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A RESPOSTA À PERGUNTA DE PILATOS

Toda vez que alguém nos adverte para o fato de que devemos elaborar critérios mais sólidos para selecionar tudo o que iremos entregar a nossa atenção, mais do que depressa, aparecem aqueles sujeitos que dizem que devemos tomar a “utilidade” como pedra de toque para distinguirmos o que tem valor daquilo que não tem valia alguma.

 

Bem, aí está um critério pra lá de complicado, porque não basta que algo seja útil para que ele seja bom. Não apenas isso. Existem inúmeras coisas nessa vida que não apresentam utilidade alguma e, por não serem úteis, elas têm um valor incalculável.

 

Por essa razão que Gustavo Corção, esse grande escritor brasileiro, dizia que o homem moderno deveria parar, imediatamente, de se perguntar a respeito da utilidade das coisas e começar, o mais rápido possível, a perguntar-se em que, todas as quinquilharias modernosas que nos rodeiam, e que damos tanto valor, contribuem para que nos tornemos pessoas melhores.

 

Essa é a questão que não se faz presente em nossa algibeira de ideias e, por não se fazer presente, acabamos nos cercando com um monte de trecos que, sim, tem mil e uma utilidades, porém, como não nos preocupamos em nos tornar pessoas melhores, como não colocamos essa questão no centro das nossas preocupações, todas as tranqueiras tecnológicas com as quais nos cercamos, estão dia após dia, contribuindo de alguma forma para que nos tornemos pessoas cada vez mais inúteis, fúteis e ruins.

 

Não? Então responda para você mesmo: essa ferramenta espetacular, que é o aparelho celular, tem sido utilizado por nós para atender qual finalidade em nossa porca vida?

 

Sim, a resposta a essa pergunta é tremendamente desagradável e o é, por uma razão muito simples: porque é a mais dura verdade. A mais dura verdade sobre nós mesmos.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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