Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO DE INSIGNIFICÂNCIAS E INCONGRUÊNCIAS (p. 15)

Em momentos de crise, urge que tenhamos paciência. É imperioso porque, em tais situações, tudo à nossa volta quer nos levar a perdê-la e, junto com ela, o pouco discernimento que nos resta.

 

#   #   #

 

Não se restitui a moral de um sujeito ardiloso com uma canetada maquiavélica dada por um lacaio togado em um pedaço de papel [dupla-face] usado.

 

#   #   #

 

Adivinhem qual é o nome que se dá para um regime onde qualquer questionamento desconfortável é considerado uma ameaça às instituições? Pois é, foi o que eu pensei. Porém, mesmo assim, os desavisados continuam e continuarão acreditando que todos os abusos são válidos para legitimar a farsa que, no entendimento deles, os torna vitoriosos e os beneficia de alguma forma.

 

#   #   #

 

Ser calado por um tirano, que vive entocado em sua sinecura, é uma grande honra perante o tribunal da História. Agora, bater palmas para o tiranete que silenciou a voz daqueles que não temem dizer a verdade, é a única atitude que podemos esperar das almas sebosas, a única.

 

#   #   #

 

O Brasil, desde que se tornou uma nação independente, até os dias atuais, vive uma sucessão de crises. Uma no rabo da outra. Seja nos idos coroados, seja nos tempos republicanos, em nosso país, remansos de estabilidade política, foram sempre breves exceções num mar turbulento de convulsões.

 

#   #   #

 

Não pergunte, não questione, não suscite nenhuma dúvida, nem queira entender coisa alguma, para não correr o risco de ser caracterizado como um praticante de “atos anti-democráticos”. Apenas concorde, diga amém para todos os desmandos instituídos e cale-se, servilmente, para o bem [dos donos] da nação.

 

#   #   #

 

Todos vivemos sob a influência de filósofos mortos. Todos, sem exceção. Principalmente aqueles que não leem bosta nenhuma e se ufanam disso, crentes de que a sua abstinência filosófica seria a expressão de um profundo realismo.

 

#   #   #

 

Somos todos influenciados por incontáveis forças, de múltiplas ordens. A diferença é que alguns esforçam-se para tentar identificar quais seriam essas influências, enquanto outros [servilmente] contentam-se em ser meros marionetes nas mãos das ditas cujas.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A EDUCAÇÃO QUE NÃO TEMOS

Uma vez um sacerdote, ao final de uma Missa, disse laconicamente — de forma curta e grossa, feito um pino de patrola — que Deus não resiste a um homem de joelhos e com seu coração na mão, porque não há nada mais encantador neste mundo do que um coração humilde voltando as batidas dos seus átrios e ventrículos para o Alto. E, sejamos francos: estes dois pontos foram excluídos do horizonte da vida moderna. E não estou falando de senso religioso, não. Refiro-me à virtude da humildade como alicerce do ato de aprender, como bem nos ensina Hugo de São Vítor em seus “Opúsculos sobre o modo de aprender”, e ao senso de hierarquia, que é um instrumento imprescindível para ordenar os nossos apetites, inclinações, aptidões e habilidades para que possamos nos aprimorar como pessoa e, consequentemente, nos elevar em dignidade e verdade, como bem nos lembram tanto Gustavo Corção quanto José Ortega y Gasset. De mais a mais, é importante lembrar que a virtude da humildade não pode, de jeito-maneira, ...

A DESTRUIÇÃO SILENCIOSA DAS BIBLIOTECAS

Todos, ao menos da boca para fora, afirmam que a prática da leitura é de fundamental importância para o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa; porém, a maneira como o ato de ler é apresentado soa, no mínimo, engraçada porque, na grande maioria dos casos, ele é tratado como se fosse algo natural e simples que, uma vez aprendido, estaria sacramentado, pronto e acabado. Pois é. Mas não é bem assim que a banda toca. Como nos lembra Gregorio Luri, ler não é algo natural — nada disso. Seu aprendizado exige esforço e deve ser consistente porque, antes de qualquer coisa, ler é colocar um texto dentro de um contexto; do seu devido contexto. Isso exige um grande empenho de nossa parte, e é justamente aí que a porca torce o rabo. A decodificação de um texto exige do leitor, além da capacidade de situar o escrito em um contexto apropriado, um domínio crescente do vocabulário, uma fluência na decodificação das palavras, uma certa musicalidade no momento de entoá-las (seja verbal ou mentalmente...

O PESO DAS COISAS SIMPLES - Notas e Reflexões Heterodoxas Semanais

É muito fácil esquecer o enorme esforço psíquico que é exigido de nós para podermos aprender qualquer coisa com um mínimo de profundidade e destreza. No caso de algumas pessoas, nem isso — tendo em vista que inúmeros indivíduos nunca, nunquinha, se esforçaram minimamente para aprender algo com um mínimo de destreza e profundidade. # Todo brasileiro, inclusive eu e você, carrega no âmago de sua alma o cadáver de uma pessoa, de um indivíduo que poderia ter nascido e realizado mil e uma façanhas, mas que não nasceu porque foi abortado por nossa preguiça nem um pouco original. # Existem muitas coisas nesta vida que, por sua natureza, são complexas e, diante delas, devemos nos esforçar para estarmos à altura de sua complexidade. E não existe nada mais complexo neste mundo do que as coisas simples da vida. Não é à toa, nem por acaso, que nos complicamos por completo quando somos confrontados por elas. # Um dos elementos fundamentais que é, de certa forma, desdenhado por toda essa turma que v...