Pular para o conteúdo principal

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO HETERODOXO #027

Se alguma alma de boa vontade, como nos lembra G. K. Chesterton, tentar ter uma discussão real e honesta com um jornalista ou formador de opinião que sustente uma posição política oposta à sua, este não terá nenhuma resposta, exceto, é claro, os velhos jargões ocos ou um silêncio cínico.


#


Onde houver soberba, aí também haverá ofensa e desonra.


#


Quando, em um momento de bobeira, nos empolgamos e passamos a crer que nosso entendimento diminuto seria o centro do universo, sem que percebamos, sentimos ecoar em nosso coração a velha tentação que nos convida a querer ser como deuses.


#


Miguel de Unamuno nos ensina que a letra mata e que o espírito vivifica. Porém, lembremos que o espírito não é o sentido, porque o sentido não é mais que a razão; e o espírito está além disso: ele é a verdade que envolve e sustenta a razão.


#


A palavra, como nos ensina Ortega y Gasset, é um sacramento de mui delicada administração.


#


Os vícios destroem tudo, principalmente o nosso precioso e escasso tempo.


#


A verdadeira pedra de toque da humildade é a paciência, que, sejamos francos, nós não temos.


#


Como muito bem nos ensina Umberto Eco, o progresso também pode significar a necessidade de darmos dois ou mais passos para trás.


*


Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “REFAZENDO AS ASAS DE ÍCARO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UMA VERSÃO MALACAFENTA DE NÓS MESMOS

A vida não é estática, por mais atarracada que seja a nossa maneira de encará-la. Ela é dinâmica, como nos lembra José Ortega y Gasset, e está em constante fluxo e refluxo, bonança e agitação, conforme as nossas decisões e frente às circunstâncias que se apresentam a nós.   Saber compreender e assimilar as circunstâncias da vida é a chave para que nos tornemos cientes das oportunidades e obstáculos que estão latentes e, principalmente, para nos tornarmos mais conscientes da pessoa que estamos nos tornando através das decisões que tomamos todo santo dia.   À primeira vista essa é uma tarefa simples por demais, porém (porque sempre há um porém), o nosso coração vive em desassossego, inquieto consigo, com tudo e com todos e, tal inquietude, é malandramente instigada pelo estilo de vida modernoso que levamos.   Aceitamos de bom-grado ser bombardeados com informações de relevância duvidosa, informações essas que chegam até nós pelas ondas da grande mídia, das redes sociais e d...

BASTA UMA CANETA AZUL

Um querido ex-professor, em suas aulas, sempre procurava nos advertir que tudo nesta vida tem segundas intenções, mesmo um gentil “bom-dia”; o que não significa, necessariamente, que elas precisem ser más. Pensando nisso, lembrei-me de uma passagem da obra “Ortodoxia”, de G. K. Chesterton, onde o autor nos conta uma historieta muito sugestiva, conhecida popularmente como “a parábola do poste”. Conta-nos ele que, em uma cidadezinha qualquer, havia um poste de luz que seria removido pelas autoridades públicas e, para tanto, foi feita uma grande campanha para “esclarecer” a população sobre a importância da remoção deste trambolho barroco que atrapalhava a via pública e que, de acordo com os mesmos, era muito antiquado, desalinhado e, por isso, não ornava com os novos tempos. Papo vai, papo vem, e a galera galerosa estava toda muito animada com a remoção do dito-cujo e, em meio a toda essa empolgação, eis que apareceu um frade franciscano, com seu surrado hábito cinza. Ele se inscreveu par...

PENSO, LOGO ME ARREBENTO - Notas e reflexões heterodoxas semanais

O que é excessivamente fácil impede o aprendiz de realizar plenamente suas potencialidades, ao mesmo tempo que infunde em seu coração um tremendo sentimento de arrogância e soberba. # A grande tragédia das classes falantes do mundo contemporâneo — que se creem letradas por serem diplomadas — é que elas confundem facilmente a inspiração das musas com a agitação das massas. # Como muito bem nos ensina o poeta espanhol Antonio Machado, é de fundamental importância que aprendamos a distinguir as vozes da nossa consciência dos ecos da sua ausência. # Todos os extremos têm lá as suas razões. Claro, boa parte dessas razões é equivocada, do princípio ao fim; mas, mesmo assim, sempre há aqui e acolá um e outro espasmo de lucidez. # Cogito, ergo sum. Penso, logo existo. Bem, é aí que a porca torce o rabo, porque após pensarmos, muitas e muitas vezes, logo na sequência, acabamos tropeçando e quebrando a cara, não é mesmo? # A disciplina é a base do aprendizado — do aprendizado de qualquer coisa. ...