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SEM PALAVRAS

A única coisa que eu tenho

Junto de minha velha algibeira

São palavras de pouco engenho.

Palavras que reuni, devagar,

No passo leve do meu andar,

Um pouco aqui, um tanto acolá.

E sempre que precisava,

Ou que a ocasião pedia,

Logo sacava com maestria

A palavra acertada.

Mas, eis que um belo dia,

Nesta vida de caminhante,

Meus olhos encontraram

Sua imagem única, ofuscante,

Deixando-me, de vez, sem palavras,

Porque, enfim, encontrei aquela

Que para todo sempre será

Minha mulher amada.




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