Pular para o conteúdo principal

AS INSTITUIÇÕES DEMOCRATICAMENTE VILIPENDIADAS

Existem termos que são utilizados para justificar inúmeras ações, devido a sua significação positiva no imaginário das pessoas.

 

Devido a isso, e a nossa imensurável leviandade, um conceito descritivo, acaba muitas e muitas vezes servindo como um porrete para legitimar decisões que, literalmente, são o seu oposto.

 

A história nos dá testemunho de muitos casos onde esse fenômeno se fez presente e, infelizmente, continuará a estar no meio de nós por muito tempo, tendo em vista que não somos muito bons em aprender as lições que a Mestra da vida tanto nos ensina.

 

Um bom exemplo do que estamos procurando chamar a atenção são os usos que são feitos em torno daquilo que se convencionou chamar de “instituições democráticas”.

 

Já repararam que tudo passou a ser justificado em nome dessas palavras, inclusive agir de modo autocrático e discricionário? Então reparem.

 

Por favor, não estou tirando esse trem da minha moringa, estou apenas lembrando que, já faz algum tempo, que ministros da mais alta corte desse país, tomaram decisões que enveredam para essa direção.

 

Não nos esqueçamos que o direito à liberdade de expressão é uma das colunas fundamentais de uma democracia, da mesma forma que o é o livre acesso a informação.

 

Quando essas garantias passam a ser relativizadas para que, em nome das “instituições democráticas”, possa-se silenciar uma parcela da população que apenas e tão somente almeja levantar algumas dúvidas, para que sejam devidamente sanadas, será apenas uma questão de tempo para que outros tenham a sua voz tolhida, por outros motivos, mas sempre, é claro, em nome das tais “instituições democráticas”.

 

E de tanto ouvirmos esse tipo de justificativa, acabamos esquecendo que instituições que não resistem a questionamentos, que repudiam a presença de manifestações pacíficas, podem ser muitas coisas, menos algo que exale odores democráticos, mesmo que apresentem-se como se fossem.

 

E se nós comemoramos o cerceamento da liberdade de expressar-se daqueles que consideramos indignos de exercê-la, é porque, bem provavelmente, a palavra democracia, em nosso vocabulário, na melhor das hipóteses, já não diz muita coisa. Na pior, é melhor nem dizer o que parece ser.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A NÉVOA DA PRESUNÇÃO

Há muito, Manuel Castells declarou que a época em que vivemos poderia ser chamada de “A Era da Informação”. Na verdade, ele não foi o único a apontar nessa direção, mas, até onde sei, é o único que escreveu uma volumosa trilogia para explicar esses tempos tão fascinantes quanto obscuros nos quais vivemos. É uma era fascinante pelo fácil acesso que temos às informações — de toda e qualquer ordem — quanto aos meios para produzir e disseminar tudo o que nos der na telha; e isso, venhamos e convenhamos, é algo realmente fascinante. Por isso, neste quesito, discordo tanto de Umberto Eco quanto de Jacques Le Goff quando estes afirmaram que a internet acabou apenas dando voz e vez aos idiotas de todo o mundo. Não que não tenhamos boleiras de tontos que dizem tonterias para uma multidão ávida por idiotices; claro que há. O problema é que a forma como eles afirmaram isso dá a impressão de que, na era anterior ao advento da internet, não havia disparates que eram disseminados a torto e a direi...

ENTRE O DESDÉM E A PRONTIDÃO - notas e reflexões heterodoxas semanais

Sem se darem conta, muitíssimas vezes os divergentes estão plenamente certos naquilo em que divergem. E é uma pena que estejam tão aturdidos pelas emoções do momento para perceberem que estão falando do mesmo problema a partir de perspectivas distorcidas. # Deus, em sua infinita e inefável sutileza, escreve o Seu santo nome na alma de cada ser humano. # Três conselhos providenciais que desdenhamos frequentemente: sejamos atentos, muito atentos, ao ouvir qualquer coisa, por mais banal que seja; procuremos estar sempre de prontidão para estudar, orar e trabalhar; por fim, nunca — nunca mesmo — nos afobemos para responder a alguém. # Três perguntas que toda pessoa deve fazer a si mesma: o que o ser humano deve fazer? O que, frequentemente, o ser humano faz? Quais são os motivos que levam o ser humano a fazer o que faz e a desdenhar aquilo que ele deveria fazer? # Tudo nos é útil, tudo, desde que não nos esqueçamos de que aqui estamos para servir a vontade de Deus. # Todos nós já levamos a...

COM O CORAÇÃO NA MÃO

Lembro-me da primeira vez que assisti ao filme A Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson. Como também não esqueço o guaju que se espalhou pelos quatro ventos contra a obra, com incontáveis figuras, figurinhas, figuraças e figurões rasgando as vestes por conta da forma crua com que o diretor procurou retratar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, do mesmo modo, não me esqueço das palavras ditas pelo Papa São João Paulo II que, ao ser perguntado sobre o que achou do filme, disse, de forma lacônica: “Foi assim”. Mas, como estava dizendo, não me esqueço da primeira vez que o assisti. Cheguei ao cinema, tomei meu assento e, enquanto aguardava o início da exibição, havia um clima levemente festivo dentro da sala de projeção, típico de um cinema. De repente, a luz foi apagada, a exibição começou e, gradativamente, o silêncio tomou conta da sala; o ambiente foi tomado pelas cenas da película, com os diálogos das personagens encenadas nas línguas da época — aramaico, hebraico e latim — junta...