Pular para o conteúdo principal

A INSUSTENTÁVEL LEVIANDADE DO SER

“Nós fizemos tudo o que podíamos”. Essa frase, de teor lazarento, frequentemente dita por nós, quando estamos cara a cara com uma derrota, oculta com suas letras um punhado de fraquezas nossas.

 

Qualquer empreitada que nos propomos realizar, deve, necessariamente, ser feita não apenas tendo em mente a obtenção de uma vitória cabal. Nada disso.


Elas devem ser sempre realizadas até o fim, doa a quem doer, mesmo que o fracasso pareça inevitável.

 

Se pararmos para refletir um pouco a respeito, iremos constatar que, no correr de nossa vida, nós acabamos obtendo mais fracassos que realizações; e veremos, inclusive, que aqueles indivíduos que são tidos como vencedores, em tudo na vida, não são diferentes de nós nesse quesito.

 

E se todos nós temos em nossa conta vital mais fracassos que êxitos, o que então diferencia os vencedores dos demais mortais?


É que essas pessoas veem, em cada pancada que a vida lhes dá, uma preciosa lição que deve ser aprendida e assimilada.

 

Sim, eu sei, todo mundo fala isso, mas praticamente ninguém leva esse trem a sério.

 

De mais a mais, um verdadeiro lutador, realmente, procura colocar todas as suas forças em todos os seus combates. Todas as forças mesmo. Bem diferente de nós que entregamos os betes logo que aparecem as primeiras dificuldades.

 

Tanto é assim que todos nós repetimos, frequentemente, para nós mesmos, aquela maldita frase: “nós fizemos tudo o que podíamos ter feito”, ou algo similar, mas nunca, nunquinha, nos perguntamos o que deixamos de fazer.

 

E basta que levantemos essa questão para vislumbrarmos todas as cobardias que realizamos, a grande quantidade de ações que deixamos de fazer por, simplesmente, mentirmos para nós mesmos, dizendo que procuramos dar o nosso melhor quando, na verdade, nem mesmo nos esforçamos minimamente para sermos merecedores da bênção dos louros.


Sim, as vitórias não vêm por um puro golpe de sorte, da mesma forma que as derrotas não ocorrem por um reles acaso.

 

Enfim, não é à toa que algumas derrotas são pedras com as quais as vitórias são edificadas e, outras tantas, são apenas e tão somente um retrato mal feito da nossa insustentável mediocridade e má vontade.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...