Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 25)

Ter pressa além de ser um desperdício absurdo de tempo é uma forma estúpida, tremendamente cretina, de envenenar o nosso discernimento.

 

#   #   #

 

Juízos e opiniões afobados mofam bem depressa e perdem o seu valor com a mesma velocidade que foram evacuados.

 

#   #   #

 

Não existem soluções simples. Seja no mundo concreto, seja num conto de fadas, elas são o que são: delírios perigosos.

 

#   #   #

 

Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que os habitantes da Terra Média, do Brasil e demais adjacências, são capazes de imaginar.

 

#   #   #

 

Uma das grandes burrices que cometemos, frequentemente, é a de reduzirmos a amplitude da nossa alma à medida limitante das circunstâncias presente, ao invés de procurarmos, a partir do presente limitado, ampliar as nossas circunstâncias à medida da amplitude das possibilidades latentes na alma humana.

 

#   #   #

 

Um bom combate não se trava apenas com um único tipo de golpe, repetido esquizofrenicamente até a exaustão. Uma boa peleja se trava com uma combinação diversificada de ataques, defesas, fintas, avanços e recuos, com o intento de ser eficiente, propositivo e cabal, em cada movimento realizado. E isso vale tanto para as artes marciais quanto para a vida, para a nossa vida.

 

#   #   #

 

Patriota é quem conhece a história da sua pátria, com suas glórias e vergonhas e, por amor à verdade, não exacerba os louvores diante dos louros do passado, nem tenta apagar os vexames pretéritos. Uma pessoa que realmente ama o seu país procura conhecer a sua história para com ela aprender a ser alguém melhor. Qualquer coisa fora desse riscado, com o perdão da palavra, é apenas fanfarronice de otário que imagina que a vida cívica seria somente uma reles sequência de fotos de uma micareta sem graça.

 

#   #   #

 

Sem uma boa dose de humildade e paciência não se extrai da História nenhuma ciência. Edifica-se uma caricatura disso, mas não se forja uma consciência histórica sólida sem essas discretas virtudes.  

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NA NOITE MAIS ESCURA

Lembro-me de ter lido, num dos livros de Domenico De Masi — Criatividade e Grupos Criativos: Descoberta e Invenção —, que um cidadão ateniense adulto, por volta dos seus trinta anos de idade, teria assistido a aproximadamente trezentas peças de teatro. Ao ler isso, mais que depressa, coloquei-me a matutar com meus alfarrábios e a me perguntar quantas peças assisti em minha porca vida. Quantas? Pouquíssimas, tendo em vista que sempre fui um caipira que vive entocado no mato. Na verdade, poucas são as pessoas que podem se vangloriar de ter tido a grata satisfação de assistir a tantas peças. Pouquíssimas mesmo. Ao constatar isso, porca miséria, fiquei pensando em minha inenarrável miséria cultural e no quão apartada minha alma encontrava-se do terapêutico efeito catártico que o teatro pode proporcionar ao coração humano, instalando-nos na realidade e ordenando as nossas paixões e inquietações. Mas então, lembrei-me da grande paixão que, desde menino, nutro pela sétima arte e toquei-me da ...

A VIDADE DA CRÍTICA DESNECESSÁRIA - Notas e reflexões heterodoxas

1. Todo bom mané gosta de dizer que pensa criticamente, como se afirmar isso transformasse sua opinião sem valia em alguma coisa que preste. # 2. Toda vez que dizemos que apreciamos a opinião de alguém por considerarmos a pessoa crítica, não estamos dizendo que o que foi dito seja algo inteligente pra caramba. Nada disso, cara-pálida. Na real, estamos apenas dizendo que concordamos com o que foi dito pelo fulano porque está de acordo com aquilo que nós pensamos. Só isso e olhe lá. # 3. Quando o assunto é esse trololó de criticidade, estou com o filósofo espanhol Gregorio Luri, que, de forma curta e grossa, feito pino de patrola, nos lembra que apenas podemos dizer que pensamos criticamente quando somos capazes de pensar a partir dos corolários opostos às nossas convicções e, vez por outra, sermos capazes de discordar de nós mesmos — de admitir que estávamos redondamente errados. Se não somos capazes disso, sinto muito, mas nós não somos críticos nem na casa do chapéu. # 4. Colocar defe...

A PEDREGOSA ESTRADA DA CIDADANIA

É curioso quando começamos a refletir sobre o tempo e, ao fazê-lo, as primeiras palavras que nos vêm à cabeça são aquelas presentes nas páginas do livro Confissões, de Santo Agostinho, onde o bispo de Hipona pergunta: o que é o tempo? E, na sequência, responde-nos: se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei. E é curioso refletirmos sobre isso porque, quando paramos para prestar a devida atenção na forma como experienciamos o tempo em nossas venturas e desventuras pra lá de humanas, notamos, num piscar de olhos, que suas três dimensões estão sempre presentes — juntas, fundidas e misturadas — em nosso horizonte de percepção. Como bem nos ensinam Gilberto Freyre e Peter Berger, todos nós guardamos em nossa consciência os fragmentos do passado, de tudo aquilo que foi vivido e testemunhado por nós. Por isso mesmo, esse passado em cacos sempre pode sofrer uma ressignificação, uma nova interpretação à luz daquilo que está sendo vivido por nós no pr...