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Mostrando postagens de 2020

ENTRE UTOPIAS E DEVANEIOS

Certa feita um amigo, que estava bebericando um cafezinho comigo no final duma tarde vadia qualquer, perguntou-me porque tantas pessoas de bom coração depositam suas esperanças numa ideologia política totalitária como o socialismo, sabendo que todas as vezes em que partidários dela tomaram o poder o resultado ficou muito aquém do prometido e muito próximo do irreversível. Pois é. Eis aí uma pergunta pra lá de macanuda.Bem, há um livro do filósofo Mário Ferreira dos Santos – Análise de temas sociais/Tomo II - onde o mesmo aborda essa questão duma forma muito clara e direta. Mas, podemos aqui compartilhar algumas ponderações a partir da referida indagação e com base na obra indicada.Se perguntarmos a uma pessoa qualquer, se indagarmos a nós mesmos, se o mundo é perfeito, por certo e por óbvio que responderemos que não, tendo em vista que qualquer pessoa com o juízo no seu devido lugar reconhecerá rapidamente que existem inúmeras injustiças nesse vale de lágrimas e, diante dessa tela de …

OS CARROÇÕES DA HISTÓRIA

Hoje pela manhã, enquanto o sol preguiçosamente alevantava no horizonte, cá estava esse que vos escreve, com uma xícara de café sentado ao lado do meu velho e bom amigo Percy, meu cachorro mais velho, afagando-o e matutando sobre a velhice dele e, é claro, sobre a minha também.Eu, branqueando as madeixas a passos largos e ele, tadinho, perdendo os dentes no mesmo ritmo.Enfim, velho estamos, mas não é a respeito disso que quero assuntar não. O ponto desse conto fora de prumo é outro. É uma mensagem postada por Lula da Silva em sua conta no twitter no dia 27 desse mês.Disse ele: “No Brasil sempre tivemos uma boa relação com os tucanos, era uma relação civilizada e respeitosa. Agora o Bolsonaro com seus milicianos só sabe estimular o ódio. Esse clima está sendo cultivado desde junho de 2013”.Bah! Que mensagem bacana essa. Sim, a relação entre o referido senhor e o tucanato era extremamente respeitosa; ele insultava-os de tudo que é nome – inclusive dos tradicionais insultos esquerdistas …

DOUTOR GREGORY HOUSE SABIA DAS COISAS

Há mais ou menos uns dose anos, lembro-me de ter assistido a um dos episódios da série DR. HOUSE que me impactou duma forma particular. Nesse, uma empresa farmacêutica estava para fazer uma doação polpuda ao Princeton-Plainsboro Teaching Hospital, onde o Dr. House trabalhava. Porém, porque sempre tem um “porém”, o doutor Gregory deveria dar uma palestra - para uma galera - sobre um novo medicamento produzido pelo referido laboratório.Bem, é claro que o nosso mal humorado preferido enrola até onde dá para não fazer a dita cuja da preleção em favor do laboratório, mas chegou um ponto que não mais foi possível; e lá foi o homem diante dum auditório cheio de pessoas importantíssimas, de todos os cantos do universo conhecido, para ouvir suas sapientes palavras sobre o tal novo remédio.Ele foi ao púlpito, tomou o microfone em mãos e disse algo mais ou menos assim: “É... sim... o novo medicamento é muito bom... é isso... obrigado” e foi saindo.Sua chefe, a doutora Lisa Cuddy, sentada ao lado…

REUNIDO COM O CTHULHU

A filosofa húngara Agnes Heller chama-nos a atenção para a força do cotidiano na formação de uma sociedade; uma força silente que não apenas influencia a nossa forma de encarar a vida no dia a dia, mas também acaba por pesar sobre as linhas que dão contorno aos grandes eventos e aos longos processos históricos.Nesse sentido, da mesma forma que muitas vezes refletimos sobre os acontecimentos do presente à luz das experiências vividas no passado e, noutras vezes, matutamos o passado a partir das perspectivas do presente, também é um exercício meditativo muito profícuo pensarmos os grandes eventos e processos históricos a partir dos contornos do dia a dia e, é claro, ponderarmos o cotidiano através da perspectiva dos grandes acontecimentos que rasgam de cima a baixo as páginas amareladas do devir histórico.Diante disso, penso que nessa sexta-feira, dia de Santa Rita de Cássia, fomos brindados com uma cena do dia a dia do Planalto Central para refletirmos sobre a conjuntura em que se enco…

O FINGIMENTO NOSSO DE CADA DIA

Reconhecemos o quão superficial é a alma dum indivíduo, o quão rasa é nossa personalidade, quanto mais facilmente nos escandalizamos com pequenas ninharias da vida, ao mesmo tempo em que nos mantemos serenos diante de mudanças substanciais que estão sendo desencadeadas diante de nossas ventas.
Sim, eu sei que há inúmeras sutilezas na vida e que, muitas vezes, acabamos por ficar com aquela cara de tacho, não é mesmo? Aliás, quem nunca? Pois é, isso faz parte da vida e, negar isso, ficando feito bobo diante desses tropeços, pode muito bem ser um sinal dessa indômita superficialidade nossa de cada dia.
Superficialidade essa que nada mais seria que o fruto de uma avaria do nosso senso das proporções e, com o extravio desse trem, vão-se juntos, também, o nosso senso moral e bem como nossa capacidade de compreensão da realidade.
Se não mais conseguimos distinguir as grandezas das miudezas, nós acabamos por ter uma percepção deformada e deformante da realidade, inclusive de nós mesmos; e, quand…

COISA LINDA DE SE VER

Uma das virtudes mais admiráveis é a coragem que, nada mais seria do que um gesto extremo de amor.
Todos, com certeza já ouviram - e cantaram - aquela canção inspirada no Santo Evangelho que diz que prova de amor maior não há que entregar a vida pelo irmão, canção que de maneira singela resume numa imagem simples o quão poderosa é a união do amor com a coragem que, francamente, bem lá no fundo acaba sendo a mesmíssima coisa.
Amor é isso, doação graciosa, desinteressada, e que se rejubila em saber que está realizando um sacrifício extremo pelo bem daqueles que ama.
Quem ama não procura holofotes para exibir seus gestos amorosos, muito menos cobra daqueles que ama alguma forma de gratidão pelo ato despendido. Ele apenas faz o que deve ser feito, faz aquilo que somente ele pode fazer por seus amados, pouco importando se será ou não agraciado com um “muito obrigado”.
Um bom exemplo dessa boniteza humana é a fala de um dos mineiros que trabalhou para conter a radiação no acidente ocorrido na u…

LIÇÕES DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

No dia 08 de maio é comemorado o dia da vitória, dia em que foi assinada a rendição incondicional da Alemanha Nacional-Socialista em 1945. De fato, esse foi um grande dia.Poderíamos falar muitas coisas a respeito da Segunda Guerra Mundial, muitíssimas; entretanto, procuraremos nessas mal lavradas linhas, nos ater a um ponto que, a meu ver, apesar de ser tremendamente sutil, é de grande relevância para refletirmos sobre uma das muitas mudanças que ocorreram no mundo desde a queda do Terceiro Reich.Quando voltamos nossos olhos para as tropas dos Aliados, que se digladiaram no teatro de guerra contra as forças do Eixo, com os olhos marejados em lágrimas vemos demonstrações de coragem, ousadia e intrepidez sem par e, frequentemente, nos esquecemos de que esses guerreiros que lutaram, colocando em risco suas vidas, eram em sua grandessíssima maioria jovens.Jovens que arriscaram suas vidas, jovens que sacrificaram os melhores dias de sua mocidade, jovens que morreram para frear o avanço tot…

NA CASA DO SEU TIBA

O dia amanhece, silente, com o suave toque dos raios do sol que se derramam sobre os arbustos com suas folhas orvalhadas. Amanheceu o dia e ele segue silente, aguardando que todos se alevantem para lavar o rosto, cuspir, escovar os dentes, tirar a água do joelho e pentear as melenas. Não necessariamente nessa ordem, mas, tudo isso deve ser feito antes de seguirmos para as lides do dia. Ao menos é assim que o seu Tibúrcio pensa.O velho, desde meninote, levanta cedo. Antes de todo mundo. Inclusive do sol. Diz ele que é vergonhoso o astro rei pegar a gente na cama. Não é coisa que se faça. Segundo os ensinamentos do meu amigo, você pode até dar um cochilo após o almoço, mas não deve deixar que o sol te surpreenda na cama.Bem, cada um com seu cada um. O meu velho amigo gosta de [ele mesmo] passar o café. Faz o fogo no fogão à lenha, coloca a chaleira com água pra esquentar e vai ajeitando a mesa. Coloca de tudo. Uma tora de pão caseiro, bolacha (ou biscoito? Tanto faz...), chimia de dois …

REFLEXÕES HETERODOXAS DUM CAIPIRA

Uma pessoa que coloca “o seu na reta” para defender algo que acredita ser correto, é alguém que merece todo o nosso respeito, mesmo que não concordemos com ela. Agora, um grupo de pessoas que diz defender algo supostamente bom, mas que faz de tudo para que “o deles” não fique de jeito maneira na reta, são pessoas desprezíveis, cujas convicções não passariam de um monte de trapos toscos que dão forma a um manto retórico pútrido que é usado por elas para encobrir sua mendacidade intratável e egoísmo incurável. [07/05/2020][ii]Muitos daqueles que, hoje, dizem “lutar” pelo bem comum, na verdade, na maioria das vezes, procuram, antes de qualquer coisa, tirar o “seu da reta”, garantir uma baita fatia do bola pra si, como se a preservação da integridade do seu quinhão fosse algo fundamental para a proteção dos fracos e oprimidos. Por essas e outras que o altruísmo profissional dessa gente egolátrica, que se esconde sob um manto politicamente corretíssimo, definitivamente, fede; fede tanto, t…

REFLEXÕES IMPRUDENTES

Há muitas pessoas que ficam aqui e acolá defendendo a [i]legitimidade de todo o blablablá malicioso que ecoa através dos meandros da grande mídia. Sim, é um direito que lhes assiste, mas não deixa de ser um porre. E tem outra: é lamentável. Isso mesmo! É lamentável o estado pútrido a que chegaram nossos jornais, bem como a malignidade, a vulgaridade e a hipocrisia daqueles que para eles escrevem. Ponto. Detalhe: essa observação não é minha não. Ela foi feita por Thomas Jefferson em 1787, porém, ao que me parece, ela continua atualíssima.[ii]Pedro Aleixo, vice-presidente do Marechal Costa e Silva, dizia que em uma ditadura o que ele temia não era a figura do ditador, mas sim, a do guarda da esquina. Muito tempo antes dele, e de maneira mais sisuda, Gustave Le Bon havia dito que um ditador seria tão só e simplesmente uma ficção; que a real dominação seria disseminada e exercida através duma rede de subditadores anônimos, anódinos e irresponsáveis cujo despotismo e corrupção rapidamente …

NÃO TENHAIS MEDO

Há um dito de Thomas Jefferson que todos nós, bem provavelmente, já citamos em alguma conversa de botequim, dito esse que diz que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Não a vigilância do Estado sobre nós, com o intento de fiscalizar e controlar todos os movimentos e passos dados por reles cidadãos como eu e você; somos nós, indivíduos que devemos estar atentos a todas as artimanhas do Estado, a todas as incursões dos tiranos e tiranetes para cercear nossas liberdades, controlar nossas vidas sob a égide de estar agindo em nome do nosso bem estar.O mais engraçado nisso – digo engraçado porque sou um cínico incurável – é que tais figurinhas e figurões fazem tais diabruras dizendo, aos quatro ventos midiáticos, que estão agindo de maneira “responsável” e que, qualquer um que reze fora da sua cartilha poderá ser enquadrado como inimigo público número um da saúde, do bem estar, da sociedade, do cosmos, da federação galáctica, de Asgard e do multiverso.Digo isso não por esculacho. Não…

ALDOUS HUXLEY SABIA DAS COISAS

José Ortega y Gasset, em seu clássico “A rebelião das Massas”, lá pelas tantas levanta a pergunta das perguntas, indagação essa que deveria ser refletida com profunda seriedade e serenidade por cada um de nós se, de fato, temos o intento sincero de entender o que está acontecendo no mundo e, quem sabe, vislumbrar o que possivelmente poderá ocorrer num futuro próximo. Enfim, sem rodeios, a pergunta seria essa: quem é que manda no mundo?
Essa questão, obviamente, acaba por nos levar a inúmeras outras e, a devida reflexão sobre o que cada uma delas nos pede é algo que, pessoalmente, considero importante, desde que, é claro, não nos esqueçamos de procurar saber quem são os mandantes da bagaceira toda.
Frequentemente confundimos um poder nominal com um poder efetivo, ou seja, tratamos um cargo de uma autoridade constituída com os meios necessários para o exercício efetivo do poder; e isso acontece porque, muitíssimas vezes, ignoramos que poder é, em princípio, a capacidade de fazer algo. Cap…