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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

O REAL PREÇO DO AMOR

Se há uma palavra que é vilipendiada é esta: amor. É um Deus que nos acuda. Todos usam-na para dizer o que bem entendem, ao mesmo tempo em que negam aquilo que o amor de fato é. Muitas outras palavras também são avacalhadas, mas essa, como bem nos ensina o sociólogo Pitirim Sorokin, ocupa o cerne da vida em sociedade e, sua mutilação, tem severas consequências no tecido social.   Mas, afinal, o que é esse tal de amor? Pra começo de conversa, não é só uma palavra, nem um sentimento que faz o coração bater mais forte. Como nos ensina L. Lavelle, o amor é um estado do ser. O amor é aquilo que mais profundamente somos e, por isso, devemos, com humildade, cultivá-lo em nosso modo de ser, como nos lembra Gabriel Marcel.   Logo, podemos dizer que, quando um grupo de pessoas sai dizendo que é “a turma do amor” e que, aqueles que se opuserem a “sua turma”, seriam os “comensais do ódio”, é sinal de que estamos diante de uma arapuca mal armada para capturar figuras desavisadas.   Le...

PARA NÃO TERMINAR COM OS BURROS N’ÁGUA

Como bem nos ensina Miguel de Unamuno (acho que foi ele, se não me falha a memória), a filosofia é uma espécie de sacerdócio, o sacerdócio do homem livre. Infelizmente, não são poucas as almas servis que, sem dó, aviltam essa nobre prelazia.   #   A galera do bem, e a turma das pessoas de bem, vivem confundindo princípios universais com a sua aplicação prática em espinhosas situações.   #   Numa sociedade midiatizada, podemos dizer que o uso da palavra, escrita e falada, foi democratizado. Nesse cenário, as almas medíocres agitam-se tomando a palavra para si e, de forma leviana, querem porque querem calar a verdade, enquanto as almas aquilatadas se permitem ser tomados pela palavra para poder, através dela, comunicar-se com a verdade e a ela servir.   #   É importante lembrar e, se possível for, nunca esquecermos que, os atos de bravura nem sempre são feitos por coragem. Muitas vezes, as razões são outras e nem um pouco virtuosas.   #   Frequentem...

SENDO FEITO DE GATO E SAPATO

Todo pacato cidadão, uma vez ou outra, acaba ficando meio apoquentado quando recebe as últimas notícias. Todo indivíduo que se sujeita a acompanhar caninamente o que é vinculado pela grande mídia, e pelas redes sociais, necessariamente irá se sentir, em alguma medida, sufocado e, tal sensação, acaba, por distração nossa, sendo vista como um sintoma de “profundidade”, só que não.   Quando cremos que estamos muito bem informados, a respeito de tudo, simplesmente porque mantemos os olhinhos, vidrados, junto as últimas “micagens noticiosas” que são apresentadas pelos telejornais e similares, é sinal de que a nossa compreensão do que seja essa tal de “profundidade” é, no mínimo, questionável.   Quando olhamos o presente midiatizado como sendo o centro de toda a realidade, sem nos darmos conta, terminamos por amputar qualquer possibilidade de análise da atualidade dentro de um quadro mais amplo, que apenas pode ser apresentado pela história com suas múltiplas referências, narrativas...

NO CAMINHO PARA DAMASCO A PORCA TORCE O RABO

Uma das cenas mais impactantes da história da humanidade, com toda certeza, é a conversão de São Paulo; aquela cena onde Saulo se esborracha com as ventas no chão quanto um clarão o cega e uma voz - titânica, porém, mansa - pergunta-lhe porque ele, zeloso fariseu, estava perseguindo-O.   Essa cena que, confesso, sempre me comove quando medito sobre ela, é um poderosíssimo símbolo que, de modo cristalino, nos exibe uma possibilidade latente na vida de cada um de nós.   Podemos dizer que todos nós iremos, em algum momento, ter a nossa viagem rumo a Damasco, para realizar aquilo que acreditamos ser a grande missão da nossa vida e, bem no meio do caminho, como diria Drummond, iremos nos deparar com uma pedra que poderá mudar para sempre os rumos do nosso caminho.   Quando isso ocorrerá não temos como saber; e nem devemos especular. Mas uma coisa é certa: um dia teremos o nosso encontro com a verdade sobre nós mesmos e, quando isso ocorrer, cairemos rente ao chão como Saulo e,...

QUANDO A BRISA TOCA NOSSAS MELENAS

Existem muitas formas de sermos tontos, em termos políticos. Para isso, a criatividade humana não encontra limites, infelizmente. Uma delas é quando procuramos ver tudo a partir do conforto proporcionado pela sombra de uma bandeira ideológica (ou supostamente ideológica); outra é querermos nos distanciar de tudo, sob a proteção cínica que obtemos quando ficamos em cima do muro; e ambas, cada uma do seu jeito [passional], nos brindam com uma perspectiva bem torta a respeito da realidade e sobre nós mesmos.   #   Conheça a ti mesmo. Todos conhecemos essa admoestação que se fazia presente nos umbrais do Oráculo de Delfos. Admoestação essa que nos convida a refletir sobre a nossa humana condição; porém, como bem nos adverte Johann Goethe, se viermos a nos conhecer direitinho, é bem provável que saiamos correndo em desatino, fugindo de nós mesmos.   #   Diante da atual conjuntura em que se encontra o nosso triste país, constata-se que apenas os histéricos estão satisfeito...

PARA QUE A ALMA NÃO VENHA A GANGRENAR

O escritor Osman Lins, em seu livro “Do ideal e da Glória – problemas inculturais brasileiros”, nos ensina que a escrita, com sua humildade e discrição, acaba sendo colocada no espírito do homem contemporâneo numa posição de inferioridade, devido à presença privilegiada que outros meios de comunicação acabam tendo na atualidade.   Tal situação, por certo e por óbvio, acaba por afetar a forma como nós pensamos o mundo e, é claro, o modo como encaramos a vida, tendo em vista que é inegável que o desdém pela leitura modifica, de forma tragicômica, a nossa capacidade de reflexão e ponderação.   E não adianta ficarmos dizendo que isso afeta apenas e tão somente as tenras gerações. Nada disso cara pálida. Como bem nos lembra Umberto Eco, eu, você, todos nós, em alguma medida, temos o nosso horizonte de compreensão ferido pelas velhas e novíssimas mídias.   Como filhos do nosso tempo, paridos e misturados a tudo que nele há, sem nos darmos conta, acabamos sofrendo a corrosão que...