Pular para o conteúdo principal

A EXPRESSÃO CRISTALINA DE UM MAL

Ler é uma arte. Uma arte que, se tivermos esmero, dedicaremos nossa vida inteira para aprimorá-la. Todo bom leitor sabe disso e aceita essa realidade com grata alegria.

 

Sim, existem boleiras de pessoas que leem por ler. Também há outras que o fazem apenas para se informar superficialmente a respeito de qualquer coisa, só para ter o que falar nas rodas de prosa, sejam esses círculos infernais presenciais ou digitais. E, é claro, há muitos que apenas dizem que leem e que gostam do babado, mas não leem nadica de nada e não gostam nem um pouco daqueles que se dedicam a esse paranauê.

 

Porém, existem aqueles que leem para dilatar a sua capacidade de compreensão, para ampliar o horizonte da sua imaginação, para aprofundar o seu poder de avaliação e, é claro, para inspirar-se com novos ares e vislumbrar nossas possibilidades.

 

Para tanto, para ler com o intento de atingir tais objetivos, não se pode ter pressa, nem afobação, nem raivinha, senão a gente vira o pote e faz aquela lambança. Há de se ter paciência e generosidade não apenas para ler, mas principalmente para reler o que foi lido, quantas vezes nos parecer necessário.

 

É imprescindível que se tenha disposição para refletir a respeito do que nos foi apresentado e, é claro, arrojo para silenciar o alvoroço que se faz presente em nossa alma, algazarra essa que clama para criticar e condenar tudo, tudinho, antes mesmo de termos tido tempo para compreender alguma coisa.

 

De mais a mais, essa folia de criticar por criticar, sem esforçar-se minimamente para compreender o que estamos condenando com nossa boçalidade crítica, nada mais é do que a expressão clara e cristalina de um trem fuçado chamado analfabetismo funcional.

 

[CADINHO DE PROSA # 27/08/2022]

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O SENHOR DAS MOSCAS SOB NOVA DIREÇÃO

Dias atrás, todos devem ter tomado conhecimento do acontecido em uma escola de ensino fundamental, onde os alunos de uma turma colocaram cacos de vidro na água da professora. Diante do ocorrido, penso que há dois pontos que devem ser levados em conta. Primeiramente, não há o que discutir: isso foi uma monstruosidade. Em segundo lugar, temos muito que discutir, porque isso é uma monstruosidade. E a primeira pergunta que todos nós deveríamos fazer é como permitimos que algo assim acontecesse. E não me refiro apenas às autoridades constituídas, às famílias, aos professores e tutti quanti. Refiro-me, sim, à sociedade — toda ela —, porque o tempo todo as crianças estão aprendendo, e estão aprendendo conosco através de nossas palavras, atos e omissões. De todas as nossas falhas, há uma que está no cerne desta trágica questão: a nossa recusa, o nosso medo de agir como adultos diante dos infantes. Isso mesmo! A nossa recusa em educá-los. A sociedade se nega a esse papel porque exercê-lo é desc...

A JOIA QUE FOI MALANDRAMENTE PERDIDA

No livro “A bacia de Pilatos”, de Humberto de Campos, há um conto que nos apresenta a história de um padre italiano que estava vindo para o Brasil. Quando o navio estava se aproximando da baía de Guanabara, ele se dirigiu ao convés para contemplar a paisagem. E eis que, do nada, apareceram duas portuguesas. Pediram a bênção e perguntaram se o vigário conhecia o Brasil. Ele disse que sim e que, na sua humilde opinião, não existia lugar mais belo na face da Terra. Impressionadas com o entusiasmo do homem de Deus, perguntaram-lhe como era a fiscalização e, de pronto, ele disse: “Rígida, minhas filhas. Não passa nada.” Então, as duas abriram o jogo. Disseram que estavam vindo para assumir a herança de um tio, uma propriedade em Barbacena (sempre em Barbacena), e que, por isso, estavam trazendo consigo as joias da família; joias essas que estavam há gerações na família e que, por essa razão, não dispunham de nota fiscal. Diante disso, elas temiam perdê-las na aduana. E o que é que o padre t...

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...