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A HISTERIA COMO ESPETÁCULO PARA AS MASSAS

É preciso ter mais sensibilidade diante dos sofrimentos do mundo. Aí está uma frase que é dita e repetida de muitas formas por incontáveis pessoas. Mas, no frigir dos ovos, o que é entendido como sendo uma pessoa sensível? Eis aí uma daquelas questões pra lá de espinhosas.

 

Digo isso pois, como bem nos lembra o filósofo Guy Debord, nós vivemos numa sociedade onde tudo acaba sendo espetacularizado e, quanto maior for a espetacularização, mais limitada fica a nossa capacidade de apreensão da realidade e mais superficial acaba sendo a nossa compreensão da vida e, consequentemente, nos tornamos mais levianos, e leviandade não é sinal de sensibilidade, nem de empatia.

 

Deste modo, se refletirmos sobre as inúmeras vezes que acusamos alguém de não ser suficientemente sensível, provavelmente nós perceberemos que o fizemos com base naquilo que nos foi apresentado como um show de horrores com tons apocalípticos.

 

Não apenas isso. Se nos distanciarmos um pouco do clima de histeria coletiva, que é fomentado pela sociedade do espetáculo, iremos constatar que aquilo que, em princípio, nos causava tanta indignação, não era algo que realmente merecesse tamanha peçonha justiceira de nossa parte.

 

Mas ninguém quer admitir que aquilo que chamávamos de justa razão não passava de uma adesão histérica e impensada a um slogan publicitariamente maquinado para direcionar nossas emoções ensandecidas contra alguém, não é mesmo?

 

E como atualmente vivemos à flor da pele, ansiosos, tensos, presos à volúpia do momento, podemos acabar facilmente sendo manipulados por jargões e cacoetes mentais que podem nos reduzir à condição de massa de manobra.

 

É importante lembrarmos que um histérico, por definição, não é aquele que acredita naquilo que ele vê com seus olhos, mas sim, o sujeito que acredita candidamente naquilo que imagina estar vendo a partir das sugestões feitas pelos slogans que pululam na estreiteza da sua mente.

 

Enfim, não é à toa, nem por acaso, que tanta gente tenha aderido furiosamente à cultura do cancelamento acreditando estar defendendo a empatia e a alteridade.  

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

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