Pular para o conteúdo principal

ONDE TUDO SE APEQUENA

O fato de uma pessoa rotular os outros de machista, fascista e demais tranqueiras similares, não significa, de maneira alguma, que tais pessoas, que recebem esses rótulos infames, sejam isso ou aquilo, ou tudo isso junto e misturado.

 

Da mesma forma, uma pessoa que faça isso, com aquela carinha fofa de indignação, não significa, necessariamente, que ela seja uma pessoa melhor do que aquelas que estão sendo rotuladas por ela dessa forma abjeta.

 

Na real, é bem provável que uma pessoa que se entregue a esse tipo de coisa não seja, nem de longe, uma pessoa minimamente decente.

 

Ora, uma pessoa com um mínimo de integridade, pensa duas vezes antes de condenar alguém e, sejamos bem claros: rotular qualquer pessoa com um adjetivo vil é literalmente condenar um indivíduo com requintes de sadismo.

 

E o mais curioso é que, de um modo geral, as pessoas que frequentemente fazem isso são justamente as mesmas que vivem o tempo todo falando em empatia, cultura da paz e tutti quanti.

 

Pois é. Justamente essas pessoas, que falam tanto disso, não são capazes de manifestar um mínimo de empatia por aqueles que, para sua infelicidade, tornam-se alvo da verve insana e engajada da turminha que se considera tão crítica quanto esclarecida.

 

E, assim o é, porque no fundo as palavras para tais figuras tem apenas uma mera função instrumental, jamais dialogal.

 

Para essas pessoas, as palavras não são pontes que interligam nossa alma à realidade, para que possamos ter um vislumbre mais claro da verdade, nada disso. Para esses indivíduos as palavras seriam apenas elementos retóricos para vencer uma tomada de posição numa briguinha de momento, travada em nome de um projeto totalitário de poder.

 

Por isso, não é por acaso que os mesmos sujeitos que falam tanto em alteridade são justamente os mesmos que, garbosamente, se entregam de corpo e alma na realização de um linchamento virtual porque, para tais alminhas, tudo vale a pena, tudinho, porque em seus corações tudo, tudinho, se apequena.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO HETERODOXO #029

O que muitos chamam de cultura, de alta cultura, não passa de siricuticos de uma alma medíocre que se consome em risinhos histéricos. # Há algum antídoto para um simulacro de cultura e para uma consciência criticamente fingida? Sim: vergonha na cara e estudar com zelo e seriedade. # Ao romper de uma crise, podemos derramar lágrimas de angústia ou de arrependimento. Estas são lágrimas que lavam nossa alma; aquelas são as que irrigam nossas dores e excitam nossas mágoas. # Para entendermos de uma vez por todas que modismos não têm força para ditar as regras e guiar os rumos da história, basta que vejamos algumas fotos antigas. # Ser alguém na vida, muitas vezes, é uma forma de punição. # Ser autêntico é a base da genialidade. O problema é sabermos o que, de fato, seria essa tal de autenticidade neste mundo de simulacros. # É mais fácil manter a disciplina do que querer estar o tempo todo motivado. # Pecados que não provocam uma contrição em nosso coração geralmente nos levam a outros pec...

UMA VERSÃO MALACAFENTA DE NÓS MESMOS

A vida não é estática, por mais atarracada que seja a nossa maneira de encará-la. Ela é dinâmica, como nos lembra José Ortega y Gasset, e está em constante fluxo e refluxo, bonança e agitação, conforme as nossas decisões e frente às circunstâncias que se apresentam a nós.   Saber compreender e assimilar as circunstâncias da vida é a chave para que nos tornemos cientes das oportunidades e obstáculos que estão latentes e, principalmente, para nos tornarmos mais conscientes da pessoa que estamos nos tornando através das decisões que tomamos todo santo dia.   À primeira vista essa é uma tarefa simples por demais, porém (porque sempre há um porém), o nosso coração vive em desassossego, inquieto consigo, com tudo e com todos e, tal inquietude, é malandramente instigada pelo estilo de vida modernoso que levamos.   Aceitamos de bom-grado ser bombardeados com informações de relevância duvidosa, informações essas que chegam até nós pelas ondas da grande mídia, das redes sociais e d...

FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO HETERODOXO #028

Camus nos lembra que, para muitos homens, o êxito é uma lei e a brutalidade, uma tentação. # Patriotismo não é profissão. # Muitas vezes, aquilo que é considerado improvável pode tornar-se possível. # Os fins justificam os meios; por isso, se equivocam terrivelmente aqueles que estão embriagados com seus fins. # A vida, como nos ensina Umberto Eco, nada mais é do que uma lenta rememoração da infância. # Os imbecis acreditam que são sempre juízes mais serenos e justos do que Deus. # Os vícios precisam ser amados e defendidos por aqueles que são escravizados por eles. É assim que o mundo moderno funciona. # Os vícios precisam ser esfolados, não protegidos. * Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela - professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “REFAZENDO AS ASAS DE ÍCARO”, entre outros livros. https://lnk.bio/zanela