Pular para o conteúdo principal

APENAS UM ZOOLÓGICO BEM MODERNOSO

Tudo o que existe tem uma finalidade, e a finalidade de uma determinada coisa aponta para a razão de ser dela, para o sentido da sua existência.

 

Se ignorarmos essa realidade, corremos o risco de ficarmos perdidos, feito um morto-vivo num universo inundado de propósito, como bem nos adverte o filósofo Paul Ricouer e, no mundo contemporâneo, todos nós, cada um no seu quadrado, corremos o risco de perder de vista os fins substanciais, os objetivos maiores de uma vida bem vivida.

 

Diante disso, penso que devemos lembrar que a finalidade de qualquer coisa não está nela mesma, mas sim, para além dela.

 

Por exemplo, a finalidade de uma cadeira não se encontra nela mesma, ela está para além dela. Ou seja: cadeiras são feitas em razão da existência de nossos traseiros. Elas podem ter os mais variados estilos, podem ser feitas com os mais variados tipos de materiais, mas elas apenas são produzidas porque seres humanos tem bunda.

 

Do mesmo modo, a finalidade da vida humana não está na nossa mera existência biológica, nem tão somente em nosso convívio social. Nada disso. Tanto a nossa dimensão animalesca, quanto nossa perspectiva política e social, devem necessariamente ser articuladas levando em consideração aquilo que é a finalidade da nossa existência que é voltarmo-nos para as alturas celestes, para a realização da vontade de Deus.

 

Se ignoramos que a nossa vida tem uma finalidade e que esta preenche de sentido nossa jornada terrena, isso não significa que ela não terá sentido. Nada disso. Ela terá, mas uma finalidade que irá contrariar a nossa vocação existencial maior e que, consequentemente, acabará por mutilar a nossa humanidade.

 

Tendo isso em vista, fica patente o fato de que, no mundo moderno, move-se mundos e fundos no intento de edificar uma sociedade com base em valores que acorrentam os nossos olhos à dimensão terrena, como se fôssemos tão só e simplesmente animaizinhos num zoológico hi-tec, não seres dotados de uma alma imortal.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...