Pular para o conteúdo principal

REFLETINDO A PARTIR DA ORAÇÃO DOMINICAL # parte 02

Muitas das coisas que fazemos, com relativa frequência em nossa vida, acabam sendo feitas muitas vezes com pouco zelo e, assim o é, não tanto por má vontade de nossa parte ou por conta de qualquer coisa do gênero, mas sim, porque nós acabamos nos acostumando a tomar como referência apenas aquilo que é socialmente aceito como sendo "o ideal”.

 

Poderíamos colocar no centro das nossas reflexões inúmeras atividades realizadas por nós e, em todas elas, em cada uma delas, acabaríamos identificando algum grau de falta de zelo de nossa parte que se faz presente na execução de cada uma.

 

De todas as atividades que realizamos com relativa frequência, temos a oração que, muitas vezes, fazemos, como se diz, “de qualquer jeito”. Sim, nem sempre, mas, infelizmente, muitas vezes é bem desse jeito.

 

Tal situação, que se faz presente em nosso coração, em muito se deve à falta de humildade que impera em nosso peito, mesmo que não reconheçamos isso, mesmo que não admitamos que tal carência esteja bem ali.

 

É importante lembrarmos, sempre, que humildade não é modéstia e, também, não pode ser confundida com a mania brasileiríssima de fazer pose de coitadinho, de vítima ou de algo similar. Na verdade, o fato de permitirmos que tal confusão se instaure em nossa alma já é, em si, um claro sinal de uma desvairada e inconfessável soberba.

 

Quando nos colocamos em oração, e começamos a recitar o PATER NOSTER, penso que deveríamos procurar aproximar o tom de nossa voz interior do tom das palavras daquele ilustre anônimo, presente na Sagrada Escritura, que pediu ao Senhor para que Ele o ensinasse a rezar.

 

Reconhecer e admitir nossa real condição é um degrau indispensável para permitirmos que a Graça Divina limpe o nosso coração das ervas-daninha da vaidade e demais tranqueiras similares. Tal postura, como nos ensina o filósofo Louis Lavelle, diante de toda a criação e, obviamente, frente ao Criador, seria a mais perfeita expressão de devoção que, infelizmente, nos falta.

 

Quando reconhecemos nossa nulidade, quando nos prostramos de forma reverente diante da experiência inerente ao ato de orar, encontramos o nosso verdadeiro lugar, que não é tão majestoso, como muitas vezes presumimos, nem tão insignificante, como algumas vezes imaginamos.

 

Ao entrarmos no estado de oração, estamos permitindo que os umbrais de nosso ser sejam dilatados pela Luz do Espírito, para que ele possa dissipar as sombras do amor-próprio que nos impede de verdadeiramente amar a Deus e ao próximo, com simplicidade e discrição.

 

Juntamente com a atitude humilde, que nos purifica, vamos sendo conquistados por um novo olhar que vai mudando o nosso modo de questionar a vida e de vivê-la. Vamos nos tornando cônscios de que o conhecimento não pode brotar de uma postura arrogante perante a realidade, mas apenas pode aflorar quando compreendemos que conhecer é um ato de comunhão com a verdade, com Deus e com nossos semelhantes.

 

Quando dizemos “Pai Nosso”, estamos nos colocando diante de Deus e de toda a criação para aprendermos a ser filhos Daquele que é. E, deste ponto em diante, a criação toda volta os seus olhos para nós e, através dos olhos dela, passamos a nos ver por inteiro e a reconhecer a nossa real posição em relação ao Criador.

 

Aí começamos a entender o tamanho da verdade que essas duas palavras revelam, a cada um de nós, a nosso respeito.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.



 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

COM O CORAÇÃO NA MÃO

Lembro-me da primeira vez que assisti ao filme A Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson. Como também não esqueço o guaju que se espalhou pelos quatro ventos contra a obra, com incontáveis figuras, figurinhas, figuraças e figurões rasgando as vestes por conta da forma crua com que o diretor procurou retratar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, do mesmo modo, não me esqueço das palavras ditas pelo Papa São João Paulo II que, ao ser perguntado sobre o que achou do filme, disse, de forma lacônica: “Foi assim”. Mas, como estava dizendo, não me esqueço da primeira vez que o assisti. Cheguei ao cinema, tomei meu assento e, enquanto aguardava o início da exibição, havia um clima levemente festivo dentro da sala de projeção, típico de um cinema. De repente, a luz foi apagada, a exibição começou e, gradativamente, o silêncio tomou conta da sala; o ambiente foi tomado pelas cenas da película, com os diálogos das personagens encenadas nas línguas da época — aramaico, hebraico e latim — junta...

SOBRE A TIRANIA DO OLHAR ENVIESADO - notas e reflexões heterodoxas semanais

Errarmos na forma é algo compreensível e até mesmo aceitável; agora, errar na intenção não, porque são outros quinhentos. # Quando o homem empenha-se em negar o seu destino eterno, ele acaba, cedo ou tarde, perdendo a sua confiança na natureza humana, porque a nossa natureza decaída, sem o guiamento divino, é tremendamente traiçoeira. # Buscar a sabedoria, em sua essência, significa ter olhos e ouvidos atentos para toda e qualquer instrução que nos for brindada pela vida para, com ela, crescermos em espírito e verdade. # Nem mesmo um santo é capaz de dizer algo que toque profundamente o coração de um orgulhoso. # Deus veio revelar-nos o Seu rosto no rosto humano, nos mostrar a Sua presença perenemente refletida no nosso olhar. # Tomemos cuidado — muito cuidado — para não acabarmos nivelando a realidade ao patamar limitado e limitante das nossas interpretações pretensamente críticas. # A felicidade plena neste mundo é impossível; o impossível necessário. # Uma das principais causas dos ...

O AVESSO DA EDUCAÇÃO

Há um velho provérbio popular que nos lembra que a dor ensina a gemer. Dito de outro modo, seriam os obstáculos e as dificuldades a mãe e o pai do aprendizado, não a vida mansa sem nenhuma espécie de perrengue. Por essa razão, educadores como Jules Payot tinham uma clara consciência da importância da formação, da educação da vontade para que os indivíduos pudessem realmente crescer em espírito e verdade. Quando nossa vontade não é vergada, quando ela não é contrariada, ao invés de nos tornarmos indivíduos independentes, capazes de agir de forma minimamente eficaz, eficiente e efetiva, o que teremos como resultado majoritário são pencas e mais pencas de indivíduos que literalmente desmoronam todas as vezes em que têm a necessidade de realizar uma tarefa que exija um mínimo de esforço focado; porque, ao invés de tornarem-se autônomos, foram reduzidos a meras figuras autômatas. E vejam só como são as coisas: os antigos monges do deserto sabiam muito bem que o único animal que, por sua p...