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AQUELA PEQUENEZ QUE NÃO NOS ABANDONA

O escritor Josué Montello nos ensina que o dever número um de um crítico é compreender. Com base nesta lição devidamente aprendida com o mestre, sempre procuro deixar claro para meus alunos que eles não têm a menor obrigação de concordar com uma opinião quando essa lhes é apresentada, pouco importa quem seja o seu autor; entretanto, eles têm o dever moral de, com sinceridade, esforçar-se para realmente compreendê-la. Lição similar é-nos ensinada através da obra do filósofo Mário Ferreira dos Santos, que procurava, nas palavras dele, identificar em todas as filosofias de que tomava conhecimento as suas “positividades” e, é claro, as suas “negatividades”, através de uma análise “decadialética”. Procedendo por este riscado, ele conseguia ter uma visão ampla e profunda a respeito das ideias e opiniões de que discordava e, de quebra, acabava aprofundando e ampliando os fundamentos de suas próprias interpretações e pontos de vista. Um exemplo mui ilustrativo de seu modus operandi foi o deb...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #005

Os grandes feitos não são realizados pela força, pelo dinheiro ou por qualquer traquitana similar, mas sim por meio da perseverança. # É muito importante sempre lembrarmos, e nunca esquecermos, que o fato de não termos poder não significa, necessariamente, que somos impotentes. # Como bem nos lembra Oscar Wilde, o mistério do amor é maior que o mistério da morte. Não é à toa que o segundo só é compreendido à luz do primeiro. # Um fato inquestionável, que é desdenhado pelos burocratas, é que a dificuldade é a mãe da aprendizagem ou, como reza o ditado popular: a dor ensina a gemer. # Nada revela mais a ingenuidade de uma pessoa do que um ato de indiscrição. # Devemos sempre procurar fazer a nossa parte, conscientes de que, na maioria das vezes, ela não será suficiente. # O descaso e o desrespeito para com o magistério irão cobrar um preço muito pesado da nossa sociedade. Na verdade, já está sendo cobrado.  * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e beb...

A VOZ QUE NINGUÉM QUER OUVIR

Um dos bens mais preciosos de que dispomos é o silêncio interior. Bem esse que o mundo moderno, através dos mais variados subterfúgios, tenta nos furtar, aliciando-nos a nos entregarmos de corpo e alma ao alarido e à dispersão, em uma farta variedade de manifestações. Se temos ciência do real valor deste bem, sabemos que todo santo dia temos que travar o bom combate para defendermos nossa solitude e, com ela, resguardar a nossa sanidade mental, moral e espiritual. Como bem nos lembra Umberto Eco, a cultura de massa não é um elemento externo, presente apenas na caixola dos outros — nada disso. Todos nós estamos imersos nela, somos afetados direta ou indiretamente por ela e, em maior ou menor medida, a dita-cuja se faz presente dentro de nós (lá ele!), perturbando e deformando o nosso modo de ser, turvando a nossa percepção de tudo, de todos e de nós mesmos. Sim, temos que pelejar um dia de cada vez, mas o Tempo Quaresmal é um momento propício para reforçarmos as trincheiras e defende...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #004

Feliz de quem é capaz de atravessar esse vale de lágrimas com mil e uma razões para viver. # As pessoas, independentemente do peso, são pesadas demais para que sejam levadas nos ombros. Por isso, levemo-nos uns aos outros no coração. # Apesar dos diferentes sobrenomes, somos todos filhos do mesmo Pai. # A melhor maneira de ajudar os outros é, segundo Dom Helder, levá-los a tomar ciência de sua capacidade de pensar e, deste modo, demonstrar que eles são capazes de refletir. # Existem muitas penitências e todas elas são muito boas; mas não há melhor penitência, segundo Dom Helder, do que aquela que Deus coloca em nosso caminho. # Deus nos ensina a não aceitarmos facilidades, nem a nos acomodarmos no conforto, mas a encontrarmos o sentido da vida na dureza da nossa cruz de cada dia. # As perguntas que não querem calar e que não devem ser ignoradas por nós: qual é o medo que nos motiva? Qual é o medo que nos paralisa? * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador ...

REFLEXÕES HETERODOXAS DE UM ESCREVINHADOR #003

Quem tivesse uma centelha da verdadeira caridade perceberia, de imediato, que todas as realidades terrenas estão cheias de vaidade. # O Brasil atual está organizado de tal forma que se produz cada vez menos e paga-se cada vez mais pelo que se deixou de produzir. # Curta ou longa, a marcha da nossa caminhada deve ser constante. # Como nos ensina Fernando Savater, estar sem poder não é a mesma coisa que ser impotente. # Há, segundo Freud, duas maneiras de ser feliz neste mundo alienado e alienante: uma é fazer-se de idiota e, a outra, é sê-lo. # Deus fez as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas. Vejam só como são as coisas: todos acabam usando as pessoas e amando as coisas. # Dom Helder Câmara nos ensina que há criaturas que são como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura. # Outra de Dom Helder Câmara: é graça divina começar bem; graça maior é persistir na caminhada certa, mesmo que seja difícil; mas graça das graças é não des...

A VISÃO AQUÉM DO ALCANCE

O ditado popular afirma que, em terra de cego, quem tem um olho é rei; porém, há quem desconfie de que, em terra de cego, quem tem um olho pode ser tido na conta de maluco. Bem, diante das duas possibilidades, algo me diz que a segunda seja a mais razoável. Compreender qualquer coisa com um mínimo de profundidade sempre nos traz uma sensação de satisfação, porque dissipa as brumas que até então turvavam o nosso entendimento a respeito de um determinado assunto; mas também, de lambuja, projeta sobre nós a impressão de que uma fatia significativa das pessoas irá nos olhar de soslaio, como se fôssemos uma figura esquisita, para dizer o mínimo. E está tudo bem. E está tudo bem porque conhecer não é repetir aquilo que nós e nossos semelhantes já sabemos. Aliás, fazer isso é apenas reforçar o senso comum que cultivamos e partilhamos com os demais. Conhecer é expor-se ao risco de equivocar-se e, equivocando-se, sentir-se obrigado a corrigir-se ou ser corrigido; e, como todos nós muito bem sab...

MUITO ALÉM DO REINO DAS ÁGUAS CLARAS

Diante dos dilemas que a vida nos apresenta, podemos reagir de inúmeras maneiras, dependendo do nosso temperamento, da disposição do nosso espírito, da nossa força de vontade e, é claro, dos valores que norteiam a nossa caminhada por esse mundão de meu Deus. Mas penso que podemos agrupar todas as reações humanas possíveis e pensáveis diante dos perrengues em três tipos de atitude, as quais poderíamos chamar de: ativa, passiva e alternativa. Pouco importa qual seja o quadro; esses são os três balaios nos quais, penso eu, podemos reunir as diversas formas de conduta diante dos entreveros que pintam em nosso caminho. Para explicar as três atitudes possíveis frente à vida, convido o amigo leitor a imaginar-se em uma canoa, navegando no remanso de um rio qualquer e, lá pelas tantas, eis que as águas mudam de temperamento, tornando-se uma corredeira. Para a nossa infelicidade, temos nossa vista invadida pela imagem borbulhante de uma cachoeira que, de forma inclemente, quer porque quer nos ...