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ROUBA, DIZ QUE FEZ, MAS NÃO FEZ NÃO

Ademar de Barros, figuraça carimbada da política brasileira, foi imortalizado em nossa história pela frase: "Adhemar rouba, mas faz".

 

Tudo começou mais ou menos assim: seu adversário Paulo Duarte, à época, denunciou inúmeros escândalos de corrupção do dito cujo, as famosas “negociatas”, dizendo: "Adhemar rouba”!

 

Diante das acusações, surgiu a frase "Adhemar rouba, mas faz”. Num primeiro momento, era apenas um slogan extraoficial e, em 1957, foi, de fato, utilizado como slogan de campanha para a prefeitura de São Paulo.

 

Com o tempo, muitos brasileiros, dos mais diversos rincões, quando iam defender seu candidato corrupto do coração, diziam, com todas as letras: “pois é, Fulano rouba, mas faz”.

 

Nos anos 90, lembro-me com clareza das inúmeras vezes que muitos de meus amigos marxistas, dos mais variados tons e matizes, diziam, e com razão, que esse tipo de defesa era um absurdo de fio a pavio, absurdo esse que, para a infelicidade geral da nação, refletia muito bem o estado putrefaz da cultura política brasileira, marcada profundamente pelo oportunismo rasteiro.

 

Mas, vejam só como o mundo dá voltas, tropeça e não cai. Nas páginas recentes da nossa história, desde os idos do primeiro mandato presidencial do “partido da ética”, abundaram as acusações, os escândalos e as condenações de membros da referida agremiação partidária.

 

Pois é. E todos aqueles que, nos anos 90, abominavam as “negociatas” e vociferavam contra elas, do dia pra noite, passaram a dizer, com todas as letras para quem estivesse com eles, seja na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê, que “Loola rouba, mas faz”.

 

Aí podemos matutar um cadinho com nossos alfarrábios e perguntar: teria o “partido da ética” sido corrompido pelo sistema, ou esse sempre foi o sistema ético do partido?

 

O “partido da esperança” teria traído os seus valores e ideais, ou a esperança do partido sempre foi poder se apropriar doutros valores para consolidar, lentamente, o ideal do seu projeto totalitário de poder?

 

Enfim, respondamos como bem quisermos a essas questões, apenas não nos esqueçamos que quem rouba, mas [diz que] faz, na verdade, deixa de fazer muita coisa porque preferiu a vilania ao invés da cidadania.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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