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DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 15)

Em momentos de crise, urge que tenhamos paciência. É imperioso porque, em tais situações, tudo à nossa volta quer nos levar a perdê-la e, junto com ela, o pouco discernimento que nos resta.

 

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Não se restitui a moral de um sujeito ardiloso com uma canetada maquiavélica dada por um lacaio togado em um pedaço de papel [dupla-face] usado.

 

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Adivinhem qual é o nome que se dá para um regime onde qualquer questionamento desconfortável é considerado uma ameaça às instituições? Pois é, foi o que eu pensei. Porém, mesmo assim, os desavisados continuam e continuarão acreditando que todos os abusos são válidos para legitimar a farsa que, no entendimento deles, os torna vitoriosos e os beneficia de alguma forma.

 

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Ser calado por um tirano, que vive entocado em sua sinecura, é uma grande honra perante o tribunal da História. Agora, bater palmas para o tiranete que silenciou a voz daqueles que não temem dizer a verdade, é a única atitude que podemos esperar das almas sebosas, a única.

 

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O Brasil, desde que se tornou uma nação independente, até os dias atuais, vive uma sucessão de crises. Uma no rabo da outra. Seja nos idos coroados, seja nos tempos republicanos, em nosso país, remansos de estabilidade política, foram sempre breves exceções num mar turbulento de convulsões.

 

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Não pergunte, não questione, não suscite nenhuma dúvida, nem queira entender coisa alguma, para não correr o risco de ser caracterizado como um praticante de “atos anti-democráticos”. Apenas concorde, diga amém para todos os desmandos instituídos e cale-se, servilmente, para o bem [dos donos] da nação.

 

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Todos vivemos sob a influência de filósofos mortos. Todos, sem exceção. Principalmente aqueles que não leem bosta nenhuma e se ufanam disso, crentes de que a sua abstinência filosófica seria a expressão de um profundo realismo.

 

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Somos todos influenciados por incontáveis forças, de múltiplas ordens. A diferença é que alguns esforçam-se para tentar identificar quais seriam essas influências, enquanto outros [servilmente] contentam-se em ser meros marionetes nas mãos das ditas cujas.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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