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NÃO ADIANTA FUGIR DO ASSUNTO

Muita coisa já foi escrita a respeito da importância da leitura para uma vida bem vivida e, algo me diz, muito ainda será escrito sobre este assunto candente, porque, como todos nós sabemos — e fingimos não saber —, ler e escrever não são habilidades inatas. Muito pelo contrário, elas são aprendidas a duras penas, e quem diz o contrário ou está enganado ou mentindo de forma canhestra.


Por isso, não é à toa nem por acaso que a grande maioria das pessoas que aprende a ler e escrever utiliza essas preciosas habilidades apenas em situações profissionais, onde elas são indispensáveis, ou em circunstâncias de pouca valia, como um bate-boca em um grupo de WhatsApp ou em uma rede social qualquer. Fora disso, a leitura, juntamente com a escrita, é desdenhada de forma soberba.


Ora, não são poucas as pessoas, detentoras de um canudo que atesta a sua passagem pelos bancos do ensino superior, que enchem a boca para dizer que nunca leram um livro de fio a pavio (acreditem, existe muita gente desse naipe).


Aliás, pelo tom condescendente das vozes que afirmam isso, dá-se a impressão de que, no “entendimento” delas, ler um livro é algo infantil, restrito a uma reles e passageira obrigação escolar. Talvez o único momento que tais figuras realmente tiveram contato com um livro e com uma biblioteca foi em uma instituição de ensino e, só de lembrar, sentem gélidos calafrios descendo pela espinha.


E vejam só como a banda toca: são justamente essas figuras, figurinhas e figuraças que adoram dizer que é um absurdo o estado em que nosso sistema educacional se encontra, que é o fim da rosca vermos nossas crianças e adolescentes aferrados a telas de celulares e televisões, desdenhando a prática da leitura, os estudos e blá-blá-blá e, ao fazerem isso, não percebem, nem de longe, que um dos responsáveis por esse quadro são elas mesmas.


A verdade patente que todos nós preferimos varrer para debaixo do tapete é que toda educação começa com o bom exemplo de vida que os infantes testemunham diariamente. Dito de outro modo: sermões e palestras entram por um ouvido e saem pelo outro, enquanto os exemplos, sem dizer muita coisa, arrastam, porque significam tudo.


Esse é o ponto de partida, esse é o problema central que, se não for assumido e resolvido por cada um de nós, nos forçará a continuar sendo esse trem fuçado que somos.

 

*

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO”, entre outros livros.

https://lnk.bio/zanela



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