segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

[vídeo] Entrevista de Olavo de Carvalho para Leandro Ruschel


Em novembro de 2014 fui até Richmond entrevistar o professor e escritor Olavo de Carvalho. A conversa tratou da situação política do país, os seus desdobramentos na economia e o cenário geopolítico global. Há conteúdo nessa conversa para anos de estudos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O Brasil ainda é o Brasil?

Por Percival Puggina

Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério. 

Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério. 

Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. 

Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério.

Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.

Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-dirigente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério. 

Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério. 

Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.

Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias! Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.

Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir "un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico". Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? 




Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das "lições caducas com que se formavam nossos militares", as quais seriam "quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos"? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.

Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.



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DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Da mesma forma que tristeza não paga conta, maracutaias contábeis não transfiguram déficit em superavit. Do mesmo modo que declarar-se honestos não nos torna uma pessoa decente, fazer pose afetada de partido da ética não forma sequer um só estadista.

[ii] Barack Obama firmou um acordo esquisitíssimo com o ditador Raul Castro. Esquisito é apelido! Por isso, cá estou com meus botões a me perguntar: o que as vítimas do castro-comunismo ganharam, objetivamente, com esse acordo? Não precisamos responder, não é mesmo?

Outra coisa: após essa esquisitice diplomática do governo Obama será, por um acaso, instaurada uma comissão da verdade em Cuba para investigar os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo nos mais de cinquenta anos de ditadura totalitária marxista imposta sobre essa nação caribenha? Caramba! Eu acho que não.

Aliás, sei que é bobagem, mas perguntar não ofende (ofende?): após a data da assinatura desse esdruxulo acordo, Cuba passará a ter eleições livres e periódicas para todos os cargos do executivo e legislativo? Os irmãos Castro vão largar o osso do poder e libertar o povo cubano que a mais de cinco décadas vive sob a batuta do escravismo estatal Castrista? Vão?

Pois é, por essas e outras que digo e repito: muito esquisito esse acordo. Mais esquisito que ele, em si, é a bajulação midiática da assinatura do mesmo.

[iii] Sua Santidade, o Papa Francisco, tem umas pegadas que, as vezes, não dá pra entender. Num dado momento ele conclama os fiéis a não mais comprarem produtos que seja produzidos com mão de obra escrava. Detalhe: na China, bem como em todo e qualquer país comuna, o que impera é a escravidão estatal de toda a população, escravidão essa que os marxistas chamam de "democracia popular". Noutro momento, ele acaba mediando um acordo entre Cuba e Estados Unidos! Acordo esse que, na prática, ignora todos os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo. Como assim? Não sei. Definitivamente não dá pra entender.

[iv] Toda vez que ouço aquela lengalenga de paz universal, sou acometido por urticárias.

Qualquer trololó pacifista sempre exala ou uma covardia indisfarçada ou um cinismo cretino inconfessável. Dum jeito ou de outro, a paz é apenas um bem quando encontra-se irmanada com a justiça e com o respeito ao valor fonte de todos os valores que é a pessoa humana. Qualquer coisa fora disso não passa dum reles ardil do diabo.

Não? Então vejamos: teria sido possível celebrar a paz com a Alemanha Nazista sem exigir que ela deixasse de ser Nacional-socialista? Teria sido justo celebrar um acordo com a Alemanha de Hitler desprezando todos os crimes que foram cometidos contra a humanidade?

Detalhe: na época, um desses amantes da paz, o filósofo Bertrand Russell, havia proposto o seguinte aos ingleses: que eles não deveriam declarar guerra contra a Alemanha, mas sim, convidar os alemães para conhecerem o quão bela é a sociedade Britânica para, desse modo, convencê-los que o nacional-socialismo é ruim e de que a liberal-democracia é legal.

Aliás, os ingleses celebram um acordo sossega leão com os germânicos (a Conferência de Munique) e todos nós sabemos no que deu.

Hoje os Estados Unidos reatam relações diplomáticas com Cuba. Tendo isso em vista, creio que seja pertinente perguntar: a ilha dos Castros mudará algo com relação a sua política interna e externa? Mudará? Ora, tal qual a China, Cuba continuará a ser um país torturado por um regime totalitário que escraviza o seu povo, porém, agora com a guaiaca cheia de dólares americanos. Trocando por miúdos: mais uma vez os gringos estão adquirindo o pior inimigo que o dinheiro pode comprar.

Por isso, como havia dito no princípio, toda vez que se fala em paz para humanidade, sei perfeitamente que não é paz, mas sim, um indisfarçado medo em misto com um inconfesso cinismo, porque paz sem voz não é paz, meu amigo, é ditadura.

[v] Lembrete que certa feita fora feito por um cáustico amigo: toda vez que a grande mídia, em uma só voz, elogia algo que o Papa fez, o faz pelos motivos errados. Toda vez que a grande mídia condena, em coro, algo que o Papa realizou, o faz com base em razões equivocadas. Ponto.

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[vídeo] Villa, Pondé e Claudio Abramo debatem a expectativa para 2015 (Revista FecomercioSP | Dezembro 2014)


A última edição do programa Revista Fecomercio SP em 2014 contou com a presença do historiador Marco Antonio Villa, do filósofo Luiz Felipe Pondé e do diretor-executivo da ONG Transparência Brasil Claudio Weber Abramo. 

Em debate, as expectativas para 2015 e os acontecimentos que marcaram o ano. 

O debate analisa a crise institucional no Brasil, o papel e eficiência das instituições e dos três poderes, além de fazer uma leitura dos avanços ocorridos nos últimos anos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

CHORUMELAS PEDAGÓGICAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Há uma palavra que é vista, pelo pedagogismo reinante, como um sinal de grande mau agouro. Reprovar é a palavra. Isso, muito se deve, a infecção marxista do vocabulário utilizado na seara educacional de nosso país que transfigurou a reprovação de alguém em sinônimo de “exclusão social”.

Sei que ela não é a única, mas fiquemos, por hora, apenas com ela.

Vendo a educação por esse viés turvo, o professor acaba sendo reduzido a uma espécie de agente, inconsciente e alienado, do sistema CAPETALISTA e ali estaria para impedir que ele, o educando, obtenha o diploma que almeja e, se possível for, destruir a autoestima do infante.

Porém, é claro que há os educadores bonzinhos que, de acordo com essa cartilha pedagogesca, são conscientes e críticos e, por isso, não se prestam a esse hediondo papel de agentes da exclusão social. O aluno pode até não aprender nada, mas é aprovado ao final de tudo.

Mas não nos iludamos com esse canto de sereia porque não é bem assim que a banda da vida toca. Hoje, mais do que nunca, urge lembrarmos as palavras de Santo Agostinho que admoesta-nos para que sempre prefiramos aqueles que nos criticam, porque nos corrigem, do que aqueles que nos bajulam, porque nos corrompem.

Por isso, digo e repito: reprovar, algo ou alguém, é uma dádiva, não um ato de exclusão. Aliás, não é nem mesmo um castigo.

Se nos atermos a etimologia da própria palavra, compreenderemos que quando reprovamos estamos tendo uma segunda oportunidade de provarmos que podemos fazer por merecer; uma chance de re-provar que somos capazes de realizar isso ou aquilo sem ficarmos devendo favores para alhures e, principalmente, sem depositarmos a responsabilidade por nossos erros no tal do sistema ou nas costas de outrem.

Reprovando temos uma outra chance para provarmos o nosso valor. Porém, se somos aprovados a revelia, com base em ilações vitimistas, recebemos apenas um atestado de coitadismo que nos habilita a sermos usados indefinidamente por qualquer um que diga ser nosso protetor, a sermos manipulados por qualquer pilantra populista que afirme que irá nos ajudar.

Por fim, é por essas e outras que toda tentativa de desmerecer o mérito não passa duma mal disfarçada canalhice pedagógica. Apenas isso, nada mais do que isso.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XIV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Verdade seja dita: aqueles que pegaram em armas para lutar contra o regime militar não o fizeram em nome da democracia, nem em favor da liberdade. O fizeram por discordarem da coloração do regime de exceção. Apenas isso. Não queriam restaurar a normalidade democrática não. Eles ansiavam, sim, implantar a anormalidade socialista em nossa nação. Por essa razão, e por estarmos em plena guerra fria, os milicos enjaularam a democracia para combater o comunismo. O tempo passou, a ditadura brasileira acabou, a democracia foi libertada e, agora, está sendo lentamente sufocada por aqueles que pegaram em armas e por seus herdeiros. Eles estão realizando um sonho antigo e fazem isso sob a alegação canalha de que não estão matando-a, mas sim, realizando-a plenamente, como nunca se viu antes na história de nossa pátria que, ao que tudo indica, não é mais nossa.

[ii] Cláusula número um para uma conversa sobre o Cristianismo com alguém que acredita que veio do nada e que para o nada irá voltar: (i) o Cristão deverá trazer para a plateia cem pessoas que transfiguraram-se para melhor depois que se converteram. (ii) O devoto do nada (ateu) deverá apresentar cinquenta pessoas que tornaram-se seres humanos melhores por terem abandonado a fé em Cristo. Simples assim.

[iii] Conta-nos Johann Goethe que havia em tempos imemoriais uma lamparina encantada. Essa quando colocada no interior duma morada, por mais modesta que fosse, ficava maravilhosamente alumiada. Enricava seu interior e exterior. A lamparina referida pelo poeta é o Santo Evangelho de Nosso Senhor que enche de encantos a vida humana, por mais simples que seja, e cobre de glórias todas os deveres a afazeres, por mais humildes que eles sejam.

[iv] Malba Tahan ensina-nos que por não termos a menor ideia do que podemos fazer acabamos por nos entregar a lamurias que, aparentemente, nos trazem algum conforto por nos eximir de toda e qualquer responsabilidade pelas possibilidades que escolhemos. Em resumo: é a autopiedade nos pegando no colo. Porém, conforme nos lembrar o autor d'O homem que calculava, as tentações nos mostram o que somos e de que material é feito o nosso caráter. Por isso, não nos entreguemos a autopiedade de modo algum. É feio e, de mais a mais, ela é péssima conselheira e tem bafo de cachaça medonho.

[v] É frequente em nossa sociedade ouvirmos uma e outra alma sebosa afirmar que o mais importante é a prática, a dita experiência. Bem, vamos direto ao ponto: quem muito gosta de afirmar isso não tem experiência alguma (e se tem é de pouca valia). Segundo ponto: obviamente que esse tipo de sujeito não se encontra conscientemente munido duma boa teoria para alumiar a sua caminhada experiencial e, por isso, vale lembrar que toda e qualquer experiência é sempre, por definição, limitada e, necessariamente, só pode ser completada e compreendida à luz duma boa teoria conscientemente adquirida.

[vi] É preciso parar para centrarmo-nos em nosso lavoro. Porém, nada poderemos realizar se nos entregarmos ao imobilismo. Por isso, nada de desídia e muito menos de agitação descabida. Sejamos tranquilamente ativo e ativamente tranquilos. Ponto.

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sábado, 13 de dezembro de 2014

[vídeo] Olavo de Carvalho e Carlos Nadalim

Não é vergonhoso ser católico na universidade

A vida acadêmica impõe sérios desafios aos jovens, mormente àqueles que desejam viver de acordo com os preceitos de sua fé. A estrutura universitária atual é montada para inibir a religião. Isso se mostra ainda mais flagrante quando se está a pensar no cristianismo. De fato, o posicionamento cristão — em especial o católico — dentro de uma universidade é quase como que um suicídio social. Os alunos religiosos são frequentemente intimidados — seja pelos colegas de classe, seja pelos professores — a esconderem suas opiniões, a fim de que possam sobreviver aos anos de estudo. 
É suficiente pensar em dois casos particulares que aconteceram no Brasil há algumas semanas para se ter um panorama da situação: a arbitrária retirada de uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho da Faculdade de Direito do Recife e o aprisionamento das cartilhas "Chaves para bioética", a mando do Ministério Público, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Embora a academia seja um campo onde deve existir o livre debate e o pluralismo de ideias, a militância dita "progressista" impõe a todo o corpo universitário uma agenda ideológica e sem nenhum compromisso com a verdade. Assim, enquanto as imorais cartilhas de "educação sexual" da Unicefcirculam livremente em escolas, colégios e faculdades, o Ministério Público acata o pedido de alguns professores contrários à castidade, recolhendo o material da Fundação Jérôme Lejeune, distribuído na UERJ. Reina, de fato, o que Bento XVI chamou de "ditadura do relativismo". Não existe diálogo, não existe ciência séria. Ao contrário, no mais da vezes, os cursos são verdadeiros laboratórios de doutrinação.
No discurso que proferiria à Universidade de Roma La Sapienza, em 2008, Bento XVI faz a seguinte consideração: "Diante duma razão não histórica que procura autoconstruir-se somente numa racionalidade não histórica, a sabedoria da humanidade como tal - a sabedoria das grandes tradições religiosas - deve ser valorizada como realidade que não se pode impunemente lançar para o cesto da história das ideias". Ora, não foi exatamente isso que fizeram o Ministério Público, recolhendo as cartilhas, a Faculdade de Direito do Recife, expurgando uma imagem histórica do prédio da instituição, e meia dúzia de professores e alunos intolerantes, ao impedir a participação do Santo Padre na abertura do ano letivo da Universidade de Roma? Jogaram na lata de lixo da história dois mil anos de sabedoria e progresso, cujo legado abarca inclusive a La Sapienza, fundada ainda no século XIII, pelo Papa Bonifácio VIII.
Os chamados padres da Igreja identificaram na filosofia em vigor à época — não nas religiões pagãs e míticas — as sementes do Evangelho, as quais o cristianismo teria a missão de desenvolver posteriormente. Ao início do pensamento cristão, a fé católica aparece como a continuação e o acabamento do pensamento filosófico, não como extensão da religiosidade popular. A famosa conversão de São Justino deve-se justamente a essa importância da razão dentro do cristianismo. No seu Diálogo com Trifão, ele narra como sua peregrinação em busca da verdade levou-o a Deus e à "verdadeira filosofia" [1]. Foi também o itinerário percorrido por muitos outros santos, mas sobretudo por Santo Agostinho. No cristianismo, o santo bispo de Hipona pôde perscrutar as raízes da verdade: "Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava… Estavas comigo e eu não estava contigo" [2].
Essa sede de verdade impulsionada pela Igreja e seus pensadores ao longo dos séculos teve papel imprescindível para o surgimento das universidades. O historiador Thomas E. Woods, em seu famoso livro "Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental", desmitifica a ideia de que a Idade Média foi um período de ignorância e superstição. À Igreja, diferentemente do que se costuma ensinar nos cursos de história, coube o papel de salvaguardar e desenvolver o conhecimento da humanidade. Woods comenta [3]:
A Universidade foi um fenômeno completamente novo na história da Europa. Nada de parecido existiria na Grécia ou na Roma antigas. A instituição que conhecemos atualmente, com as suas Faculdades, cursos, exames e títulos, assim como a distinção entre estudos secundários e superiores, chegaram-nos diretamente do mundo medieval. A Igreja desenvolveu o sistema universitário porque, com as palavras do historiador Lowrie Daly, era "a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber".
Com efeito, o rótulo de persona non grata imposto ao jovem católico dentro da academia — principalmente quando se manifesta contrário às opiniões dominantes no círculo universitário —, resume-se tão somente a um preconceito tacanho da parte daqueles que desejam colocar a religião entre parêntesis. A contribuição da Igreja Católica à ciência, em que pese as acusações contra a Inquisição e erros pontuais na avaliação de novas descobertas, supera a de qualquer outra instituição. Dão testemunho disso os 48 prêmios Nobel da Pontifícia Academia das Ciências. Entre os nomes notáveis que figuram nessa lista estão o brasileiro Miguel Nicolelis e o inglês Stephen Hawking. Sim, dois ateus. A Igreja, ao contrário dos dogmáticos militantes anticlericais, é capaz de reconhecer os progressos da humanidade, ainda que seus idealizadores não sejam crentes.
Bento XVI, ao encontrar-se com os jovens em Madrid, durante a 26ª Jornada Mundial da Juventude, não deixou de animá-los a perseguir o caminho de Cristo, mesmo diante dos desafios:
Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d'Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.
Dentro da universidade, o católico é chamado a dar testemunho da verdade, infundindo, por meio do apostolado pessoal e fecundo, as Palavras do Evangelho entre os demais. É chamado, sobretudo, a contribuir para o progresso e exercício da autêntica ciência: "a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé" [4]. Não há por que se envergonhar de Cristo. Estar ao lado de Deus é estar ao lado da verdadeira razão.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 21 de março de 2007
  2. Santo Agostinho, Confissões, X, 27
  3. WOODS, Thomas E..Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, p. 46
  4. Catecismo da Igreja Católica, 159

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

INFIDELIDADE ELEITOREIRA

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Me diga uma coisa! Só uminha. Se sua esposa ocultasse de você todas as correspondências que chegassem até a porta de sua casa, se ela escondesse a fatura de seu cartão de credito e, sistematicamente, lhe apresenta-se uma justificativa, no mínimo, duvidosa para os gastos além do orçamento, o que você faria? Continuaria amando-a incondicionalmente? Entendo.

Alias, me permita outra perguntinha inconveniente: se ela realiza-se uma triagem prévia em todos os contatos do seu celular e do seu perfil no facebook, um pente fino pra saber tudo, tudinho o que você conversa com seus amigos, o senhor continuaria devotando a ela, sua amada, uma irrevogável confiança? Entendo.

Só mais uma perguntinha! Aí eu paro. Se ela surta-se, pira-se o cabeção, toda vez que você tivesse a desfaçatez de questioná-la sobre essas atitudes, mesmo assim, continuaria crendo candidamente em sua sinceridade para contigo? Continuaria? Entendo também.

Pois bem, e é dessa forma que o eleitorado crítico do PT reage frente aos infindáveis escândalos de desamor a república e de desprezo à democracia perpetrados pelo seu amado partido. De modo similar a um chifrudo convicto, cegamente apaixonado por sua sirigaita.

E paixão de corno é mesmo um trem bravo pra caramba companheiro! Não há remédio que cure e nem simpatia que dê remédio.

O caboclo é traído descaradamente, não acredita no que vê e se envareta com qualquer um que tenha o disparate de lhe contar a verdade. Chegam, inclusive, a cuspir marimbondos e a soltar fogo pelas ventas quando alguém tenta abrir os seus olhos para o fato de que a princesinha, sem encanto, não passa duma meretriz.

E os criticamente apaixonados pelo maquiavélico partido-princesinha, que a mais de doze vem fazendo do Brasil um grande lupanar, são guampeados até dizer chega e, mesmo assim, não querem saber de nada. Nadica de nada. Continuam ideologicamente cegos de amor.

Seja o caso de Santo André, do Mensalão, do Petrolão, seja o que for, para eles Lula, sem saber de nada, é um símbolo vivo da democracia e Dilma a detentora dum coração de santa/mártir e, por isso, nada lhes digam a respeito do Foro de São Paulo e dos empréstimos fantasmas a mais de um ditador. Não há nada neste mundo que seja capaz de abalar essa totalitária paixão.

Nada, nada, nada mesmo! O caipora guampudo não acredita em nada que desminta a matrona que lhe roubou o coração, o cérebro e a personalidade. É um horror, sei disso. Aliás, todos sabem e reconhecem, menos eles que fazem beicinho e batem o pé por pura cegueira de corno político misturada com um bom tanto de vaidade.

Enfim, dizem por aí, que isso é coisa que dá e passa. Será? O tempo dirá.

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E AINDA QUEREM CAFUNÉ!

Por Percival Puggina.

Em sua página no Facebook, a senhora Jandira Feghali, deputada federal do PCdoB, divulgou nota a respeito dos "crimes de ódio" que estariam acontecendo contra os comunistas em nosso país. Fala em injúria, difamação e, claro, em fascismo.

 Ora, ora, dona Jandira. Cem milhões de cadáveres produzidos ao longo de um século por seguidores de seus ideais lhe parecem insuficientes para justificar rejeição moral às suas ideias e práticas políticas? Pois, então, lhe acrescento mais algumas. Em nossas escolas, militantes dessas mesmas ideias doutrinam nossas crianças. Sucessivas gestões do ministério da Educação e de órgãos estaduais e municipais de Educação divulgam material didático com igual conteúdo. Órgãos oficiais dedicados à "cultura" nacional raramente cuidam de outra coisa ou destinam recursos para quem diverge da sua ideologia. Em concursos públicos, muitas respostas "certas" correspondem a seu modo de ver as coisas. O dinheiro do contribuinte brasileiro é desviado pelos seus compadrios oficiais para financiar governos alinhados com o seu partido na América Latina e na África.

 Na base do governo e fora dele, seu partido e associados dedicam-se a combater liberais e conservadores, como regra, aliás, oponentes muito pouco ativos, quase inertes. Pois até essa oposição é merecedora de violentos ataques, sendo apresentados como inimigos a serem esmagados, causadores insensíveis dos males nacionais, parceiros dos ricos e inimigos dos pobres. Tamanha tolice é afirmada contra toda evidência, pois nunca, na história do Brasil, um governo distribuiu tanto dinheiro aos ricos, ajudou tanto os negocistas em suas negociatas e proporcionou tantos ganhos lícitos e ilícitos aos economicamente mais poderosos.

 As ideias que a senhora e seus parceiros defendem (malgrado as imensas contradições morais entre a teoria e a prática), já acabaram com a valiosa autonomia da OAB, já destruíram a credibilidade da CNBB, já derrubaram a capacidade pastoral de muitos púlpitos e pregadores, já afastaram da fé cristã muitos religiosos e religiosas, já afundaram no marxismo, no laicismo e no anticlericalismo muitas escolas e universidades católicas, já desacreditaram muitos tribunais.

 Quando seu partido e seus associados estavam na oposição, faziam uso constante da violência através das invasões de propriedades rurais e urbanas, de estabelecimentos públicos, de plenários de parlamentos. Quando o povo ordeiro saiu às ruas nas jornadas do ano passado, seu partido e seus associados extraíram dos subterrâneos a fúria destruidora dos black blocs. E esvaziaram as manifestações.

 E a senhora, seu partido e associados têm a audácia - ou a ignorância explícita - de nos chamar fascistas? "Fascistas" liberais? "Fascistas" conservadores? "Fascistas" defensores da democracia constitucional e representativa? Ora, vá estudar!

Como podemos ser fascistas, nós, que queremos liberdade e pluralismo? Nós que nos manifestamos por meios pacíficos, que não incendiamos ônibus, não jogamos pedras, não quebramos vidraças? Nós que queremos um Estado pequeno, que respeite o espaço da vida privada, os indivíduos, seus negócios e suas famílias? Nós, que combatemos o comunismo por dever moral, no plano das ideias e das instituições que a senhora, seu partido e associados ocuparam? Nós que somos caracterizados por aquela tolerância inerte que, de hábito, é própria da "ação" política de liberais e conservadores? E agora ficamos sabendo que, mesmo sob tão benignas condições, basta que se conte a história de sua ideologia, basta que se aponte as más consequências dela, bem atuais em Cuba e na Venezuela, basta que se mencione o Foro de São Paulo, basta que se critique a corrupção que se multiplica no país, basta que se comente as descaradas deliberações da Unasul, para a senhora nos ameaçar com a polícia? Agora, me diga quem é fascista.

Examine o comportamento da esquerda contrariada, do seu partido e associados, por exemplo, numa assembleia estudantil, numa eleição de DCE, na invasão de alguma universidade, numa reunião do Congresso Nacional quando alguém grita "Vai para Cuba!". E me diga quem é fascista. O comunismo, deputada, é irmão gêmeo do fascismo. Aprenderam muito um com o outro. E ambos causam igual repugnância a liberais e conservadores! No fundo, no fundo, eu acho que a senhora, seu partido e associados, pelas afinidades que têm com as práticas do fascismo, preferiam viver sem oposição, ou com uma oposição que lhes fizesse cafuné.


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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.

sábado, 6 de dezembro de 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XIII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Não é que os comunistas mente, não é isso. Para um comuna tudo é relativo. Tudinho. Desde as excelsas verdades até o seu pífio caráter.

[ii] Todos de vez em quando mentem. Todos. Porém, há uma tigrada que não consegue viver sem mentir. É incrível! Mente tanto que, para eles, mentir é como respirar. Não dá pra parar. Passam mal se pararem.

[iii] Estive lendo, faz pouco, uma coletânea de cartas escritas no front por soldados. Essa obra (Cartas do Front – relatos emocionantes da vida na guerra), organizado por Andrew Carroll, reúne missivas escritas por homens de armas de diversas nacionalidades que lutara em diferentes conflitos.

A sinceridade, o teor de humanidade em cada linha, é de arrepiar. Há passagens em que as lágrimas, confesso, ultrapassam vigorosamente as trincheiras da visão e invadem as inimigas linhas faciais.

Esse livro deveria ser lido por todos, principalmente pelos espíritos de porco que não tem o menor respeito pelas forças armadas. Um livro que reúne os testemunhos daqueles que sangraram, anonimamente, por muitos. Homens que deram sua vida para defender ilustres desconhecidos e, muitas vezes, esses bravos receberam dos seus protegidos apenas um afetado desprezo.

Enfim, está aí a dica. Boa leitura.

[iv] Parece piada, mas não é. Rui Falcão afirmou que o partido dos “trabalhadores” entrou com um processo contra o Paulinho do Lula (Paulo Roberto Costa) por difamação. Isso mesmo! O ex-diretor da PETROBRAS, está sendo processado pelo PT por ter prestado depoimento junto a polícia federal. Seu depoimento ajudou a abrir, parcialmente, a caixa-preta do escândalo que ficou conhecido como PETROLÃO. Eis aí o que o nobilíssimo entende por difamação: entregar os podres do partidão. É mole ou quer mais? Não é mole nem rapadura! É apenas uma larga estrada sendo aberta e pavimentada para levar-nos a uma desavergonhada ditadura ao estilo George Orwell, num misto com os tons da distopia de Aldous Huxley. É, o bicho é feio, mas o filhote é pior.

[v] Sinal dos Tempos! O suflê de alface gravou um vídeo convocando o povo pra ir para a rua na manifestação anti-PT. E não foi só isso! Ele se fez presente na manifestação! E mole ou quer mais? Tem mais! Ele subiu no carro de som e discursou! E pasmem: o José Serra falou a respeito do Foro de São Paulo. Pois é, apesar da cara de morto ele resolveu pelejar. Trocando por miúdos: nem tudo está perdido.

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DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[I] A matilha de caninos vermelhos sabe morder o povo como ninguém, porém, convenientemente, não sabe ouvi-lo.

Os cidadãos que estavam nas galerias do Congresso gritaram, com clareza, para os legisladores comunas: "vá pra Cuba! Vá pra Cuba!"

Eles, por sua deixa, fazendo-se de sonsos e de vítimas, disseram, indignados: "vagabunda não!"

Por isso, pra facilitar as coisas, resolveram meter bronca dando uma palhinha do que nos espera daqui pra frente. Eles fizeram raiar no horizonte do Planalto um pouco do tirano sol Caribenho.

Enfim, a tirania mostrou a sua cara, sem máscara, nessa terra onde as sementes frias do totalitarismo rubro já começa a dar os seus primeiros pútridos frutos.

[II] Tudo é permitido desde que seja para o bem do partido. Seja lícito ou não; moral, imoral ou mesmo amoral, pouco importam quais sejam os meios empregados para a realização daquilo que é apregoado pelo partido como sendo o fim a ser atingido. O que realmente importa é que a elite partidária, juntamente com os seus sicários, saiam triunfantes, mesmo que isso custe a destruição de toda a nação e a felação de toda e qualquer dignidade.

[III] O partido é o novo príncipe maquiavélico. Uma versão aprimorada, hi tec, do que fora idealizado pelo velho florentino amargurado. Para ele, bastava que o monarca permanecesse indefinidamente governando o principado. Na versão modernosa, apenas isso não basta. É necessário que ele se converta num princípio categórico onipresente e invisível que tudo governa, um vale tudo em seu favor, onde nada pode ser feito contra o seu projeto de poder. Essa é a radiografia do PT. Somente os cegos não veem. Apenas os comprometidos e canalhas fingem não ver.

[III] O país está marchando para um futuro desesperador? A probabilidade é imensa. Praticamente inevitável. Porém, tal situação não é motivo para se abandonar as esperanças. Pelo contrário! É um sinal para nos rejubilarmos.

Durante anos a pseudo oposição que havia no Congresso Nacional lá ficava, comendo moscas, querendo conquistar a amizade e simpatia da curiola vermelha. E assim ficaram, durante anos, feito sonsos, esperando uma postura minimamente digna daqueles que consideram a honra um preconceito burguês.

Hoje, o barco começa a fazer água e, em vista disso, começa a despontar no horizonte novas lideranças políticas ao mesmo tempo em que antigas estão incendiando-se depois de longos anos amornadas.

É, meu caro Watson! Quem diria que o senhor José Serra, o picolé de alface, estaria chamando a galera pra irem para as manifestações. Quem diria!

Enfim, a oposição tardou, e muito, para aparecer. Mas agora, ao que tudo indica, resolveram tirar todos os atrasados e vão arregaçar as mangas para que, num futuro não muito distante, não tornem-se apenas mais uma chacota da história brasileira.

[IV] Sun Tzu dizia que os soldados revelam toda sua potencialidade quando colocados numa situação de perigo mortal. Quando um exército pequeno e desarticulado é obrigado a travar uma batalha desfavorável, os guerreiros, invariavelmente, transfiguram-se em gigantes.

Hoje, estamos todos a testemunhar algo assim no Brasil. A crise está instaurada. Mesmo que ninguém declare, estamos numa crise institucional sem volta e no meio desse fuzuê agonizante estão surgindo almas de aquilatado valor que estão fazendo toda a diferença.

Esses valorosos cidadãos podem até tombar em meio a boa luta, porém, eles estão inspirando inúmeros outros a seguir adiante com essa peleja e todos estão animados pelo clamor da justiça e guiados pela tocha da liberdade.

[V] E é claro que os covardes e sicofantas estão se reunindo, tramando e desfigurando tudo o que se opõe a eles. Aliás, essa é sua natureza, sua insustentável e leviana natureza. Eles não descansaram enquanto não destruírem tudo aquilo que lhes desnuda e revela a todos a sua incorrigível baixeza vermelha.

@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[I] O ministro Gilmar Mendes, sem querer querendo, deu uma contribuição impar para a filosofia política quando apresentou, numa entrevista recente, um novo tipo ideal, ou quem sabe um conceito operacional mesmo, para analisarmos as peculiaridades reinantes na vida pública dessa terra de desterrados. Resumindo o entrevero, não somos uma democracia e estamos muito além duma oclocracia. O Brasil é uma singular cleptocaria onde impera a falta de vergonha na cara que regulamenta cinicamente o despudor frente a república de alto a baixo, desde os mais retirados rincões até os mais apinhados centrões. Pois é, ninguém segura esse gigante.

[II] Todos se lembram daquela música dos Titãs onde canta-se que a solução seria alugar o problema? Pois é, abandone. E abandone por duas razões: quem vai querer alugar o Brasil? Segundo: eles, os Titãs, cantavam euforicamente “nós não vamos pagar nada...” Não vamos pagar nada? Ninguém mais acredita nisso.

[III] Antigamente os comunas, sejam os aguerridos ou os “catedráticos”, declaravam-se marxistas e lavoravam em prol dessa doutrina totalitária movidos por uma pia convicção de que eles estavam realizando uma mundana missão. Acreditavam mesmo que estavam respondendo ao chamamento duma espécie de "vocação". Hoje os tempos são outros. Não descarta-se a existência de almas que fazem do credo vermelho uma vocação, porém, não são poucos os que fazem do  papel de rebelde institucionalizado sua profissão. Profissão que, em numerosos casos, é muito bem remunerada tendo em vista o desserviço que essa gente alucinada presta à nação.

[IV] Quem muito quer mexer na meta fiscal é porque meteu em cumbuca que não devia, ou porque pretende meter mais um pouquinho sem ninguém perceber. Pior! Fazer chantagem publicamente, para que o fiscal em meta seja metido dum jeito ou de outro é sacanagem pra dar com pau. Ou não? Bem, seja como for, que cada um meta a meta onde quiser desde que não me meta no meio e nem me mande a conta dessa meteção. Pode ser ou tá difícil?

[V] Voltaire dizia que há homens que são tão grandes que nos esquecemos dos seus vícios. Podemos dizer o mesmo das mulheres que exalam grandeza. O mesmo não pode ser dito, nem mesmo insinuado, no cenário atual de nosso país. A grandeza, ao que tudo indica, pediu licença sem vencimentos e os vícios, por sua deixa, tomaram conta do horizonte que um dia fora um campo privilegiado das almas  varonis.

[VI] Faz pouco, não muito, um petista lá das cabeças, afirmou que o senhor Lula seria um patrimônio da democracia brasileira e que toda crítica a ele deveria ser denunciada e rechaça. Ora pois! Quer dizer então que um homem público que está atuando no cenário político atual, que teve sua candidatura anunciada para as eleições de 2018 e que está com sua vida pública pregressa sendo colocada em dúvida não pode ser criticado? Quer dizer que esse coisão deve ser tratado como uma espécie de "pai fundador" da pátria? Que bagaça é essa? Essa bagaça chama-se culto a personalidade advindo duma mentalidade stalinista tupiniquim retrograda, típica de regimes totalitários que, em muitas ocasiões, foram apontados pelo senhor Luiz Inácio, como exemplos para o nosso país. Tal mentalidade é a cada escarrada da democracia petista.

@dartagnanzanela
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

“O cristianismo é uma invenção de cérebros doentes”

Por Francisco Escorsim

Terrível, mas já não surpreende. Deu nos jornais: foram recolhidas cartilhas que seriam homofóbicas e foram distribuídas aos professores da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Segundo a denúncia feita pelo grupo de pesquisa Ilè Obà Òyó, do programa de pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e acatada pelo Ministério Público carioca e pela Secretaria de Estado da Educação, a cartilha intitulada Chaves para a Bioética conteria “conteúdo discriminatório (homofóbico e machista)”. Terrível, não?

Versões da cartilha estão disponíveis na internet, em várias línguas. Fui lê-las, não resisti. Encontrei a versão portuguesa, que dizem ser quase idêntica à brasileira, salvo a parte sobre teorias de gênero, que foi acrescentada e pode ser lida na versão americana. Foi organizada pela Fundação Jerôme Lejeune, sendo que 2 milhões de exemplares foram distribuídos no Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio. Tem cerca de 80 páginas, com nove capítulos tratando de temas como aborto, eutanásia e teorias de gênero. Em todos, lê-se, primeiro, informações de caráter científico. Depois, vêm as implicações e dilemas éticos abordados de um ponto de vista mais filosófico que religioso. No fim, na versão brasileira, vem um quadro com “O que diz a Igreja”.

Voltei a ler o noticiário, pois fiquei confuso. Afinal, o que seria o tal conteúdo discriminatório? Não se diz, só se acusa. E, além de censurar as cartilhas, o Ministério Público ainda determinou realização de campanhas de esclarecimento sobre a necessidade de respeito a todos os modelos familiares e orientações sexuais para “neutralizar qualquer conteúdo eminentemente religioso nas cartilhas (em especial a fim de repudiar o conteúdo descrito como ‘Teoria do gênero’)”.

Desrespeito a certos modelos familiares e orientações sexuais? Mas, já na introdução do manual, escrita pelo presidente da fundação responsável pela cartilha, lê-se: “Em contrapartida, nunca devemos julgar as pessoas que não fizeram as mesmas escolhas”. Isso é desrespeito? Se é assim, então é a mera defesa do modelo familiar cristão que é inaceitável, “desrespeitosa”, “discriminatória”. Logo, assegura-se o respeito a todos os modelos familiares, menos o cristão; afinal, é preciso “neutralizar qualquer conteúdo eminentemente religioso nas cartilhas”. Quem está discriminando mesmo?

E quanto às teorias de gênero, tratadas com especial apreço pelo Ministério Público, são incontroversas? É proibido ser contra tais teorias? Tornaram-se lei? Não – tanto que, recentemente, o Congresso Nacional retirou do projeto de lei do Plano Nacional de Educação a referência a essas teorias, justamente por serem muito controversas. Por que, então, tratá-las como se fossem dogmas indiscutíveis, censurando quem delas discorde e impedindo o debate no sistema de ensino?

Eis a intolerância dos tolerantes. A realidade é que, na diversidade tão louvada do “politicamente correto” imperante, o cristianismo não se inclui, não pode nem mesmo ter voz. Isso iria contra os “direitos humanos”, pelo visto. Quão distantes estamos, então, de afirmações como a famosa frase que aqui serve de título? Ah, o leitor não sabe quem a disse? Hitler. Pois é. Terrível, não?

(*) advogado e professor, é coordenador do Instituto de Formação e Educação (IFE-Curitiba).
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/

Por que a Suíça tem a menor taxa de criminalidade do mundo?