Pular para o conteúdo principal

A REPÚBLICA QUE NÃO TEMOS

Há momentos que devemos falar, e falar em alto e bom tom, do alto do telhado da nossa morada, para que todos possam ouvir nossa voz. Esses momentos são aqueles quando a verdade não mais encontra morada no coração dos homens e, por isso, torna-se urgente proclamá-la.

 

Porém, o grande problema é que toda vez que alguém ousa anunciar a verdade, que muitos querem amordaçar e largar num bueiro qualquer, é que todos aqueles que tomam a decisão de realizar essa tarefa, o fazem imaginando que estão na praça da república de Platão, esquecendo-se que estão na latrina aberta por Deodoro da Fonseca e seus "Blue Cat's".

 

Por essa e outras que dizer a verdade é sempre um problema.

 

Sobre isso, podemos fazer inúmeras considerações, porém, gostaria apenas de chamar a atenção para um ponto, que é a diferença que há entre credibilidade e veracidade. Diferença essa que, muitas e muitas vezes, desdenhamos.

 

Algo que tem credibilidade é tão só e simplesmente um trem que as pessoas, de um modo geral, creem que seja digno de confiança, mesmo que seja uma tremenda mentira. Já a veracidade é quando algo, dito por alguém, corresponde aos fatos, pouco importando se as pessoas dão credibilidade ao que está sendo dito ou não.

 

E é aí que a porca torce o rabo, e torce desavergonhadamente, porque, muitas e muitas vezes, nós não procuramos distinguir uma coisa da outra, porque não estamos, de fato, preocupados em saber qual é a verdade sobre incontáveis assuntos e, não queremos saber, porque desejamos apenas ter a tal da razão que, no frigir dos ovos, nada mais seria que a "vitória" sobre alguém num bate-boca, deixando-o momentaneamente sem palavras, pouco importando se o outro está com a verdade ou não.

 

Não é à toa que o debate público acabe sempre enveredando por um caminho que acaba desembocando em uma choldra ignóbil, tendo em vista que, feliz ou infelizmente, nós não somos cidadãos da república platônica, mas apenas e tão somente sujeitos que vivem atônitos na latrina política aberta por Deodoro e companhia.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É NO FOGO BRANDO QUE SE PREPARAM OS GRANDES MANJARES

Com o objetivo de resolver pequenos problemas é que surgem grandes inventos. Um destes, sem dúvida alguma, é a panela de pressão. Quem gosta das lides junto ao fogão sabe o quanto essa abençoadinha facilita a nossa vida. Há muito comprei uma para, é claro, ver se eu cozinho mais depressa. Sim, para cozinhar certas coisas e resolver determinados problemas, a urgência acaba sendo necessária; já outros, por sua natureza peculiar, demandam tempo e paciência — tempo que muitas vezes nos falta e paciência de que frequentemente não dispomos. E se há algo que todos nós deveríamos apreciar e ponderar com muita paciência são os “debates” que, de tempos em tempos, acabam tomando o centro das atenções. Estes, do seu jeitão todo especial, instigam-nos a nos indignarmos do nada e, com sangue nos olhos, a bradarmos aos quatro ventos a nossa opinião, tomando partido por essa ou por aquela bandeira, ideia, proposta ou por qualquer esparrela deste gênero. Tal fenômeno torna-se mais curioso quando esses ...

O PESO DAS COISAS SIMPLES - Notas e Reflexões Heterodoxas Semanais

É muito fácil esquecer o enorme esforço psíquico que é exigido de nós para podermos aprender qualquer coisa com um mínimo de profundidade e destreza. No caso de algumas pessoas, nem isso — tendo em vista que inúmeros indivíduos nunca, nunquinha, se esforçaram minimamente para aprender algo com um mínimo de destreza e profundidade. # Todo brasileiro, inclusive eu e você, carrega no âmago de sua alma o cadáver de uma pessoa, de um indivíduo que poderia ter nascido e realizado mil e uma façanhas, mas que não nasceu porque foi abortado por nossa preguiça nem um pouco original. # Existem muitas coisas nesta vida que, por sua natureza, são complexas e, diante delas, devemos nos esforçar para estarmos à altura de sua complexidade. E não existe nada mais complexo neste mundo do que as coisas simples da vida. Não é à toa, nem por acaso, que nos complicamos por completo quando somos confrontados por elas. # Um dos elementos fundamentais que é, de certa forma, desdenhado por toda essa turma que v...

ESPARRELAS PUBLICITÁRIAS NADA EDIFICANTES

É curioso ver que na arena do poder — e fora dela também — muitíssimas pessoas se esforçam para mostrar para todo mundo, menos para Deus, que são pessoas de valor e não sujeitinhos cuja dignidade tem um preço, sempre devidamente atualizado e corrigido pela inflação. E o que mais chama a atenção é que, quanto mais essas figuras, figurinhas e figurões tentam provar que são criaturas de alma ilibada, mais se enrolam nos próprios pés. Na verdade, todos nós, em algum momento de nossas vidas, acabamos por cair nesse tipo de esparrela e terminamos por pagar aquele mico existencial nada original de querer posar de detentores de uma dignidade que não nos pertence. Bem, noves fora zero, há um momento em que todos nós podemos ver com clareza de que material é feito o nosso caráter e qual é a têmpera de nossa alma: é quando estamos diante da morte; da nossa morte. É quando estamos frente à possibilidade de ficarmos cara a cara com ela que realmente iremos descobrir qual é a envergadura do noss...