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NÚMEROS FORA DO PRUMO

Quando vamos avaliar a qualidade de alguma coisa, para constatar se esta tem realmente alguma valia, é imprescindível que o critério utilizado por nós seja claro, substancial e justo. Se não for assim, não tem essa de “mamãe a barriga me dói”, porque os juízos advindos da nossa avaliação terão o valor de um vintém furado, e olhe lá. Quando se procura apresentar a boa qualidade dos resultados de algo, como a educação, as primeiras coisas que são exibidas são números que, muitas vezes, são obtidos de uma forma bastante duvidosa e divulgados de uma maneira um tanto problemática. E assim o é porque se mostram elementos quantitativos como se fossem sinônimos de um dado qualitativo. E sejamos francos: qualquer um que faça isso, bom sujeito não é. Ainda sobre a forma como esses números são obtidos, é importante indagar sobre os critérios utilizados para nortear a verificação e quais os fins que se pretendem atingir com a utilização deste ou daquele critério. Ora, se os critérios são claros e os fins a serem alcançados são substanciais, com certeza os elementos quantitativos se tornam uma ferramenta utilíssima para ampliar a base qualitativa. Agora, quando há um desencontro ou um descompasso entre ambos, o que será obtido no frigir dos ovos não será algo realmente bom, pouco importando se estamos com o coração cheinho, até a tampa, de boas intenções. Creio que um aspecto ilustrativo disso seria o ufanismo que muitas autoridades públicas externam em torno de determinados números, como sendo um símbolo de uma educação de magnificente qualidade. Números esses que, para poderem ser comprovados, necessariamente devem ser confrontados com alguns fatos. Por exemplo: o número de leitores, em nosso país, aumentou ou diminuiu? Entendo. Qual é o tipo de literatura que as pessoas, de um modo geral, costumam ler? Compreendo, mas não entendo. A quantas anda o mercado livreiro nestas terras onde canta o sabiá? Sei. Qual livro você está lendo, agora, neste momento? Hum. Interessante. Enfim, estes são os frutos de todo esse colóquio flácido de “educação de qualidade”, “pedagogias ativas”, “nativos digitais” e companhia limitada. E por essas e outras que recomendo o livro “Faça-os ler - para não criar cretinos digitais”, do neurocientista Michel Desmurget, cujas lições são de grande valia para a educação dos infantes e, principalmente, para a correção das falhas da nossa [falta de] educação.

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Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




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