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UM MÍNIMO DE SANIDADE

Não julgar o próximo. Aí está um trem difícil pra caramba. Difícil porque todos nós temos em nosso peito aquela terrível inclinação para a soberba que não nos deixa e, infelizmente, muitas e muitas vezes, nós mesmos não queremos nem saber de deixá-la de lado.

 

Porém, se há em nós uma porção desse tal senso de realidade, que é a humildade, penso que uma passagem da vida de São Francisco de Assis pode nos ser de alguma valia, ou de nenhuma serventia. Ao final, você decide.

 

Dito isso, vem comigo. A história, essa louca velha, nos conta que “São Chico”, quando rezava, em suas preces, dizia ao Altíssimo que ele reconhecia que era o pior dos homens.

 

Um frade ouviu ele várias vezes dizendo isso e, um dia, resolveu ter um dedo de prosa com o santo e, proseando, disse que ele não poderia dizer isso de si mesmo, tendo em vista quem ele era.

 

Francisco, com um doce sorriso no rosto, disse que ele era sim o pior homem que havia no mundo, pior que o mais cruel dos assassinos.

 

Diante dessa resposta, o frade ficou meio que sem chão.


Vendo o estado em que seu amigo se encontrava, o Poverello de Assis disse-lhe que ele não agia como o mais terrível assassino porque ele era, de muitas formas, uma pessoa agraciada por Deus.

 

Agora, se ele, Francisco, tivesse uma vida similar à do pior assassino da história, vivendo a vida desse homem, provavelmente ele seria muito, muito pior que ele.

 

Por isso não devemos nos inflar de orgulho e sair condenando pessoas que conhecemos mal e porcamente porque, na real, não temos a menor noção do tipo de pessoa que nós somos.

 

Detalhe: isso vale tanto para os indivíduos religiosos, cheios de escrúpulos, como para as pessoas empanturradas com clichês politicamente corretos.


É isso. Não somos tão bons como presumimos ser e, principalmente, somos capazes de coisas medonhas, que não somos capazes de imaginar, sejamos nós pessoas que se intitulam “de bem”, ou que se declaram “do bem”.

 

Enfim, enquanto não formos capazes de reconhecer isso, dificilmente sairemos da "adolescência moral" em que nos encontramos e, deste modo, a vida em sociedade continuará sendo esse mar sem fim de insanidades mil.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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