Pular para o conteúdo principal

O SORRISO TORTO DO LAGARTO AMARELO

Millôr Fernandes dizia que viver é similar a desenhar sem borracha. Para variar, o fraseado do homem, além de bem-dito, é certeiro.

 

Não há uma única viva alma na face da terra que, ao olhar para trás, para os dias que já se foram e não voltam mais, e não encontre boleiras de vergonhas, ultrajes e vexames. Claro, uns mais que outros, mas todos nós temos as nossas vergonhas e elas são todinhas nossas e ninguém tasca.

 

As glórias, se as tivermos, podem ser retiradas de nós, as vergonhas, jamais.

 

Diante desse dado vexaminoso, há muitos que ficam se remoendo e, ao mesmo tempo, procurando justificativas para seus desatinos e, é claro, um culpado, ou muitos culpados, para os seus disparates e, ao fazer isso, acabam entrando num círculo vicioso de auto piedade.

 

Porém, há muitíssimas outras pessoas que, reconhecendo-se como uma figura marcada pelo pecado, olham para si e para as suas misérias e riem, porque diante de nossas quedas, rir continua a ser o melhor remédio.

 

Sim, rir é bom e rir de si mesmo é melhor ainda. Quando nós nos levamos muito a sério acabamos por construir uma autoimagem idealizada de nós mesmos e, como havíamos dito noutras ocasiões, isso não é nada bom.

 

Agora, quando somos capazes de rir das nossas cabeçadas, das nossas quedas e fracassos, estamos reconhecendo o nosso tamanho real, o nosso real valor e, ao fazermos isso, estamos construindo uma base sólida para, de fato, nos aprimorarmos e, se Deus permitir e nós não nos atrapalharmos, não mais cometeremos as mesmas besteiras em nossa porca vida.

 

Não é à toa, nem por acaso, que os grandes sábios da humanidade sempre foram figuras bem humoradas. Não é por acaso, nem à toa, que todas as pessoas pretensamente críticas sejam tão azedas quanto aborrecidas diante de suas incontáveis e inconfessáveis vergonhas.

 

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

https://sites.google.com/view/zanela

 

Inscreva-se [aqui] para receber nossas notificações.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO É ASSIM QUE A BANDA DEVERIA TOCAR

Estou lendo, entre outras coisas, o livro “Os Tempos Ásperos” de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final. Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental. Sobre esse p...

A FRIA SOMBRA QUE NOS ASSOMBRA

Sempre desconfiei daqueles caboclos que dizem, com o peito estufado, que não têm medo de nada, porque coragem é uma virtude que, como toda e qualquer virtude, dispensa alardes. De mais a mais, coragem não significa viver sem nada temer, mas sim viver e enfrentar os seus temores, mesmo estando se borrando de medo. O resto, te digo, é apenas encenação e efeito pirotécnico. Eu, de minha parte, admito: tenho um punhado de medos. Um deles é de pessoas e organizações que dizem que aqui estão para “restabelecer a verdade”, “salvaguardar as instituições” e tra-la-lá. Toda vez que uma turma se apresenta assim, com toda essa marra e sofisticação, não tenho dúvida alguma: são discípulos da Rainha de Copas que não medirão esforços para fazer imperar a insânia e o engodo. Por exemplo, ao voltarmos nossos olhos para a história desta terra de desterrados que é o nosso país, lembramos que, nos idos dos anos 60, quando aqui imperava o tempo do “Ame-o ou deixe-o”, o regime militar jurava, de coturnos ...

LULA E AS MÁS COMPANHIAS

 por Percival Puggina (*) Pais responsáveis certamente não cansam de repetir a seus filhos frases feitas e perfeitas que ecoam mundo afora, através dos milênios, expressas em milhares de idiomas. Uma delas é esta: “Evita as más companhias”. É um ensino da mais rigorosa prudência. As más companhias agenciam o mal e são fonte de desgraça e infelicidade. Quanto mal se evitou no mundo cada vez que essa frase, repetida de modo oportuno, encontrou adesão prudente em quem a ouviu! Escrevo este artigo na noite de sexta-feira 26 de julho. Já repercutem os vilipêndios à fé cristã durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. É a má companhia que os mal intencionados proporcionam aos idiotas. Estes aceitam os impedimentos às manifestações religiosas populares e majoritárias para que os mal intencionados possam exercer com total liberdade o suposto direito “laico” de desrespeitar a fé alheia. Domingo, a Venezuela decide entre Nicolas Maduro e o banho de sangue prometido à nação caso sej...