Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2017

QUASE POESIA, N. 105

Quando as mãos cansadas se veem unidas E os joelhos se dobram diante do altar Para uma humilde prece aos céus entoar A corte celeste coloca-se ao lado Da alma suplicante que reza com seu fardo Para que a graça insistentemente pedida Possa urgentemente ser por Deus atendida E para que sua alma suplicante seja inundada Pela doçura da misericórdia divina.

VERMELHOS, VERMELHINHOS E VERMELHÕES

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Boa parte dos trabalhadores brasileiros sonha em ter o seu próprio negócio, em ser dono do próprio nariz. E, sonham isso, porque são pessoas que trabalham pra caramba e sabem muito bem o valor do seu suor derramado diariamente.
Quanto àqueles que não sonham em tornar-se patrão também almejam ser dono do seu nariz, porém, almejam isso por outros meios; com o fruto de seu trabalho que também, por sua deixa, não é pouco não.
Seja como for, todo trabalhador, à sua maneira, procura viver de modo digno, prestativo e bom, altivamente enfrentando as dificuldades que a vida apresenta de maneira honesta e audaz.
Bem, já para os comuninhas, de um modo geral, trabalhador é quem eles dizem que é trabalhador. Infelizmente, sua visão de mundo binária lhes dá uma compreensão atabalhoada do que é o trabalho.
De mais a mais, essa gente sonha, ao contrário dos trabalhadores reais, com o que eles chamam de "um mundo melhor possível" (que medo que isso dá), e, de qu…

QUASE POESIA, n. 104

Se a verdade não fosse poética As palavras tornar-se-iam Tão insipidas e assépticas Que nossos olhos acabariam Se fechando e nossa alma fétida Em seu leito, sozinha, sufocar-se-ia Na soberba e vaidade caquética Que faz pouco da poesia.

COMER TOMATE CRU

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Em algumas ocasiões, devido as minhas malfadadas escrevinhações, uma e outra pessoa gentilmente me pergunta por que vivo tão indignado com isso e aquilo, ou me parabenizam por essa ou aquela manifestação indignada. Porém, todavia e, entretanto, quem disse que sou um caipora indignado? Não sou e nem estou indignado com nada não. De jeito maneira.
Na verdade, pra ser bem sincero, fico fulo da vida com café frio e por causa de cerveja quente. Fora isso, sou um caboclo bem sossegado.
Então como explicar o tom pra lá de amargo de minhas linhas mal escritas? Bem, meu azedume é apenas uma questão de estilo, digo, de falta de estilo. Coisa de bicho do mato, de um caipira provocador que acha bonito ser feio. Só isso.
Mandando a real, rio muito quando escrevo sobre as desventuras humanas e, obviamente, sobre minha flagrante impotência diante dela. Isso sem falar que não espero que meus ditos mal ditos sejam prontamente acatados por fulano ou sicrano. Reconheço e ac…

QUASE POESIA, N. 103

A vida, estando no fim Ou próxima da sua metade Acaba pra você e para mim Revelando indelicados Pedriscos da divina Verdade.

NOTAS, NOTINHAS E TEXTÕES

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) O problema não é tanto a falta de justiça, mas sim e principalmente, a confusão cínica que se faz dessa virtude cardinal com todo e qualquer chilique politicamente correto.
(ii) Maledicência das maledicências! Não sou versado nas exotéricas ciências jurídicas, porém, algo que me parece mais que óbvio é a confusão que se faz, de maneira propositada ou não, entre o formalismo excessivo - que engessa e engabela o senso das proporções - com a virtude cardinal da justiça e, inclusive, com as tais instituições democráticas. Tão óbvio que a dita confusão esconde-se bem debaixo de nosso nariz.
(iii) Todo aquele que adora, de paixão, ideias pedagogescas progressistas que prometem mundos e fundos em matéria de educação, ideias essas que, por sua deixa, nunca apresentaram um único bom fruto que seja, deveriam carpir um bom eito repleto de ervas daninha num terreno pedregoso e acidentado qualquer.
É sério! E não estou de zoeira não ao sugerir isso. Não mesmo. Digo p…

QUASE POESIA, N. 102

Um erro não existe para, De modo fingido, Ser questionado. Se ele está presente Deve ser corrigido Imediatamente Sem papo furado.

OLHAI OS DELÍRIOS DO CAMPO

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
Mais importante que ficar discutindo com fulano ou beltrano sobre esse ou aquele assunto, é estudar e meditar de modo sério e desapaixonado sobre o que os néscios tão convictamente discordam sem ao menos ter parado para conhecer razoavelmente as ramificações e implicações daquilo que ocupa o seu falatório oco e presunçoso.
Boa parte do que se discute a respeito de política - nacional e internacional - é dessa natureza.
Praticamente tudo o que se parla sobre essa seara, aqui nessa terra de botocudos, não passa dum blábláblá desse gênero onde nervosamente se afirma um monte de lugares comuns como se esses fossem o suprassumo da sabedoria prática; como se o mundo dependesse das conclusões vazias que são enunciadas nessas conversas viciosas e viciantes.
Enfim, seja como for o gosto da freguesia, esse trem fuçado é algo tão divertido de se ver quando triste de se testemunhar.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

DA SOLITÁRIA AFLIÇÃO HUMANA

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
É de conhecimento comum que Deus, num gracioso ato amoroso, deu-nos o livre-arbítrio, nos facultou a possibilidade de escolher entre a liberdade fundada na Verdade e a escravidão alicerçada na mentira.
Poderia Ele ter nos privado do livre-arbítrio e obrigar-nos a servi-Lo compulsoriamente, porém, se assim o fosse, ao invés de sermos um ser medianeiro entre os elementos celestes e terrestres, seríamos apenas criaturas autômatas; não humanos.
Resumindo o entrevero: Deus, generosamente, abriu mão do controle que Ele pode ter sobre cada um de nós e deu-nos a possibilidade de escolhermos segui-Lo amorosamente ou afastarmo-nos Dele danadamente.
E vejam só como são as coisas: todo indivíduo humano que sofre com o drama da irreligião, com a perda da fé ou, nos casos mais extremos de angustia existencial, entregando-se ao tacanho ateísmo militante, dum modo geral, são indivíduos obcecados por controle, ciosos para reduzir tudo a um miserável punhado de esquemas ló…

QUASE POESIA, n. 101

A Cruz que fere e sangra Nosso Senhor
Torna-se mais e mais pesada enquanto
Insistimos em identificar de modo leviano
A luxúria e a vaidade com o sublime amor
Escarnecendo sem a menor vergonha
O sacrifício de Cristo no alto da montanha.

QUASE POESIA, N. 100

Coloquei-me diante do espelho
Do velho e suado banheiro
E espantei-me com o reflexo
Do homem cansado e perplexo
Que acabei me tornando
Com o ligeiro passar dos anos.

QUASE POESIA, N. 99

Queira ou não queira
A prova é disposta
Sobre a maciça carteira
Onde a alma está posta
Na hora derradeira
Onde devesse provar
Com boas maneiras
E com justa prosa
De que matéria é feita
A força que guia
O traçado da letra torta
Que é todinha minha
Dando forma às respostas
Linha por linha.

QUASE POESIA, n. 98

Rezar sem cessar aos céus
Liberto de todos os véus
Que ficam dormentes 
Entre a alma aflita
E a piedade Divina
É plena e seguramente
O primeiro e grande passo
Do corpo, da alma e da mente,
Resoluto e firme na direção
Que nos leva para o real paço
Da sabedoria do novo Adão.

QUASE POESIA, n. 97

A barba negra cresce, desce...
Esperando que a navalha suba
E deslize suave com a espuma
Sobre as rugas da minha pele.

QUASE POESIA, n. 96

O cãozinho, corre, rola e late
De contento com a dita liberdade
Concedida pela mão que lhe alimenta,
Que o acaricia e, depois, o acorrenta.

RESUMINDO O ENTREVERO

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
O pedante, dum modo geral, é aquele sujeito que, após ter se "dedicado" um pouquinho a algum tipo de estudo, vive ininterruptamente fazendo aquela afetada pose de sabido.
Já o caboclo que diz ser um conhecedor crítico de alguma coisa, que afirma ser o detentor de uma tal de consciência crítica sobre isso e aquilo - que nada mais é do que um azedume rancoroso - não passa de um carniça que imagina saber algo simplesmente porque repete um punhado de frases feitas e um bom tanto de cacoetes mentais.
Tal repetição bocó dá - a ele e a seus iguais, similares e genéricos criticamente corretos - uma sensação de superioridade moral ao mesmo tempo em que o caipora se afundam numa latrina de ignorância e soberba absoluta.
Enfim, resumindo o entrevero: o primeiro é apenas um idiota; o segundo, um idiota bem mais que perfeito.

(*) Professor, cronista e bebedor de café.

QUASE POESIA, n. 95

Na consciência mora A verdade silenciosa Que grita a toda hora Pra de forma amorosa Despertar sem prosa
Nossa alma vaidosa.

QUASE POESIA, N. 94

Toda alma sebosa Faz-se de vítima Afetada e pomposa
Se algo a irrita.

QUASE POESIA, n. 93

Sou franco em lhe dizer meu compadre Que a cada dia que passa mais me cansa Ter de ouvir aquele falatório de araque Regurgitado pelas almas soberbamente tansas
Empapuçadas com sua vil cultura de almanaque.

QUASE POESIA, n. 92

Deus espera com paciência e vagar Para, aos corações endurecidos, revelar A verdade que negam soberbamente Por diminuírem o real aos limites
Surreais da sua agonizante mente.

QUASE POESIA, n. 91

Quando debaixo vem a provocação Grita-se por considera-la um insulto Quando decima vem a azucrinação Berra-se por encará-la como abuso.

APENAS UM CHILIQUE [DEPRE]CÍVICO

Imagem
Por Dartagnan da silva Zanela (*)
Existem inúmeras ideias que são profundamente corruptoras da alma humana e, na atualidade, o que mais temos é esse tipo de choldra.
Dentre elas, uma que gostaria de destacar nessas minguadas linhas é a de que a sociedade tem uma dívida para com todos e, uma bem grandona para com alguns de modo particular, que devem ser atendidas e acolhidas na forma dum direito.
O vício dessa ideia está em sua própria enunciação. Dum modo geral, todos nós, uns mais que outros, somos devedores das gerações que nos antecederam e duma multidão de indivíduos que com sua criatividade, genialidade e, nalguns casos, empreendedorismo, tornaram possíveis inúmeras coisas que nós mesmos seriamos incapazes de conceber em nossa empobrecida imaginação (e quem o diga realizá-las). E, mesmo assim, usufruímos de seus frutos.
Quando passamos a refletir sobre esse outro prisma, torna-se praticamente inevitável que cheguemos à conclusão de que, na verdade, devemos muito mais a sociedade que …

QUASE POESIA, n. 90

A palavra agrilhoada Pelas falsas liberdades Somente é emancipada
Pelo brado da verdade.

QUANDO A MASSA FECAL VAI PRA CABEÇA

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) No Brasil, com uma frequência indesejável, confunde-se o glamour da vida literária e o status da vida acadêmica, com o amor a literatura e a procura sincera e abnegada pela verdade. Simplificando muito mais do que devíamos: aqui, nessas terras, carreirismo oco é sinônimo de realização de uma vocação.
(ii) Pra que serve a literatura? Em princípio, para entendermos o quão idiota é esse tipo de pergunta tão soberba e frequentemente feita num mundo que se ufana de sua bárbara idiotia.
(iii) Numa sociedade onde o desamor ao conhecimento e a devoção idolátrica aos títulos bacharelescos é a regra geral, qualquer discurso que aponte para a educação como sendo a solução de todos os padecimentos sofridos pela nacionalidade, será, na maioria das vezes, apenas um simulacro de inquietação [depre]cívica bem vagabundo, haja vista que, a educação, definitivamente é uma joça praticamente ignorada por todos, principalmente por aqueles que vivem dando pitaco sobre como el…

QUASE POESIA, n. 89

Otimismo é para fracos Facilmente enfeitiçados Por palavras ocas. Já para os derrotados Que se entregam rápido Frente a ameaças tolas Temos o pessimismo fácil
Último refúgio dos larápios.

QUASE POESIA, n. 88

A biblioteca está vazia Toda largada, sozinha, Sem nenhuma companhia
Que tenha alguma valia.

APENAS UMA MULA NERVOSA

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Desconfie. Desconfie. Desconfie. Mas desconfie mesmo de todo e qualquer caboclo que, empavonado, insiste sempre em exibir-se pra ti com aquela velha e rasa cultura de almanaque. Dum modo geral, praticamente sem a menor margem de erro, esse tipo de sujeito tem apenas uma visão superficial de tudo com o que ele procura se exibir.
(E cuidado, compadre, muito cuidado, que isso é contagioso).
Detalhe: cultura essa edificada impacientemente a partir de levianas pinceladas dadas nas horas vadias através das ondas dum buscador qualquer da internet, formando, desse modo, uma coleção de cacos digitais que é exibida perante as almas desatentas para impressioná-las e, ao mesmo tempo, fazer com que seu ego sinta-se massageado pelos olhares embasbacados das mesmas almas distraídas, facilmente impressionáveis.
Pois é, compadre, isso cansa, cansa mesmo, mas, no fundo, é divertido pacas ver essa faceta do picadeiro da vida brazuca; é risível - como é - testemunhar o qu…

QUASE POESIA, s/n

Nada é mais covarde
Numa rede social
Que um ataque
Feito com maldade
E de modo vil
Por um falso perfil
Que oculta a face
Dum linguarudo sem
Dignidade.

REFLEXÕES CÁUSTICAS EM GOTAS

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Todo imbecil de carteirinha, quando ouve algo que não se enquadra dentro dos mesquinhos e miseráveis limites de seus esquemas mentais, ao invés de dizer para si que não entendeu, porque não conhece o que está diante das meninas de seus olhos, prefere protestar e dizer, com aquela pose de douto ignorante, que não concorda e blablablá.
Bem, para esse tipo rasteiro de gente, aprender algo novo seria apenas uma forma escolarizada de se reafirma a soberba de sua ignorância inconfessa. Raramente lhes ocorre que a realidade pode ser um pouquinho mais ampla que sua preguiça cognitiva e bem mais complexa que sua desídia moral.
(ii) A inferioridade da alma torna-se visível a todos os olhos, inclusive aos mais desatentos, quando o sujeito entrega-se sem muita cerimônia ao visceral remorder-se do ressentimento, seja ele invejo ou não.
(iii) Toda vez que somos brindados com um novíssimo neologismo politicamente correto, engajadíssimo, esse nos é apresentado não com o…

QUASE POESIA, n. 87

Se as fantasias e taras Da vida íntima humana Acabam sendo elevadas À categoria de sagradas É porque a vida mundana Fez-se a única regra válida E a reinante vileza profana Tornou-se aquela que manda... Entre nós a autoridade máxima De nossa delirante e trágica
Decadência contemporânea.

QUASE POESIA, N. 86

A densidade da coragem É medida abruptamente No estrondo da voragem.

COLOCANDO LENHA NA FOGUEIRA

Imagem
Por Dartagnan da Silva Zanela (*)
(i) Não confunda a justificação de suas opiniões com a apresentação dos fundamentos da mesma. No primeiro caso apenas afirma-se porque você simpatizou com a dita cuja. Na segunda situação procura-se indicar as razões que a sustentam independentemente de sua simpatia ou antipatia.
(ii) Uma das frases mais tontas, das tantas que compõem a prosa pronta e artificiosa das conversas vadias, é aquela onde o sujeito afirma que ele é uma pessoa adulta, envelhecida, mas que possui uma alma juvenil. Espere aí: quer dizer que o caipora envelheceu e não quis e nem quer saber de amadurecer? Bem, antigamente Nelson Rodrigues havia dito, numa entrevista, que se fosse dar um conselho para os jovens, seria: envelheçam. Hoje, se vivo fosse, o grande Nelson diria, sem pestanejar, aos adultos: larguem mão de criancice e amadureçam.
(iii) O que é um adulto que diz ser o portador duma alma juvenil? O que é uma pessoa envelhecida que insiste em agir e pensar como um guri? Só um id…

QUASE POESIA, N. 85

O silêncio discreto do cair da tarde Convida-nos sempre, sem alarde, A meditarmos sobre o crepúsculo
Que irá nos deixar em sono sepulto.

QUASE POESIA, N. 84

Na quadratura do círculo
Habita o signo do ridículo
Duma vida sem sentido.