através das ferramentas intelectuais adquiridas, estaremos agrilhoando-os em seus caprichos de momento e, de quebra, estimulando, sorrateiramente, atitudes narcísicas e comportamentos antissociais. E isso, venhamos e convenhamos, é o contrário da educação.


Não é à toa que o analfabetismo funcional impera nestas terras de desterrados, nem por acaso que o número de não leitores nestas plagas é maior que o de leitores.


*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “O SEPULCRO CAIADO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




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