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Mostrando postagens de Abril, 2019

PELA ESTRADA

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Não mais fica aflita
A velha alma cansada
Ao ouvir o ladrar dos cães
Que perambulam pela estrada.

Dartagnan da Silva Zanela, 30 de abril de 2019.

OURO DE TOLO E OUTRAS QUINQUILHARIAS

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Toda história tem, no mínimo, dois lados. Duas versões, no mínimo, toda história tem.
Se uma pessoa nos apresenta apenas uma versão dum acontecimento, isso não significa, necessariamente, que ela esteja querendo de engambelar.
Na maioria dos casos é a versão que a pessoa acredita ser verossímil e, de boa ou má fé, está lhe vendendo como sendo “a história”.
Agora, se somos daquele tipo de cidadão que se considera a “fina flor da criticidade”, nós teríamos o dever grave de procurar conhecer o maior número possível versões, interpretações e de relatos sobre os fatos que são apresentados; inclusive os detalhes que não contados a respeito de todo e qualquer causo.

Parêntese: essa seria uma obrigação todinha nossa e não daqueles que estão nos comunicando uma das versões sobre os fatos. Fecha parênteses.
Infelizmente, muitos de nós acreditam mesmo que as pessoas, que representam os interesses de grupos de pressão, que militam em prol duma ideologia ou partido político, teriam a obrigação de nos …

QUASE NADA

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Mourão, seu cargo não dissimula Nem sua farda dos olhos esconde Essa sua alma tacanha e miúda Que se imagina, assim, tão grande.


EU

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Cristo é o O divino verbo Encarnado. E eu, somente, Um pecador Inveterado.
Dartagnan da Silva Zanela, 24 de abril de 2019.


O “DIPROMA” AMADO

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Quem se gloria, Por ter “diproma”, Bom sujeito não é; Quem faz isso, Tem merda na cabeça Disfarçada com rapapés.
Dartagnan da Silva Zanela, 24 de abril de 2019.



SEMENTES DE NOVOS CRISTÃOS

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Centenas de Cristãos foram covardemente assassinados no Siri Lanka durante a celebração da vigília Pascal. Eles estavam vigilantes.
Seus corpos foram feridos mortalmente, mas suas almas não. Elas estão junto do Altíssimo; hoje são santos mártires.

Mas, e quanto a nós, o que estávamos fazendo durante essa noite de vigília? Onde nos encontrávamos? Estávamos vigilantes?
Sim, estamos vivos, graças ao bom Deus; mas, e quanto a nossa alma, como ela está? Qual será o seu destino? 
Enfim, nunca a necessidade de conversão se fez tão claramente presente diante de nossos olhos mundanizados.
Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela, Em 22 de abril de 2019. Chegada das naus Portuguesas na Terra de Vera Cruz.

CATEDRAL EM CHAMAS

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As chamas engoliram a torre E ela, em meio às labaredas, Ao chão caiu.
Ela caiu e, por isso, os sinos Não tocam mais seus Badalos mil.
Eles estão silentes, no chão, Chamuscados pelo fogo e Não mais dobrarão.
Não mais adiante perguntar Por quem eles tocam, Porque calados estão.
Dartagnan da Silva Zanela, Em 22 de abril de 2019.


DUAS IMAGENS, DUAS PALAVRAS

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Imagino que, nunca antes na história contemporânea, uma semana santa se apresentou de forma tão clara aos olhos do mundo; tão límpida para o temor e tremor das almas dos fiéis, sejam eles quentes, frios ou amornados.
A semana santa, como todos bem sabemos, praticamente iniciou com o incêndio da Catedral de Notre-Dame de Paris e, culminou com o massacre ocorrido durante a vigília Pascal no Sri lanka que ceifou a vida de mais de 200 cristãos.
Devido a esses dois acontecimentos, adornados por outros mais, que não mencionaremos nessa escrevinhada, essa semana foi duma clareza absoluta para toda a Cristandade, revelando, aos olhos de todos, quão hostil o mundo moderno é ao Cristianismo.
Digo isso não apenas pelos fatos em si, mas também pela forma como inúmeras pessoas reagiram aos dois acontecimentos. Alguns com indiferença, outros com sarcasmo e, é claro, inúmeros com lamentos dissimulados.
Ao testemunhar tudo isso, lembrei-me duma passagem que certa feita fora escrita pelo teólogo Urs von B…

PAPEL SUJO

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Diploma de sinhô dotô apresentado como medalhão de autoridade inquestionável é um trem tão útil e significativo quanto um pedaço de papel higiênico que algum dia foi utilizável.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela, em 21 de abril de 2019.

ENTRE PEDRAS

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A pedra, que não é Pedro, rolou E isso não é rock in roll; É nosso Senhor Jesus Cristo Que ressuscitou.
Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela, em 21 de abril de 2019.

ENTRE O ACERTO E O ENGANO

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Encarar e emendar um erro, realizado repetidas vezes por nós, não é algo fácil; não é nem um pouco agradável, diga-se de passagem. Mas, tal desconforto é imprescindível para que possamos endireitar as nossas andanças por esse vale de lágrimas.
Lembremos: não há acerto se não houver reconhecimento e correção do erro.

Não nos esqueçamos: ninguém gosta de ser corrigido, da mesma forma que não é confortável corrigir, o que não significa que sejam coisas dispensáveis.
Infelizmente, poucos admitem, na sociedade atual, a necessidade desta obviedade ululante; de que a correção, desagradável por definição, é imprescindível para a nossa efetiva formação, para realizar-se uma boa educação.
Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela, em 20 de abril de 2019. Dia de Santa Rosa de Lima.

SEU TIBÚRCIO DEU O AR DA GRAÇA

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Certa feita seu Tibúrcio resolveu sair de sua tapera à beira do Iguaçu velho de guerra pra ficar de varagem pelas ruas e ruelas da nossa amada cidade que, diga-se de passagem, não é muito grande não, mas, para ele, homem simples, de vida pacata e pensamento acurado, está de bom tamanho. Está “mir de bão”.
Diz ele que cidade muito grande é bestagem. As pessoas deixam de agir como gente; não mais se conhecem; deixam de se reconhecerem como tal e, pra piorar, ficam em qualquer canto só cutucando aqueles tais de celulares, como se aquilo fosse doce de abóbora com leite. Mas não é. É dose para matar burro mesmo.
Enfim, noves fora zero, nessa última volteada dada por seu Tibúrcio, tive a grata satisfação de me encontrar com ele e ter um dedinho de prosa com o velho.
Aliás, um dedinho de prosa com ele sempre é uma alegria, porque sei que acabarei sendo brindado com uma porção do tesouro da imorredoura sabedoria popular.
Comentei com ele sobre o despeite com que muitos jovens, hoje, tratam os mai…

A CORROSÃO DA LIBERDADE

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Quanto mais falamos dos tais direitos, dos nossos sacrossantos direitos, mais nos acanalhamos.
E nos acanalhamos por uma razão muito simples: porque nós não nos cansamos de cultivar a crença de que alguém deve, necessariamente, acudir por algo que seria de nossa inteira responsabilidade.
Sabe-se lá por quais cargas d’água nós passamos a esperar que alguém faça esse algo por nós, mas o fato é que passamos a achar isso tão normal quanto bonitinho.
E, é claro, que esperamos que esse algo seja feito com toda a deferência do mundo, porque a gente merece. Não sei por quê, mas a gente acredita nisso.

Não estou afirmando com esse dito que não deveríamos ter direitos. Não. O enrosco é doutra ordem.
O que digo é que colocar tal prerrogativa como sendo o centro de nossa vida, e o coração de nossas preocupações cívicas, seria algo que poderia colaborar significativamente para o nosso desfibramento moral, nos tornando débeis e dependentes da ação daqueles que se encastelam em torno e dentro das entranh…

NO FRIGIR DOS OVOS

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Uma senhora, professora, estava a conversar com seu filho, a respeito dum colega de ofício. Dizia ela que os alunos estavam revoltz porque teriam aula com o referido e que, segundo os infantes, eles não gostam do tal professor.
O garoto, com uma serenidade confuciana, disse, laconicamente, para sua mãe: “como se isso importasse”.
De fato, como se isso fosse realmente importante. O professor não está em uma sala de aula para ser amado, para ser o palhaço de todas as horas e estar disposto a atender os caprichos de cada momento duma multidão de mancebos.
Ele, o professor, não vai para uma sala de aula para agradar, para paparicar ou bajular. Nada disso. Ele ali está para ensinar.
No frigir dos ovos isso é o que realmente importa. Quanto ao resto, seria apenas adereço; e as tenras gerações deveriam, desde cedo, serem admoestadas a entender que o espaço escolar não é um lugar para farrear ou pra zoar. É para aprender e, se possível, amadurecer.
Eles, os educandos, deveriam ser levados a torna…

ARMAS, FLORES E AMOR

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Quando uma pessoa diz que gostaria que, em nosso país, o acesso legal a aquisição de armas de fogo tivesse menos obstáculos burocráticos, mais do que de imediato aparece aquela alminha impoluta, defensora do desarmamento, com sua pombinha da paz, dizendo que a única motivação que leva uma pessoa a querer adquirir uma arma de fogo seria um desejo irascível de matar uma outra pessoa.
Poderíamos, aqui, nesse ínterim, tecer uma sequência interminável de impropérios para exorcizar essas figuras e, quem sabe, desse modo, libertar suas almas desse íncubo ideológico. Poderíamos, mas, não o faremos porque não daria certo, não é mesmo?
Contentar-nos-emos em apenas lembrar o óbvio ululante. Uma pessoa, digo, um cidadão comum que muitas vezes deseja adquirir legalmente uma arma o quer não porque ame as armas, ou porque deseje utilizá-la para tirar a vida de alguém. Não. Na maioria absoluta e acachapante das vezes essas pessoas apenas querem comprar uma arma para defender com ela aqueles que ama. Aq…

SOBRE O CONHECIMENTO HISTÓRICO

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Toda discussão sobre um fato histórico que começa indagando, de forma ameaçadora, se somos a favor ou contra isso ou aquilo, já começa tremendamente viciada.
Pra ser sincero, essa seria a questão que menos deveria interessar para alguém que, realmente, queira aprofundar os seus conhecimentos sobre algo, seja em matéria de história ou em qualquer outra seara do saber.
O que, de fato, interessa é procurarmos construir uma visão mais ampla possível sobre o que de fato aconteceu e, para tanto, devemos, necessariamente, procurar integrar todos os pontos de vista, convergentes e divergentes, que compuseram o cenário que estaria sendo estudado.
Não me refiro aqui às opiniões que os sujeitos, que vivem no momento presente, têm sobre esse ou aquele acontecimento. Refiro-me aos pontos de vista, aos projetos, planos e interpretações que eram apresentados pelos indivíduos que atuaram no cenário que esteja sendo investigado por nós.
Por certo que as visões que estes tinham dos acontecimentos eram conf…

INTOLERANTEMENTE TOLERANTE

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“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você  disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”. Esse dito, simples e elegante, atribuído a Voltaire, é a máxima que melhor representa o que seja a tal da tolerância.
Hoje, pra todas as direções que voltamos nossos olhos, vemos pessoas falando em tolerância, reivindicando-a como sendo o mais elevado dos valores que poderia ser cultivado por nós. Porém, tal quadro, revela aos nossos olhos, de cara, dois problemas bem simples.
Primeiro: nem tudo aquilo que seja dito e defendido por alguém – e às vezes por nós mesmos – é algo que seja tolerável.

Aliás, como bem nos lembra Umberto Eco, em seu livro “Cinco escritos morais”, a noção de tolerância não tem sentido algum se nós esquecemo-nos que existem inúmeras coisas que são intoleráveis.
Segundo: ser tolerante não é, de modo algum, obrigar o outro a acatar, sem reinar ou gemer, as ideias e pontos de vista de outrem. Muito pelo contrário. Agir de modo tolerante, significa, como o …

SOBRE A INSTRUÇÃO LIMITANTE

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Há um fenômeno que, a cada dia que passa, torna-se mais e mais corriqueiro. Este seria a supressão do aprendizado de inúmeras habilidades pelo aprendizado duma única: o manuseio das mídias eletrônicas com seus badulaques.
Não estou dizendo que tal aprendizado seja inútil e desnecessário. De modo algum.
O que afirmo é que o aprender e, consequentemente, o ser, está cada vez mais se restringindo ao uso desses aparelhos fascinantes, que nos encantam de modo similar aos espelhinhos e miçangas que foram, certa feita, ofertados aos nativos de Pindorama.
Sem nos darmos conta, estamos acumulando, com o fetiche desta habilidade, um punhado significativo de limitações, cujos efeitos danosos nós já podemos perceber entre nós e, por que não, em nós mesmos.
Os aparelhos celulares, com seus aplicativos mil, estão a substituir e, de certo modo, a suprimir a capacidade de muitíssimos indivíduos de realizar inúmeras atividades cognitivas, desde nos localizar no espaço, até a correção daquilo que escrevemo…

O FIM SEM FINALIDADE

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Uma das coisas mais terríveis, que dão testemunho de nossa insensatez de cada dia, é a ânsia que nutrimos pelo tal do fim de semana.
Nem bem terminou o domingo, não são poucas as pessoas que já se veem ansiosas para que chegue logo a dita cuja da sexta-feira.
Viver alimentando essa volúpia pelo fim dos dias chamados de úteis denota, entre outras coisas, que a nossa vida não passaria duma grande agonia sem sentido, desprovida de qualquer propósito que seja maior que a possibilidade de zoar hedonisticamente, ou apenas preguiçosamente, nalguns dias da semana.

Não é à toa que muitas pessoas vivam seus dias de maneira sorumbática. Não mesmo.
Pobres almas. Vivem o tempo todo num lugar que não gostariam de estar, digo, vivem num lugar cuja finalidade elas não querem encontrar de jeito maneira.
Consequentemente brota nos coração dessas pessoas um sentimento de fracasso. Sentimento esse fruto duma vida que, como diria Manuel Bandeira, poderia ter sido, mas não foi. E não foi porque procuravam a res…

MAIOR EXCLUSÃO QUE ESSA NÃO HÁ

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Podemos, sem dúvida alguma, reencontrar algo que, por descuido, tenhamos perdido.
Obviamente que tal procura irá nos dar um baita trabalho, mas, é possível e, em muitos casos, necessária.
Agora, se nós simplesmente abandonamos algo, a possibilidade de, um dia, reencontrarmos o que fora abandonado por nós, é mórbida. Digna, inclusive, de atenção especial e tratamento.
E assim o é por uma razão muito simples: não temos como reaver aquilo que jamais amamos.

Nesse sentido, quando sugere-se que um conteúdo escolar, que acabou não sendo transubstanciado numa nota razoável, que não tenha integrado a personalidade do portador da minguada nota, deveria magicamente ser recuperado, na maioria das vezes essa seria, por definição, uma impossibilidade, tendo em vista que este, o tal do conteúdo, não foi minimamente amado por aquele que não fez a menor questão de conquista-lo.
Ou seja: não é o infante que estaria sendo excluído pela nota baixa que foi obtida por ele, como afirmam os doutos em educação [q…

A ESTUPIDEZ COMO FONTE DE AUTORIDADE

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Houve um tempo que algumas pessoas julgavam-se a última bolacha do pacote só porque haviam lido um livro que, por sua deixa, as encantou.
Muitas vezes era o único livro que fora lido por elas na vida.
Os anos passaram e, chegou uma época, em que as pessoas passaram a se contentar com a ideia de ter em suas mãos um aparelho celular que, segundo lhes disseram, permitiria que elas tivessem acesso a tudo e a todos e, por isso, também, passaram a se achar criaturinhas adoráveis.


Bem, verdade seja dita: não tenho dúvidas de que muitíssimas funções cognitivas, de inúmeras pessoas, acabaram sendo substituídas por esses aparelhos.
Imagino que não tardará muito pra aparecer, aqui e acolá, pessoas que irão julgar-se detentoras duma hipotética sabedoria – infusa ou não – somente porque já teriam beijado na boca, tomado um pileque numa esbórnia qualquer e, é claro, fumado um cigarrinho do capeta.
No entender dessas excelsas figuras, isso aí seria um profícuo sinal de maturidade.
Pensando bem, algo me di…