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NÃO PROCURE DESCULPAS NEM CULPADOS - Notas e reflexões heterodoxas

1. A maior evidência de que o amor não mais pulsa em nosso peito é o fato de que, nestas terras de Pindorama, ele se tornou slogan de um partido político e a identidade de uma ideologia que, literalmente, é a sistematização do ressentimento fantasiado de indignação moral.


2. O historiador Arnold Toynbee nos ensina que, quando temos a idolatria de termos, ideias e palavras desgastados pelos usos e abusos das línguas maliciosas, isso seria um claro sinal de que as instituições sobre as quais a sociedade foi edificada estão em ruínas. E o que virá após a sua queda não é, de jeito maneira, o melhor dos mundos.


3. Euforia do momento não é felicidade — se não somos capazes de perceber isso, é sinal de que a coisa está muito feia. Da mesma forma, silêncio não é apatia, muito menos tristeza — se não compreendemos isso, aí é melhor abandonar tudo de vereda.


4. Um dos maiores impulsionadores da corrupção é a falta de amor ao próximo. Simples assim. Quando deixamos de estender a mão aos desvalidos, quando viramos as costas aos necessitados, quando não procuramos acolher os aflitos, sem nos darmos conta semeamos fartamente o ressentimento e abrimos espaço para que o Estado desempenhe, de forma maliciosa e maquiavélica, um papel que até então era de cada um de nós.


5. Programas assistenciais que não tenham por objetivo, a médio prazo, promover a autonomia daqueles que foram auxiliados não são atos de generosidade; são apenas maquiavelismo eleitoreiro, que tem por finalidade garantir que os assistidos permaneçam dependentes e que os donos do poder possam continuar no comando da festa — que não é de todos, muito menos do povo.


6. Thomas Sowell, em seu estudo sobre as ações afirmativas no mundo, chama-nos a atenção para o óbvio ululante: o problema inerente a todo programa assistencial promovido pelo Estado é que, indiretamente, ele gera uma demanda política, um nicho eleitoral. Dito de outra forma, todo programa cria a sua clientela e, como todo político é muito astuto em fazer cálculos eleitorais, uma vez iniciado, dificilmente o programa encontrará o seu fim — tendo em vista que todo cacique político moderno sabe muito bem, muitíssimo bem, como defender seu lugar ao sol junto às úberes estatais.


7. Panem et circenses. Enquanto houver pão e circo, a república segue seu rumo — assim diziam os astutos patrícios romanos que ditavam os rumos do mundo clássico. Os séculos passaram, o continente é outro e o país é a nossa amada terra de desterrados, mas a velha malícia que garantia as diretrizes da desordem romana continua fazendo escola aqui entre nós.


*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “BEM LONGE DO CORAÇÃO SELVAGEM”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela 




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