Pular para o conteúdo principal

NOSSA VÃ CRITICIDADE POSTIÇA

Em terra de cegos quem tem um olho é rei? Não. Não é. Quer dizer, pode até ser, dependendo das circunstâncias, mas, na maioria dos casos, não será nem mesmo suplente de suplente de vereador.

 

Se pararmos para matutar um cadinho, iremos concluir que, em terra de cegos, quem tem um olho será tido na conta de maluco, de proponente de teorias da conspiração e sabe lá do que mais o pobre coitado poderá ser carimbado.

 

E, como todos nós muito bem sabemos, o pior tipo de cego é aquele que tem olhos sãos e se recusa a ver. É aquele que vê com seus olhos, que um dia a terra há de comer, mas se recusa a enxergar.

 

Qualquer um que ouse enxergar com mais profundidade e clareza qualquer sutileza da vida, mais do que depressa será tido na conta de esquisito e, é claro, identificado com outros adjetivos torpes que andam meio que, como direi, na moda dos abestados engajados que se consideram esclarecidos e, por isso, criticamente esclerosados.

 

Todos nós, cada um no seu quadrado, imaginamos que o tal do próximo, que na maioria das vezes nós gostaríamos que ficasse bem distante da gente, está sempre mais cego do que nós, ignorando que o mais severo problema de visão encontra-se, muitas vezes, encalacrado em nossa maneira tacanha de ver tudo e julgar a todos.

 

Não é à toa, nem por acaso, que o condenado, descrito pelo filósofo grego Platão em seu livro “A República”, que havia se libertado dos seus grilhões, vazando e, mais tarde, retornando para libertar os seus “parsas” do cárcere cavernoso, é apresentado como um caboclo que foi tido como doido por aqueles que apenas conheciam as sombras que os assombravam.

 

Também não é por acaso, nem à toa, que nós ficamos tão apoquentados com qualquer um que ouse apenas nos informar que existem muito mais coisas entre a grande mídia e as redes sociais do que presume a nossa vã criticidade postiça.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...