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PARA ALÉM DAS BRUMAS QUE ESTÃO NO HORIZONTE

Mudar é preciso. Viver não é preciso. Sim, eu sei que não foi isso que o poeta disse, mas, ao que parece, esse é o canto que anima o baile que embala os corações de muitos.

 

Não são poucas as pessoas que clamam por mudanças, por transformações, porém, tais figuras, esperançosas até o tutano, se esquecem de levar em consideração o fato de que o início de uma mudança desejável, por pequena que seja, necessariamente acaba abrindo espaço para inúmeras outras que, muitíssimas vezes, não o são.

 

Não estou querendo rogar praga nas expectativas de ninguém não. Longe de mim fazer uma coisa dessa.

 

A questão para a qual quero chamar a atenção é que, todo esforço humano, que procura arrumar ou reformar algo, em pequena ou grande escala, sempre acaba por desencadear uma multiplicidade de forças, de intenções e reações, que não estavam previstas em nossos planos iniciais.

 

Por isso mesmo, o resultado de muitos de nossos projetos acabam sendo bem diferentes daquilo que havíamos idealizado no começo.

 

Em alguns casos, o resultado não é apenas diferente, mas acaba sendo o contrário daquilo que tanto queríamos e isso acontece porque, como havíamos dito, todas as vezes que iniciamos um processo de mudança, outros são iniciados também, gerando uma tensão que antes não existia.

 

Obviamente, isso não significa que devemos cruzar os braços e ficar olhando para os problemas que se fazem presentes na realidade que nos circunda, nos mantendo inertes, rogando aos céus para que tudo permaneça do jeito que está.

 

Essa, aliás, é outra bobeira se par, tendo em vista que toda vez que nos esforçamos para manter tudo do mesmo jeito, evitando qualquer possibilidade de mudança, sem nos darmos conta, também acabamos abrindo espaço para incontáveis intenções, forças e reações que irão agir em favor de incontáveis mudanças que, gostemos ou não, irão colocar rente ao chão tudo aquilo que queremos preservar.

 

Não tem lesco-lesco. A vida é uma configuração de tensões entre forças que se sobrepõem e intenções que se contrapõem.

 

Dito de outro modo, não estamos dizendo que a única coisa que há seja a mudança, mas sim, que existem incontáveis forças que movem-se nas mais variadas direções, com as mais diversas intensidades, que agem umas sobre as outras e que, é claro, atuam sobre nossos planos e em nós.

 

Detalhe importante que não pode ser desdenhado: não temos como controlar esse fluxo contínuo que dá forma à realidade e molda os caminhos e descaminhos da nossa vida, porém, podemos acompanhá-lo de forma atenta e reverente, dentro de nossas limitações e com o auxílio da Graça divina (sempre com Seu auxílio). Somente assim podemos traçar o nosso rumo, realizar as mudanças que consideramos desejáveis, seja em pequena ou em grande escala.

 

Em resumidas contas, penso que devemos aprender com as águas dos rios, que sempre encontram o seu caminho, da mesma forma que podemos aprender a ouvir os conselhos dos ventos, que sempre encontram o seu destino.

 

Enfim, é de bom alvitre aprender que é apenas dentro dos limites do possível, que é estabelecido pelos ditames de todas as transformações que estão tentando se impor ao mundo e sobre nós, que podemos agir de forma minimamente eficiente, eficaz e efetiva. Inventar moda, agir de modo impulsivo, fazendo pouco caso frente a realidade que se impõe, além de ser uma tremenda mancada, é algo que pode ser muitíssimo perigoso e isso, vale tanto para o modo como procuramos orientar a nossa vida pessoal, como também para a forma como costumamos analisar os caminhos e descaminhos da sociedade como um todo.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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