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OS PORÕES MENTAIS DO NOSSO TEMPO

Provavelmente o amigo leitor já deve ter deitado as suas cansadas vistas nas páginas do livro “Notas do Subsolo”, de Dostoievski. Se não o fez, é porque, bem provavelmente, estava muito ocupado compartilhando vídeos curtos e postagens toscas nos seus grupinhos de whatsapp, crendo que estava lutando contra as hostes do mal quando, na real, estava apenas se intoxicando de ansiedade, afogando-se na sua impotência preguiçosa, no fundo da alcova da sua consciência bitolada.

 

Aliás, é isso o que acontece quando nós ficamos devorando notícias feito um glutão. É isso o que ocorre quando não sabemos distinguir uma opinião, seja ela otimista ou pessimista, de uma descrição nua e crua da realidade. É exatamente isso o que acontece quando não sabemos a diferença abissal que há entre uma análise criteriosa dos acontecimentos de uma mera torcida, que tem apenas por intento, motivar a galera.

 

Quando não tomamos esses cuidados elementares diante do oceano de informação que nos circunda, acabamos ficando com a nossa consciência distorcida, agrilhoada a um punhado de chavões políticos, como se esses fossem um facho esperança.

 

Dito de outro modo: isso é alienação pura e simples, alimentada por uma esquizofrenia informática, estimulada por um analfabetismo funcional inconfessável, justificada por uma imbecilidade coletiva sem par e, é claro, devidamente fantasiada de cidadania, patriotismo, criticidade e tutti quanti.

 

Pois é. Se tivéssemos lido o dito-cujo do livro, citado nas primeiras linhas dessa missiva, talvez saberíamos isso tudo e, quem sabe, não estaríamos assim, nesse estado, não é mesmo?


Enfim, vida que segue e, é claro, podemos deixar esse rancor débil de lado e fazer um pequeno esforço para lê-lo e permitirmos que as suas palavras nos curem e nos libertem desse enfado encardido.

 

Ou então, podemos continuar presos em nosso subsolo, compartilhando vídeos histriônicos, engasgando-nos em ansiedade, acreditando, tolamente, que a realidade irá, em breve, ser transfigurada num ato de fé metastática.

 

É isso. Agora, você decide.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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